quarta-feira, 2 de março de 2011

Viver e deixar morrer.


Enterro aqui a ilusão de um romance fácil, avassalador, conturbado e apaixonante, que como praticamente todos de tal biotipo, não sobreviveram ao caos diário. Às vadias fáceis, à bonança festiva, aos zilhões de amigos opostos. Aos palpites desconfiados, ao momento - errado, fatídico. Contaminado com o azar do destino, afetado pelo cansaço de remar contra a maré dos afetos: sempre desfavorável, os ventos. É com pesar que nem lágrimas sinto rolar por isso que em mim já não mais vivia, e cética e dura, talvez fria, oro enquanto fecho eu mesma no quintal dos sonhos, mais esse caixão. A sensação é tal a de um luto que já havia ensaiado, meses antes. Sem cortejo fúnebre e nem convidados, apenas eu como espectadora daquilo que teci e planejei. Única visualizadora do feixe de imagens e sons, de arrepios e visões de um fatídico final chama ao recomeço: necessário. Por vezes enganoso, agora lustroso: um final digno, para ambas as partes. Uma desconexão tangível, consciente. Ao lado da árvores que sombreia, uma flor em nascimento. Desabrochando. Um sentimento? Uma alma, uma afeição? Sabe se lá o que morre para o que outro nasça. Ainda descoberto, o renascimento. De mim, ou de um coração? De ti, ou de uma intuição? O bom é que uma tampa se fecha, e uma planta agora cresce.
Hoje chove. Abunda água para as pétalas que necessitam viver, aos caules e raízes que querem insistentemente se fortificar. Ao falecimento, maior solidez. Que não é carnal, mas sim, afetivo. E necessário de eutanásia praticamente, quando era hora se foi: sem forças para respirar, nem respostas bem recebidas, uma desgastada paixão em estado terminal. Terminou. Alguma morte, ao lado de outra nova vida, nascença. Esperançosa, não temo que o floreio em andamento se ateie ou contagie por tão perto estar do imóvel; estacado. Com o passar da chuva, a abertura do tempo e o dia de amanhã, a certeza é uma: que nasce o sol. A flor que do lado agora se banha, lava a alma e prepara-se para o brilho no céu, radiará, vermelha e lustrosa: amor.

(Escrito de Janeiro de 2011)

Cupido

Seu danado, cadê você? Agora que te busco e em mãos não mais se encontra o passe livre para pisar nas nuvens e flutuar pelas ruas, apaixonada: o seu sumiço, então. É férias, porém, mais do que nunca, quero ser acertada, na loteria romântica, uma vitoriosa. Chega dessa sorte no jogo, que nada adianta ser então profissionalmente uma ganhadora e tanto, se com quem gastar das horas em companhia que me estremeça, é o que mais me falta.
Você, menino, e suas armas invencíveis, gladiadoras. Fortificadoras. Jeito moleque e a pirraça de não olhar atentamente ao jogar o tiro, e errar o alvo. Me pergunto se é com flechas que caças, ou simplesmente, com armadilhas. Arapucas sentimentais, que crivadas no peito doem, esfarrapam a alegria de beijos de amor ao pé da cama, debaixo do travesseiro. Iludem em sua maioria, gostam de enganar com sabor: tiram da mão, quando os dedos então tocavam o tão querido afeto. Erro crasso, coração despedaçado. Seguindo então o curso da vida, que mais se assemelha a um rio qualquer, unido em água, sangue e caminhos destinados, na espera de que a então malfeitora farpa saia do peito logo, e sem demasiada dor.
Mal de Parkinson não é, tão jovem é você. Um cândido que da infância não se desprende nunca - praticamente irmão de Peter Pan, apenas mais inconsequente, serelepe. Mira na pessoa exata, naquela correta, e sabe se lá se por força do vento, das intuições ou destino, acaba por errar a pontaria.
Quero seu bem, duvido que se drogue, como dizem. Apronta por puro contentamento, pela diversão. Quem sabe, para fazer com que aprendamos e cresçamos nesses relacionamentos cansativos, pela metade. Disseram que chegaste a talvez, se apaixonar por cada uma das belas damas que de sentimentos vazios, a você recorrem. Primeiramente anjo que és, duvido. Imagino seu sorriso a ver a felicidade de cada casal que formas, e com você o apego não é uma constante - tudo para o maroto muda; os ventos, as ocasiões, os pensamentos. A rapidez das suas asas dá o efeito dos tais arrebatamentos que não sabemos explicar: ostentadores. Para sobrevoar por aí, urgente, elétrico, e esperto, problema de vista sei que não é o que te impede de fazer boas ações. Fico com a opção de poder crescer no que não posso possuir. Esse é o ensinamento que empunha a cada proposital desacerto: amar com liberdade, e sem vaidade, como cantou tantas vezes Raul. Aprender a sentir de um jeito mais sadio e correto, quando sou só loucura e arrebatamento, paixão. Por vezes, imagino que tenhas também uma cota de flechas, destinadas a cada pessoa. E então, as de fazer apaixonar, para minha pessoa já tão penalizada, se esgotaram. Vai que agora os tais dardos duplos e complementares, do amor real, grandioso e destinado à dois, não entram em cena? Não desacredito você, querido Cupido. Pelo contrário, imaculo seu potencial. De estúpido, aliás, nunca o chamei. Sei que és esperto, basta olhar com atenção os tantos casais cúmplices e apaixonantes que gostaríamos de ser, e no fundo, invejamos, tão felizes e completos. Peço apenas que até pare de se esconder, e à cena retorne, em grande estilo: como meu amigo, e no objetivo, a minha felicidade. Apenas, volte. Sem ensaios para atingir de raspão, ou nas periferias que não são nunca o meio. Em sistole ou diástole: bem no meio, no ponto exato onde para todo o corpo se vá o que sente o coração. Venha e, sem me avisar, que a surpresa é ainda mais deliciosa, de repente no meio da rua, supermercado, barzinho à noite ou farmácia pela manhã, algum olhar de outra vivência, aquele arrepio de já conhecer o incógnito. E ainda assim, querer afundar nele.
Dizem que você não cresce, apenas porque o amor é que não envelhece. Talvez seja. E flechas no peito, o que representam então? Que o amor, para cicatrizar, também um pouco deve doer. Sem torturas, o frio na barriga que é essencial para valorizar a grandiosidade de uma afeição.

Tentação desgovernada


No meio da noite, sem nada esperar, e numa tranqüilidade de dar inveja a monge Tibetano, me surge a pergunta mais estranha, complexa e cheia de subterfúgios, feita assim depois de tantos dias: você é louca?
Paro por segundos, e analiso toda essa andança defeituosa, minhas últimas ações, os ultimatos, a fuga breve e com explicações capengas. E você, tão injusto, volta à tona com essa questão, num jeito bem rude, grosseirão mesmo, pedindo só uma explicação, no meio de toda essa raiva aparente e que me pega totalmente desprevenida de ataques pungentes, guerras sem aviso prévio. Uma dúvida intrigante, no lugar da declaração de falta sentida, amor mal vivido.
Entre responder ou não, pensei por um tempo, e a outra metade dos minutos foi puro charme mesmo; fingir mil ocupações, sobrecarregada entre tantos possíveis affairs, amigas baladeiras e minha super agitada vida que nem ao menos me condiz, quando na verdade, naquele momento, a única tarefa que me distraia era repensar toda essa história, e resolver o dilema de me mostrar viva, ou deixar a dúvida instigar um pouco mais. Responder fria, desentendida quando na verdade as palavras autênticas queriam sair, confrontar e mostrar que o insano aqui, é você. Deixei à tona meu lado meio gelado, e depois não controlei as explosões - como era de se esperar, lógico. Fui dormir com a pulga atrás da orelha, talvez um monstro embaixo da cama, ladrão que sobe pela sacada e entra no quarto, essa inquietação que já me é natural, centralizada: eu não era louca, coisa nenhuma. Quem sabe, transitória, dúbia. Porém, à beira da loucura, eu apenas observava num espelho o que a meu respeito não dizia - ele sim, um alienado, dos típicos. A necessidade de te escutar, o desejo de te invadir. Tua pose de me dominar, dos mil e um obstáculos que nos separam - tanto tempo depois - fingir nem ver: atropelar.
Bem verdade que eu ajo hoje, e em seguida me enclausuro para ler livros de psicologia, ouvir músicas poéticas e ficar sozinha; e amanhã volto com uma super-inovada-nova-solução para o nosso caso de amor dilacerante e pragmático. Talvez por isso, as fugas, e voltas, as idéias mudadas, o sentimento quase o mesmo e os princípios no lugar. E você disse que era inesperado, que tudo ainda estava sendo arrumando, no conserto, e do nada eu fui quem cortei o fio que nos ligava, cordão umbilical desse relacionamento subnutrido. Isso, na sua cabeça. Na minha mente, era incompreensível esse seu sangue tão frio de ainda agir normalmente, como se nada tivesse acontecido. Enquanto ainda me encontrava em meio aos destroços, assustada e sem saber como agir. Uma vontade de que aquele dia não tivesse existido, e fosse só um pesadelo ruim. Me belisca, vai. Daí, posso acordar, ler mais algum livros desses que ganho e guardo para depois e quem sabe quando dormir de novo, eu sonhe algum dia. Mas não. Não foi vingança, sabe. Foi só o pacto de fidelidade que tenho comigo mesma, desde me conheço por gente. De me entregar aos impulsos, deixar consumir essas vontades, arriscar. Sabendo ser o melhor para mim, na sua insistência em contato e proximidade, agi. Meio cega, um pouco maluca, mas uma pena que as explicações não tenham chegado à tempo. Conversados, você mimado e criança, respondendo com monossílabos irritantes, e eu na defensiva dos meus ideais, defendendo com louvor a dignidade que construí e minha sanidade, só me restou sair com uma frase de efeito e sumir por umas semanas. Guerreiros dessa vida que somos, gostamos de um bom confronto. Sei que tanto você, quanto eu, não fugimos da luta em meio à guerra.
Engraçado, talvez não, mas eu pago pra não sair de uma briga, essa teimosia herdada e protuberante, e você cria qualquer uma, adora uma boa discussão. Nem que seja se a melhor infância foi de quem comeu os chocolates Mania ou Kid Banana, ou quem brincou mais nas pracinhas, foi mais tempo à creche. Os times rivais e as gozações, um ama o ritmo frenético da metrópole, e o outro daria tudo para morar na praia, e essa sua paixão por cachorros, quando eu me prometo cada vez mais que quando morar sozinha, compro o furão da pet shop da esquina.
A gente sabe ser quase completamente diferentes, e ainda assim se surpreende com os motivos pequenos que nos fazem ter pelo menos uma discordância por dia. Se empenhando na habilidade de argumentar, ver o braço torcido do outro para depois mil cuidados e mimos. Fazendo o outro mudar de idéia. Mesmo que, nenhum dos dois seja genioso o suficiente para admitir. Duas personalidades fortes, que se admiram cada vez mais e insistem de olhos blindados no que nunca nem deveria sequer ter iniciado. Para sair disso, só depois de muito combate, ou de alguma outra pessoa que venha assim, aos poucos e ganhe uma das mentes difíceis: um relacionamento maduro para acabar de vez com essa tentativa frustrada.

Petulante.


Discutíamos. Momentos como este que que articulam grande força e intensidade, nossos acalorados debates, me marcam sempre a memória - já tão defasada, um tanto elefântica: enorme pro que realmente interessa. Entre punhos pressionados com força de onde poderia vir um golpe certeiro, gritos que transpassavam cozinha, a sala e o seu quarto, bem no meio dos olhos, como costumavas me olhar, proferiu: Sua...Sua petulante.
Pe-tu-lan-te. Que poderia ser nominada doente, louca, demente ou grossa, mas não. Uma petulante. Pétala ambulante? Uma personificação errante pra esses meus erros banais e corriqueiros: um pedaço de flor, caído ao chão sem se mover, derrubado pela própria impetuosidade. Foi como me senti ao quase beijar teu tapete, deitada no chão que já conhecia meu corpo inteiro; apenas junto ao seu, sob o brilho das estrelas quando a janela aberta, e o zelo das cortinas, no rigoroso inverno.
Perplexa, sim, permaneci. Sentada à cama, sem ação, nem revide. Vendo sua raiva de mim partir com você e sua carteira no bolso, a chave do carro em mãos. Os passos largos, apressados. Porta batida, estrondo. Sabe se lá para onde ia, imagino que, qualquer lugar longe dessa minha arrogância de viver que não consegue nunca calar o pensamento, ou o que sinto. Foi nesse meu atrevimento que o obtive. E aparentemente, na mesma ousadia de viver sem nunca me subjulgar, também estava nítido que perderia o que havia conquistado: você.
Recolhida na fúria de ser este mar singular onde se afogam os despreparados, e navegam os apreciadores de grandes venturas, abracei as pernas e chorei como criança perdida no mundo, desencontrada de pai e mãe. O desconsolo de não me resguardar, e com audácia, agir sem nem ao menos tentar um acordo com o pensamento. Eu é quem erro e prenuncio todas atitudes alheias, julgo quaisquer fatos que à mim não dizem nem respeito, tão pouco razão. Pronta sempre para o ataque, essa foi a última de nossas tantas discórdias. Da qual ainda tento fragmentar e esmiuçar, para que talvez compreenda onde que o erro encontrou falha, e nos fez cair para dentro. Nessa desgovernação que me acomete, e que nem entendo; apenas sigo. Foi a petulância em si, ou uma gota dessa água que ameaçava cair há tempos, e nunca víamos ruir?
Ao refazer o caminho da dança que foi o fogo de nossa luta, algum vestígio que fosse do que poderia salvar a minha culpa de ser vilã, para se tornar sua companheira do seu crime (quem sabe, noiva). Arco com o prejuízo de estar certa, para obter a glória de você de novo num jantar dos nossos, acordar ao seu lado e pensar: a vida é justa quando fazemos valer a pena cada fração de segundo. Até largo fora a cara de ser insolente, e amolecer a diretriz dessa minha urgência, para que depois do perdão, revigorados voltemos um ao outro: em paz, e com muito amor.
Chego a pensar que se lutamos, é para ter o sabor ácido e simultaneamente doce de fazer as pazes mais tarde. Petulante ou não, insuportável ou de TPM: você, a paciência enorme que acaba transbordando porque eu canso sim, mas recompenso. E bem. Tanto que a campainha toca, vejo flores no que deveria ser a sua face - agora, também arrependida - e abraço você com a ternura de quem segura o maior prêmio nos braços: o nosso amor como vencedor. Se te desculpo? Acho que te amo.

Práticas masculinas para 2011.

Vi no site da Revista Marie Claire - mais precisamente no blog Fale com ele - algumas resoluções que os homens acham válidas que nós, mulheres (me enquadro em tal categoria, e imagino que, 80% das leitoras do Kawacauim sejam do sexo feminino idem) coloquemos em prática no ano que ainda é recém-nascido. Nesse ritmo de renovação, de novas atitudes, e afins, me arrisquei. Listo então, alguns tópicos que as gurias também achariam ótimos se fossem postos em prática para uma melhor convivência entre seres de Vênus, e criaturas de Marte:


1) "Serei macho na medida certa"
Na minha opinião, homem de verdade, que não tenha medo de baratas e insetos, e não peça dicas de beleza, ou creminhos emprestados, está em falta no mercado. A macheza de um cara nada tem a ver com bancar o rude, ou ter voz grossa, e braços musculosos. Muito menos em agir como um caminhoneiro. Está no equilíbrio entre se cuidar e usar algo para higiene e saúde, e arrotar e palitar os dentes. Ponderar o homem ogro com o lado afeminado que aí dentro existe é um desafio e tanto. Por favor, sem pintar as unhas e demasiados atos de metrossexualismo - acaba anulando a virilidade masculina. Se cuidar e não parecer porco ou excêntrico são panoramas bastante distintos.

2) "Não implicarei com as roupas dela"
O crescente número de amigas que tem compromisso e um corpo legal e deixam de usar peças que gostam, e ficam bem com seu tipo corpóreo é de arrancar os cabelos, pirar. 'Não uso decote porque o mor não gosta', 'Ele disse que aquele vestido era muito curto' ou 'Prefiro esse biquini maiorzinho que mostra menos o corpo' são frases que tenho escutado cada vez mais. E me ultrajam. Se o cara foi capaz de fisgar o peixão que tá na rede, que cuide bem e não deixe escapar, oras. Ou não aguenta o tranco, e é inseguro demais pra levar muito areia no caminhãozinho? Nos poupem e joguem a cisma e o ciúme pra bem longe, viu.

3) "Deixarei que ela pague algo de vez em quando"
Há um grande número de caras machistas por aí, como todos sabemos. É inegável. Assim como mulheres machistas, e algumas feministas. Longe de mim ser estereotipada dessa maneira, até porque, não me complemento em nenhum dos adjetivos. Porém, não sei a maioria das gurias que lêem aqui, mas eu me sinto muito mal quando saio com um cara e, em todas as vezes, ele não me permite pagar nada, nenhum tostão. Se tenho meu dinheiro, é legal que eu pague algo também, de vez em quando. É como se a gente sentisse em conjunto o peso do dinheiro que está sendo gasto por uma só pessoa. Ocasionalmente, ela não ficará na pobreza se tirar um pouquinho da carteira, pode ter certeza.

4) "Não responderei monossilábicamente ou a deixarei falando sozinha quando numa DR"
Uma grande questão. Mulheres já possuem esse armazenamento infinito de palavras, tanto a serem ditas, quanto escutadas. E quando numa briga, argumentar e deixar a opinião bem esclarecida é fundamental. O foda é quando do outro lado se escuta apenas 'aham', 'é verdade', ou 'não sei'. Piora o quadro quando o cara sai no meio do monólogo, ou diz que já volta, e reaparece como se nada tivesse acontecido. Que os dois pontos se escutem, e cheguem num consenso. O ano é de Mercúrio, pessoal - quem leu essas previsões pra 2011 sabe disso, claro - e favorece as conversações. Quem conversa, se entende. Usufruamos!

5) "Levantarei a tampa do vaso antes de mijar"
Pelo amor de Deus, nem necessita explicação. Higiene é fundamental. Se tentar acertar a mira, melhor ainda.

6) "Tentarei ajudar nas tarefas domésticas, mesmo que furtivamente"
Porque o tempo de 'Amélia é que era mulher de verdade' ficou nas cavernas, em décadas passadas. Homens que cozinham, e lavam uma louça, ou sua própria roupa, estão em falta também. Ajudar não custa nada, e mulher nenhuma nasce com o estigma de doméstica.

7) "Não temerei compromissos, e os honrarei"
Isso vale pra casais ainda não nomeados, ou em início. Que vocês, homens, laguem de mão essa fixação em querer todas, e não ter nenhuma. É patético. Tanto que, mais tarde, muitos de vocês se arrependem, e não tem volta. Se num compromisso, que vocês não caiam no esquecimento do monumento que está ao lado de vocês - um pouco de romantismo sempre é bem-vindo, se sem exageros e pieguismos. E nada de olhar descaradamente pras mulheres bonitas que passam, é desrespeitoso!

8) "Sairei com os amigos, e deixarei você sair com suas amigas sem desconfiança"
Há alguns anos, a maior reclamação das mulheres era a de que, os homens acabavam muitas vezes saindo com os amigos, e as deixando quase com mofo, no sofá de casa. Acho que a inovação é algo que se expande a cada dia, e então, que os homens permitam sem ciúme e cobrança, que a gente saia também com nossas amigas. Afinal, relacionamento sem confiança mútua é um mato sem cachorro - ou melhor, uma troca sem benefícios. Se ambos não abusarem de tal resolução, tem tudo pra dar supercerto. O que não rola é esquecer da existência das amizades apenas porque se está de casalzinho (depois que acaba o relacionamento, a solidão é o único amparo).

9) "Não bancarei o brega"
Inclui não usar sunga, bermuda acima do joelho, sapatênis, e uma infinidade de cores num só dia. Pochetes, sandálias, calça skinny, meias pretas e porta-celular em couro, no cinto, também devem ser extintos do guarda-roupa. Pelo próprio bem do homem, claro.

10) "Compreenderei a TPM"
Aceitar esse período crítico para a maioria das mulheres é algo essencial, a ser colocado em prática. Até porque, depois de agirmos como o anticristo, recompensamos muito bem e com muito carinho quem nessa fase nos suporta. Mime, afague os dengos, a deixe sozinha, mas suporte. Você sabe que passa, eu sei que é passageiro. É uma dica valiosa pro futuro.

E por último, mas não como uma resolução, e sim como um desejo feminino, que os bofes de 2011 nos compreendam, nos surpreendam, nos apareçam na hora certa! Que estejam do nosso lado porque querem, e não somente porque não apareceu nada melhor. Façam café da manhã na cama, coloquem a nossa música favorita, nos beijem logo cedo, ou antes de dormir. Que aprendam a lidar com os percalços e as maravilhas de conviver com o ser feminino - tão singular, e dignificador dos dias do homem. Nos façam felizes, que a gente terá prazer de fazê-los ainda mais contentes, podem ter certeza.

(Espero que esse post não seja levado para o lado de 'a Andressa é feminista'. Não. Apenas que, tanto homens, quanto mulheres, são de natureza observadora e crítica, querendo sempre mais e melhor, de tudo. Se um homem foi capaz de ter essa idéia, por que não adaptá-la ao universo das luluzinhas? Além do mais, tudo tem um tom um pouco de brincadeira. Quando a gente ama, até os defeitos fazem a gente amar ainda mais e mais - é clichê, mas é de conhecimento geral.)

Cena.


Todos me calam com as desculpas mais do que esfarrapadas de equilíbrio, bom senso e sensatez. Tenho tudo isso, e só não faço uso correto, porque francamente, eu gosto é de ação. O filme excêntrico que planejo e me saí do controle; faço o casting e me surpreendem com faltas e aparecimentos, mocinhos que se demonstram vilões e assassinos perigosíssimos que não passam de passionais convictos, tresloucados do amor. Cenas cortadas quando o certo seriam seguir seu fluxo habitual, rotineiro e incansável. O que me exapera é a falta de partido, a comodidade das massas. Ricas, humildes, simplórias ou refinadas. Esse silêncio medroso que não fala, e ao mesmo tempo traduz-se em repressão, freio de mão ativo que pára antes da chegada do temeroso descontrole, dessa frenecidade de viver sem se culpar; se incriminar de ser humano, possuir emoções e se dissipar de tais armadilhas, motins pulsantes.
Delícia mergulhar na intimidade de não limitar-se, se expor ao habitat natural como veio, à que se destinou. Sem ornamentar frases para não machucar, florear segundas, quiçá terceiras intenções. Sair pela porta da frente, sim, quando não atingido o previsto - planos mutáveis e suas câmaras secretas. Cabeça erguida, olhos turvados à frente e nenhuma inquiedade. Quem não aceita o gosto amargo, não saberá apreciar o adocicado mais tarde; sobremesa recheada de invidualidade.
Meios-termos são pra pessoas que passam despercebidas toda uma vida, que nunca sentiram na pele a adrenalina rolar e fluir, tomar conta e cegar. É para aqueles que não nasceram com alguma luz, ou brilho, que não despertam nada: nem ódio, nem amor. Indiferença, talvez. Tédio e constância numa vidinha arroz e feijão, sagu e ambrosia. Coisa mais clichê, sem sal (nem pimenta), sem graça alguma! Não queimar a língua, e o prazer de sentir horas depois de volta o gosto úmido dos alimentos, ou de salgar tanto a vida, as atitudes, incoerências, que a água venha como um banho, purificação...
Vida em preto e branco, vida sem graça: vida meio-termo! Metade, mais ou menos, tanto faz.

terça-feira, 1 de março de 2011

Presente

 

Quando você questiona, se por fim, me ganhou, sinto é vontade de subir ao pódio junto e compartilhar não o primeiro, mas todos os lugares, assim: junto. Se dou espaço à insegurança vez ou outra, é puro charme. Quero que a liberdade te aponte até mim, mas não forço: deixo que a vida siga seu curso, que bossa permaneça sempre nova, e que, se o caso seja, cada vez mais seja eu chamada para figurar nos seus dias. Digo que só aceito a sua vitória se ela for minha também, como pura verdade de quem se fechou tempo demais pra quaquer sentimentalidade e - aos poucos que tem que ser - reflora, reacende. Vive. E assim, é que tem sido: à flor da pele e sem muito espaço pra deixar que o pensamento, cheio de suas lógicas e razões, se infiltre. Brechas, sim, para felicidade e sorrisos, e mão na perna, cócegas e beijos. Se penso em presente, primeiro vem a leveza desses dias onde são leves quando tem sua participação, e áridos, quando não, e claro, você. O presente, dentro do momento atual. Que, sabe, tem melhora garantida nesse meu humor volúvel - que, com você, sempre tão delicado e suave - e em pele e cabelo, costumes e pessoas. Meu sono, sempre tão caótico, agora é existente - e sereno, o que é praticamente um milagre. Tanto que dialogo, e divago, viajo e desconheço aonde tudo deixou de ser realidade, e passou a ser sonho mesmo. Sonho meu.

Então que desenlaço devagar toda a trama dessa história que se desenrola sem nem ao menos ler o manual de instruções - que me surpreenda no caminho. Temo que qualquer atitude mais brusca, frase desconexa, dê defeito e faça sumir qualquer construção de afeto que tenho nutrido, depois de tanto tempo inerte à essa sensação de paz mista com loucura. Porém, contente, carrego pra lá e pra cá a expressão que por mim fala e aos poucos descubro existir: um festival de bom-dia, e tudo bom, sorrisos amplos e disposição - não tanto pelo café, mas sim, por esse sentido maior por trás de tudo que nos faz avançar e palpitar o peito, intuitivo ocasionalmente. E que me fez agir, e tentar, mesmo sem saber, mas sabendo o tempo inteiro, o que suspeitava valer ainda mais que o sabor de uma simples conquista. Aos poucos e atenta a todo e qualquer movimento, é que tenho me libertado do pedestal de ser inalcançável e exigente a que me impus e descido, com os pés firmes no chão e fugir do que o cotidiano nos oferece. Sem me entregar totalmente ainda, até saber direitinho e sem engano o que fará você com o que receber, apenas para não iludir. Mesmo sem saber até que ponto se está dentro disso que vivencio, mas ainda com claridade, agradeço. E presente, quando recebemos, requerem ao menos um obrigado. Menina obediente que sou apenas ocasionalmente, tenho o feito e em troca, ganho a consciência livre, solta para correr longo dos assuntos aqui do peito.

Com cuidado para que não se quebre a magia do encanto, e muito menos enjoe, é que tento cultivar o magnetismo que tem em ser elevada a um nível de aventura, harmonia e sorte, assim reunidos, intensos. Sem passado, pra servir como papel determinante, nem futuro, expectativado e logo, tortuoso: o agora é o que mais quero. Daquele meu jeito imediato de sempre, suprida, talvez, como nunca. Porque é na sua tranquilidade imensa que a minha paz se reencontra e recarrega - que desastrada, uma louca, você sabe. Que sente cócegas, e ri das meias, das medíocres pessoas, de tudo. Nesse seu jeito pacato que o meu desatino é fisgado, se abriga, e então, se anula: o bem que você me faz, o que nenhum outro fez, jamais.