quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Andressa responde: Pro cara desgrudar


 Olá, Andressa!
Depois de séculos sem escrever, aqui vou eu, direto para o Andressa responde. Minha situação é a seguinte:

Olá, olá. Vamos adiante!
Em 2006, estudava com um cara. Do meio pro final do ano, comecei a olha-lo com outros olhos e então, não deu outra: comecei a gostar (e muito) dele. Ele também parecia estar afim e percebi isso quando ele resolveu fazer uma coisa que odiava só pra me ajudar. Claro que não foi só isso, mas esse foi, digamos assim, o gatilho.

Até então, nada de anormal. Homens costumam fazer pequenas coisinhas para nós, mesmo detestando, quando o nosso bem maior é mais importante aos olhos deles. Prossiga.
Tínhamos uma amiga em comum que vivia dizendo que ele gostava de mim. O problema: ele era muito tímido para me chamar para sair. Para solucionar a questão, foi simples: chamaria eu. E o fiz.

Corajosa, a moça. Não sei se eu teria tido a mesma atitude. Acredito que não (sempre fui muito "mulherzinha" e raramente dei o primeiro passo. Algumas vezes me arrependi; noutras, não). Mas enfim, admiro sua coragem em simplesmente tentar.
 
Perguntei se ele queria ir ao cinema, e ele aceitou logo de primeira, empolgado. Saímos, conversamos muito antes do filme começar e depois, voltando para casa, também. O problema é que, ele, além de tímido, era muito lerdo e não aconteceu absolutamente nada do que eu esperava.

Putz. Sei não. Segundo minhas experiências de vida, e o que já observei por aí, homem, tímido ou não, compromissado ou não, feio ou não, AGE. É do instinto masculino fazer algo, seja o que for, para conquistar o "objeto", ou no caso, a mocinha, desejável. Minha conclusão: ele estava em dúvida. Coisa que muito acontece com gente confusa e perita em se enrolar em relacionamentos por anos.
Depois disso, conversamos ainda mais. Eu, tentando entender o que havia acontecido na saída e torcendo para que a conversa evoluísse. O problema é que ele se mostrou ainda mais lento que no dia que saímos e eu comecei a perder a paciência. Ele prendeu minha atenção quando disse que a irmã (outra amiga dos dois) dele tinha pedido para ir ao cinema no dia que ele foi comigo, mas que ele não deixava porque tinha outro propósito. O problema é que ele ficou enrolando 2 meses, com vergonha de falar a que tinha ido (literalemente).

Que queria ter ido com você para te beijar, e não ficar apenas falando? Uma bela demora, eu admito que não teria paciência para tanto. Acontece sempre comigo: demorou demais, acabou o interesse. Dois meses é tanto tempo, são oito semanas...Imagine só!Acabou que eu perdi a paciência e quando ele falou que realmente falaria o que o motivou a tal atitude, eu que não queria mais ouvir. Não tenho, nem nunca tive, paciência com homem lerdo (ou lento... que seja).

Nem eu. Enfim, não dá MESMO. Homem foi feito pra agir, já que quando nós, mulheres, agimos, eles se assustam como gatinhos perdidos pela cidade. Quem nos mal acostumou assim foi a própria raça masculina.
Enfim, paramos de nos ver no ano seguinte, por causa das obrigações da vida. Ele foi pra uma falculdade e eu para outra, ficamos um bom tempo sem nos falar.Até que, em meados desse ano, ele voltou a se comunicar comigo (tínhamos ainda os contatos virtuais) e agora tá que nem um louco correndo atrás de mim.

Arrependimento tardio? Consciência pesada? Aquela vontade louca de saber o que teria sido e não foi? Uma curiosidade absurda sobre como seria conhecer você "melhor"? Não sei o que motiva, depois de tanto tempo, alguns homens a se tocar de como foram idiotar nos perdendo no passado. Mas muito acontece, infelizmente.
Já foi direto ao ponto, já disse o que queria, mas, francamente, 5 anos depois, quem não quer sou eu. Só que ele não larga do meu pé. Quer sair comigo toda semana, diz coisas incompletas, só para eu perguntar do que se trata e ele falar do que sente, essas coisas. Falei para ele que não queria nada além da amizade da forma mais amigável possível, porque ele não deixa de ser um ser humano com sentimentos e detestaria se alguém fizesse de outra forma, caso fosse comigo. Só que agora estou nessa.
Como faço para que ele largue de vez do meu pé?
Bem, se você já disse da melhor maneira que encontrou, só basta sumir. Infelizmente. Você já falou. Ele, como ser humano, poderia ter feito bom uso das orelhas (ou olhos, caso tenha sido via internet) para que se fragasse. Te garanto que ele tem certeza de que foi fraco quando mais deveria ter sido forte. E que deve ter se arrependido mesmo, pois mulher com personalidade tá raro por aí hoje em dia. Enfim, dê um tempo dele nas redes sociais, bloqueie, não responda, suma. Infelizmente, tem caras que só "se tocam" desse jeito. A gente tenta não dar tanta atenção, tenta falar o mínimo, faz de tudo para mostrar que nossas intenções são outras - ou simplesmente inexesitem - mas insistência só gera ainda menos vontade. Ou seja, ainda menos chances de vocês virem a ficar algum dia. E mais e mais asco da sua parte, que deve estar se sentindo até mesmo mal com essa situação toda. Eu, sumiria. Total da vida do rapaz. Se não quero MESMO, não tem porque contato nenhum.
Espero ter ajudado, guria. Um beijão!
Quer enviar a sua dúvida também? Manda lá pro dessagoncalves_@hotmail.com que é só esperar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Eu, a densa



Ah, mas nossa, como você tem "personalidade forte". É, ela é uma menina de "gênio difícil". Dá medo, é isso? Quem é que me controla quando todas as visões da minha intuição impulsiva conseguem apenas mostrar a visão do centro, no olho do furacão? Eu quero destruir toda essa escória que deixa meus dias insalúbres para passar na garganta. Minha vontade é estrangular tudo que me tira o riso, me desce as lágrimas, deixa à mostra a garotinha indefesa e chorona que existe no meu universo particular - e que visitantes são restritos. Preciso parar, mas é na adrenalina que encontro o desejo da continuidade. Sei onde está o freio, mas de repente sinto o pé forçar cada vez mais o acelerador errante em que daqui a pouco voam placas, mais à frente se machucam pessoas, logo depois, eu é quem bato ou voo ou me safo, que já é difícil achar quem capte tamanha pressa.
Porque, moça, você precisa levar as coisas menos a sério. Levar a vida mais leve. Deixar que a vida a leve. Levíssima. Mas não. Coloco minha mão pesada nas tarefas ardilosas que não me tiram nem um sorriso por hora, dou um jeito de meter minha opinião ácida onde o homogêneo tedioso da calmaria dos deveria ficar. Culpada, estrago momentos felizes com brincadeiras impensadas. Sentenciada, permito que minha loucura incansável fure as madrugadas e tape o buraco de resolver mas não voltar ao normal a cada atrito causado.
Já quis ser mais leve, quem disse que deu? Tentei meditar antes do surto, treinei minha fala para que trancafiada no peito permanecesse, e por entre os dentres não penetrasse. A gente fala e atinge o outro feito flecha lançada: igual ao que era, não volta. Permanece talvez um pouquinho de sangue, um outro tanto de sentimento perfurado, o rasgo entre não imaginar o pensamento do outro, e então, agora saber as verdades que o subconsciente do outro inventa da gente.
Pensa um pouco antes de dar essas cabeçadas por aí, senhorita insensata. Quem disse que o mundo deveria ser como você, chefe que acha que manda, instituiu? Quem dera entragássemos roteiros aos outros e que eles seguissem aquilo que nossa criatividade sublima. Queríamos nós que todos sentissem a intensidade do nosso âmago, a existencialidade do nosso peito; acelerado, rítmico: aperta, aperta, aperta, alivia e espera qualquer outra contração em forma de susto preciptado, percepção antravessada, feeling antecipado para que nenhuma dúvida deixe de sanar ou nos enlouqueca uma vez ou outra. Bem quis ir pelo caminho mais fácil, só que quem construiu as pontes elevadas, os abismos perigosos, deixou as pedras no meio da rota de fuga do clichê para o singular.
Andar direitinho na corda bamba era necessário, mas tão apático e monótono que por osmose, me consumia. Deixei de impedir que cada ato que tenho se torne mecânico, porque do que sou composta de inexplicações ilógicas, no lugar de onde atitudes pré-meditadas deveriam surgir. Eu falo mesmo, guardar pra mim apenas aumentaria a quota de bobagens que o diabo arquiteta pra momentos onde a mente deveria esvaziar. Eu ajo mesmo, já que nada é com intenção ruim e o que mira na bondade, em tripo vem até nós mais tarde. É simples, basta que entendam que leva tempo até que com perfeição consiga traduzir pro resto do mundo essas regras que auto me imponho, as condições que me fazem ou infantil ou pura ou genuína ou maldosa. Ser-viva.

Andressa responde: Mas é ciúme


Oi Andressa,
Depois de muito pensar, resolvi escrever para ti. Não apenas como um "pedido de ajuda", mas como um desabafo mesmo. Como você já sabe, sou sua fã de carteirinha, e apesar de não comentar às vezes no blog, leio os post sempre que posso...E quando não posso, dou um jeito de ler, nem que seja no dia seguinte!


Olá, queridíssima. Fico contente que leias o Kawacauimn com frequência, porém, é como digo: ganha meu amor eterno quem aqui põe a cara e comenta. Sempre me deixa mais motivada e contente, cada opinião ou apenas "gostei do texto, continue". Me incentiva! Então, vamos lá.

O fato é que, por incrível que pareça, a maioria dos seus posts condiziam quase sempre com o meu "estado de espírito" na hora que lia. (Calma, já digo onde quero chegar com tudo isso). Agora comecei a namorar, pela primeira vez. E ele, pela quarta!

Acho lindo o 1º namoro.Por mim, caso os namorados queiram ser o único, seria uma dádiva - já disse isso, mas claro, é cedo pra muita coisa e isso é apenas um desejo de que, mesmo nesses tempos tão promíscuos, modernos e onde todos somos de todos e ninguém realmente se pertence, seria bonito construir uma história onde desde novos ficássemos juntos. Contudo, prossigamos.

Nós nos damos super bem e realmente nos amamos, e apesar de morarmos em cidades diferentes - ainda que perto - o amor é o mesmo! (e por enquanto tem sido bom pra mim, pois ando muito ocupada ultimamente e não conseguiria dar a devida atenção pro meu namorado caso ele ficasse na minha cola 24h por dia)...

Entendo. Ando super atarefada, trabalhando o dia inteirinho, faculdade de noite, enfim: é bom que cada um, paralelamente, construa uma vida independente do outro. Senão, acabamos dependentes e vício nenhum faz bem nessa vida, não é mesmo? Até aqui, tudo ok.

Mas tem algo em mim que, não sei se tem feito bem, ou mal: não consigo ser orgulhosa! Pois é, a maioria das minhas amigas falam que eu deveria não ligar, não dar a mínima e me fazer de forte quando ele entra em crises existenciais ou tem seus ciúminhos bobos...Mas não consigo, simplesmente pelo fato de pensar em perdê-lo. Já me disseram que eu me humilho demais, por não conseguir "dizer não", mas me pergunto: é errado a gente lutar pelo que acredita? Por quem amamos? Ou é melhor subir no salto e pisar em cima? (Mesmo que seja o "correto" a se fazer)

Pois então, guria. Sabe, todos somos diferentes uns dos outros. Se vocês se dão bem, se vocês se amam, e esse é seu jeito - de se entregar, de se deixar consumir, e tentar fazer com que as coisas fiquem bem indo atrás do seu namorado quando ele surta - e se o jeito dele, é fazer um drama por quase nada de vez em quando, e vocês tem se dado bem dessa maneira: qual o problema? Quem está no relacionamento é VOCÊ, e não suas amigas. Claro que, pessoas que escolhemos para confidenciar nossas neuras, nossos segredos e afins, vêem de outro ângulo situações que muitas vezes nos cegam. Porém, acho que em primeiro lugar, sua intuição deve ser levada em conta como melhor companheira ao agir nessas horas. É certo que se humilhar demais também não é legal, que amor é fica mesmo é quando os dois, mais do que um satisfazer e obedecer o outro, andam ao lado e conversam, se entendem, ao invés de se submeter ao parceiro. Amor próprio em equilíbrio ao amor por quem nos ama é uma das fórmulas que quase sempre dá certo, em tudo quanto é caso.

Fico sem saber o que fazer em relação ao ciúme, pois há casos em que sinto ciúmes dele e ele fica brabo com isso. Ultimamente, nem tenho mais "demonstrado".

Mas como assim, gente? Brabo por conta disso? Olha, ele pode é se sentir incomodado, e tudo o mais, agora, ficar brabo acho um pouco demais. Fale para ele que isso incomoda, porque se você sente o tal ciúme, melhor que diga a ele, do que guarde para si. Pense racionalmente também, com frieza mesmo, para ver se não é coisa da sua cabeça, antes de qualquer piti. Ajuda. Porém, ficar brabo é demais. Diga para ele relevar, que é só um comentário seu, e não a terceira Guerra Mundial se firmando.

Quando sou eu quem fala algo (que nem é pra provocar discussão, nem mesmo ciúme), ele acha "chifre em cabeça de cavalo" e fica todo Enciumado. Se digo "pare com isso, não tem nada a ver", ele manda algo do tipo "ah, desculpa por ficar chateado sabendo que tem alguém dando em cima da minha namorada. Poxa, não sei o que  fazer. Já deixei de contar várias coisas pra ele afim de evitar essas discussões. Sei lá, eu o amo muito, mas desse jeito, uma hora vai cansar.
Desde já agradeço a atenção e a ajuda, independente se virar um post no blog ou não!
Admiro muito você!
Um grande beijo de sua 'amiga' e fã :}


É, complicado mesmo. Se você tem ciúme, ele fica brabo. Se você conta algo (imagino que seja algum cara que vem dar em cima, coisas desse tipo), ele também enfurece. Isso não deixa que você se sinta à vontade para ter conversar abertas e nem construir confiança nenhuma com ele. E não é culpa sua, que tem tentado. Acredito muito em diálogos onde, as duas pessoas do relacionamento se escutam e, de forma aberta, contam o que ocorre. Quando um dos dois deixa de fazer isso, mais tarde dará problema. Evita muitos mal entendidos futuros, essa é a verdade. Continue contando o que deve ser contado a um namorado (pessoa em que, em primeiríssimo lugar, devemos confiar para firmar um namoro), e pergunte se ele tem contado tudo a você também. Se ele disser que sim, acredite nele. Não devem haver motivos para que ele minta, quanto à isso. Tentem evitar as brigas, pois se seguidas, acabam desgastando o grande amor que sentem um pelo outro. Espero ter ajudado! Um beijo, e grata aos tantos elogios,
Andressa Gonçalves

Quer enviar seu dilema, desabafo ou dúvida também? Escreve bonitinho e send it pro dessagoncalves_@hotmail.com que é só esperar!

domingo, 16 de outubro de 2011

Enquanto ele dorme


Nossa diferença, em tese, é básica. De fácil resolução. Na prática, porém, é que se torna complicada. Enquanto o mais tardar da noite se aproxima, sinto o sono se esvair às vezes num rompante, noutras, lentamente é que me escapa: mas me sai. Foge. Totalmente ao contrário do mecanismo que em você é acionado: o cansaço dos dias que voam arrastado nas costas, as pálpebras fechando pesadas, e então abrindo para fechar novamente por mais tempo, até que o silêncio se instaure, e o sono, com rapidez, o atinja. De repente, você morre dormindo e me vejo falando frases inconclusivas e tendo como resposta palavras monossilábicas, arrastadas. Já houve surto, já nos incompreendemos, mas talvez tenhamos conseguido encontrar então, soluções viáveis para que esses momentos de solidão do outro e companhia própria sejam desfrutados, ao invés de bagunçar a certeza da grandiosidade que sentimos um pelo outro - o que tem feito parte também da lição de se partilhar com o outro, porque é essa a matéria prima que alicerça as bases mais sólidas no amor.
Ontem, depois de dormir cedo e acordar no meio da manhã, conhecendo a superficialidade de meu sono como bem tenho ciência, sabia que dormir de tarde seria complicado. Ele, que como eu, trabalha tanto, aproveita feriados e finais de semana para descansar o corpo, renovar as ideias, e desapertar o nó complicado que a rotina dos cinco dias de batalhas dão na gente. Certo ele, aliás. Minha bateria - ao contrário da que faz viver meu telefone celular, já debilitado - quase sempre não se esgota o suficiente, quando mais deveria. Falha de fabricação, pane no sistema, tilt: bem verdade que superativo quando deveria sossegar. Escolher os momentos errados parece acaso, mas é pura sina. E tenho vontade de fazer bolos, sair pra rua, assistir ao futebol na televisão, conversar por horas, ver a cidade lá do andar de cima: qualquer coisa que tenha a chance de acertar direto e reto nessa possibilidade de me fazer cair no sono também. Só que é difícil. Dois ritmos tão dispares, se adequarem assim, só tendo muito gostar como municação.
Gosto de o assistir enquanto dorme. Leio um pouco, me concentro nas linhas de Beauvoir, ou Miller, e acompanho o trocar de posições que o calor, ou os sonhos, ou algum resquício de agitação que fagulha por entrar em contato com meu radar ligado, ao lado. Se fala algo, perdido na intrepidez da própria letargia, tento captar apenas para contar mais tarde, quando desperto e rir um pouco pois já muito escutei as próprias frases loucas que balbucio enquanto adormeço. Me freio para não incomodar, deixar o toque para deixar, a vontade de não estragar a inocência do momento sereno onde desacelero meu ritmo - habitualmente - tenaz de encarar o passar dos minutos. A felicidade se completa ao ver você despertar novo em folha (ou cama) e me abrançando apertado, mesmo sem nem ter aberto ainda os olhos pro resto de dia que nos aguarda. Decidi que preciso dessa paz dos dias que podemos ficar juntos, e ao mesmo tempo descansar, então, que seja no travesseiro ao lado do seu - e fico feliz que, a única pessoa no mundo capaz de me aquietar, mesmo que seja por um pouco de tempo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aprendiz

A saúde anda ótima, já que tudo, além estar sendo correspondido, consegue de vez em quando enviar também correspondência com a racionalidade, esse freio que apenas o cérebro consegue manejar quando o peito insiste na aceleração. Sem medidas, apenas com a gritante e submersa sensação dos dias que correm, das semanas que se atropelam, dos meses que se acumulam enquanto eu, humana, errante e talvez por este mesmo motivo, adorável, observo a fermentação e o crescimento disso que sinto na dimensão de quem nunca viveu nadinha disso antes.
Com paciência e discernimento que você tem, deve ser complicado assistir aos erros de quem antes se negava a dividir a vida com qualquer um. Nenhuma pessoa que fosse. Amigas, mãe e só. Eis que surgiu, então, quem além de me fazer sorrir em boa parte do tempo, saber conversar sobre uma vasta gama de assuntos, se vista decentemente e corte o próprio cabelo, e num passe de mágica ou numa manha adquirida, fez ruir o muro que ergui para todos os seres comuns que teimavam em me aparecer. E eu, sempre tão incontrolável, me vi domada pela calma que alguém mais interessante que um mundo inteiro se dedicava a me mostrar, para que quisesse ser assim também. Para quem nunca havia confessado a ninguém além de membros da família, foi fácil esplanar a certeza de sentir algo mais forte que gostar, e que corre além de apenas ter respeito. Amor.
Tenho aprendido tanto a vedar meus impulsos, a desclassificar minha onipotência, que deixa de ser um aprendizado doloroso como naquelas vezes em que somos menores, caímos e choramos. Ou então, insistimos no erro, afim de qualquer dia, por mera sorte, acertar também. Dói um pouquinho dar essas cabeçadas no lugar do que deveriam ser apenas delicados gestos e doces palavras, para depois escutar ainda alguns defeitos notados no meio do caos. Porém, vejo que tudo isso seja necessário, talvez. Passar por essas fases de ajuste um ao outro, ao se conhecer cada vez mais a fundo, é efeito colateral para um futuro onde já sei saiba como proceder quando a loucura iminente tomar conta. Na minha inconstância de viver, deixar que a letargia de um relacionamento bom, aconchegante e valoroso me atinja tem sido fácil, aliás. Primeiro em tantas - e importantes - coisas, fatos, gestos e dizeres, desejo eu, tão diferentes que somos e evidente que, para estar juntos, muito nos gostamos, fosse você o único.
Difícil encontrar por aí quem se preste a encontrar todas as tantas pintinhas pelo meu corpo - e que goste em especial da que fica acima dessa minha boca que se cala apenas quando muito cansada ou realmente abatida. Esse alguém que ri do meu espirro trancado e agudo, mas que beija às vezes mais o risco que separa meu nariz e até mesmo desconheço porque existe - tamanho o sentimento. Ou, mesmo com sono e cansado, aceita meu desvario hiperativo. Tão bom aprender com quem, sabe dessas maturidades da vida, mas ao invés de lecionar passo a passo, acaba ensinando só de agir assim terno. Porque se eu escolho ser boa, é por saber depois de cada dia cansativo, tenho para quem deixar que, por telepatia, minha mente corra e a parte boa dos meus melhores pensamentos corra atrás. Mesmo que não ao vivo, juntos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Prezados tarados


Ocupados demais em êxtase, choque, ou admiração, você deixam de notar o quão ridículo é a posição nojenta, escrota e pedante em agir como quem nunca viu mulher na vida. Detestamos os sussurros largados numa passada que quase nos atravessa no meio da rua, ojerizamos as palavras de baixíssimo calão que escolhem para usar como "elogio", os assobios agoniantes que por vezes assustam, e em outras nos geram no âmago um desprezo abissal pela existência de homens desse tipo vulgar que existem no mundo.
Da nossa possível beleza, bem sabemos: espelhos e superfícies refletoras nos mostram se a pele está boa, o cabelo de bem com o dia e a roupa nos caiu bem. Há dias em que a autoestima baixa mais que ação da bolsa de valores, óbvio. Porém, o olhar medíocre de quem vê apenas corpo em quem também tem alma, inteligência e valores, por mais feia que se sinta, não melhora a autoimagem própria que fazemos umas das outras. Nos sentimos ainda mais gordas, se inchadas e na TPM. Feias, se com aquele sapato que acabou combinando com a bolsa por mero descuido na hora de sair. Damas fáceis pra uma sociedade machista onde nem revidar ou repreender com os olhos podemos, tamanha a violência e agressividade que a cultura implantou nas mentes masculinas. Ou seja: não sentimos prazer algum, se por acaso temos que passar na frente de uma obra e todos os serventes, pedreiros e até mesmo engenheiros, param para olhar.
É instinto do homem, dizem alguns. Não há como evitar, e mulher bonita está aí para ser mostrada. Até compreendo. Gostamos de nos sentir sensuais, por mais que admitir seja difícil. Contudo, para os seletos em nossa lista: não é qualquer um que está valendo a pena atualmente. Encontramos então, e o resto dos caras do Universo passa a ser nojento por si só (salvo familiares e amigos, que claro, não tentam sensualizar conosco quando sozinhas, indefesas, em ruas vazias e afins). Se é um impulso de macho, que seja discreto. Olhar, assim como não tira pedaço, ofende menos. Parem e notem que, o sutil nos atiça o sentido de caça e conquista, nos deixa a par do desafio de querer também. E que antes de sexo, vem amor, vem romance, vem paixão e toda e qualquer atenção ao que se pode sentir, à firmeza de terreno, à observação.
De cada uma dessas situações, saímos quase sempre nos sentindo fáceis, sujas, férteis mas nunca deusas ou maravilhosas como talvez pensem vocês, tarados. Pois então, prezados tarados, se resguardem. Não nos atinjam, segurem para si suas olhadelas safadas, seus ímpetos sexuais, suas frases repelentes. De nada servem, e ao invés de aplaudir, quase sempre ofendem. Vale lembrar: hoje é a moça com corpão que passou por você, e lógico, nem olhou e se sentiu apenas um pedaço de carne. Amanhã, pode ser sua filha. Ontem, pode ter sido sua mãe. Respeito, nesses casos, se não vem de berço, acaba chegando pela percepção do apreço de que pode ou poderia se passar por quem prezamos. Para desafogar a tensão do dia, que procurem imagens, vídeos ou profissionais do ramo; nós, mulheres de carne e ossos, precisamos é de flores, chocolates e cafuné na cabeça, isso sim. O tiro sai pela culatra de quem mira apenas o culote.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Keep calm and carry on.


Ela me disse: com amor tudo se entende, seja paciente. É, talvez seja isso mesmo. Eu é que não o sou. Quem sabe essa minha falta de persistência ao planejado e vontade em ser diferente do cronograma já traçado, e o meu pavio - tão curto, tão altamente tóxico - sejam o que me faça sempre me apaixonar, amar como de fato o amor merece ser vivenciado e construído: em estado de paz.Fico imaginando e pensando se não foi o momento certo me envolver com tantos conflitos ainda a se desencadiar,  mas não há momento certo e sim muito sentimento.
Eu, que ou explodo, ou esfrio. Que mordo, para depois assoprar. Caio de amores, ou fujo às pressas. Porque o tempo é curto, é agora e amanhã, e a cada dia perdido sinto como se fosse menos um na memória, e mais um na pilha desses tantos, desinteressantes. O preço que a pressa me custou: deixar tudo pela metade, e aprender no cuidado das feridas próprias a exercer o pensamento amplificado. Aquela muito dita, e nunca antes por aqui erguida: a calma.
A inabilidade para mensurar bases sólidas para que os queridos que tanto desejei se abrigassem, seguros. Sãos, salvos. Correndo tão louca pra cá, pra lá, pra onde nem sei, pra algum abismo, afim de entender tudo que se passa no peito. Sem encontrar respostas nunca, aumentar o passo. Ritmar os fatos. Cadenciar acontecimentos. E nunca realmente conseguir a paz que desejo, que pode ser de espírito ou do corpo, e que nem ao menos conheço, porque nunca obtive. Se hoje te amo, é natural. Meus processos são tão intensos, que duram muito mais do que apenas frações de segundos que pedem para ficar, e se escorrem nos cálculos inexatos do meu peito acelerado. No susto dessa minha verdade, sempre tão dita e ao mesmo tempo escondida que chega a passar por confusa. Se não sair como o esperado, não há plano B ou segunda intenção por trás de nada. Há um impulso por trás deste que já foi e aguardo o retorno: o feedback veloz é essencial e alimenta aqueles que vivem e deixam morrer, um dia após o outro; se consomem na própria intrepidez.
A urgência, uma companheira de vida, de células e DNA, de tropeços e falhas, de êxitos e condecorações, tem agora se ausentado de seu trono. Por vezes vazio, quem tem me dado um bocado de atenção é sua substituta contrária, a qual sempre desprezei: calmaria. Que no nome carrega nome de santa, e tem sido até mesmo um remédio. Sobrenome: pasmaceira. Com movimentos tão lentos, acalma o que passou, sossega o que virá. 
Faz acalmar as tão agitadas expectativas, os pensamentos já exaustivamente rodados e frenéticos, para que então pincelem-se aquarelas de tons pastéis, de vivência registrada, concentrada e também (por que não?) marcante. Redecoro antigos padrões, velejo a navegação íngreme por oceanos até então anônimos. Respiro perfumes antes desprezados, na correria vivaz a que me submetia. Observo, calo e consinto: vejo velhos conceitos se confirmarem, e alguns intuitos se irem por água. A renovação da pequena mudança de compasso tem que ser melhor que o recomendado - antes por mim, nunca seguido.
A grande corrida a que vivia, pelas brandas manobras de tai chi: contornadas com tanto cuidado, que a margem de erro é praticamente inexistente. Uma troca e tanto. A visão atual de detalhes e ideias prolongadas, refeitas e atualizadas, antes encobertas pela névoa mal vista que era o reflexo de estar sempre tão alucinada em busca do que quer que fosse - descobertas.
Pinto hoje o que desejo para amanhã. Trabalho no que penso, antes de sair realizando com projetos capengas, e planos mal ajambrados. Dou à duração dos fatos o genérico tempo: para que amadureçam, para que me surpreendam, para que com consciência e alguma faísca impetuosa as realizações sejam uma realidade, e do livro dos sonhos se retirem. A boa dosagem de um tanto do que traz serenidade, com a outra parte que de mim nunca sairá, que ateia chama e manivela ações: o impulso.
O que nos recusamos a aprender por bem, a vida nos faz conhecer na marra. Ter calma tem sido a recuperação mais vagarosa e sábia que me sentenciaram todos os furtivos erros que cometi na vontade louca de acertar. Levo o kit de fósforos, fogo e rapidez no fundo falso da bolsa diária: nunca se sabe quando se reencontrar com a essência que já muito flamejou e hoje é usada em ocasiões especiais se torna também uma alternativa de caminho, um desvio interessante.