Já que existe o belo e esclarecedor texto da inglesa Rosemary Urquico, "Namore uma garota que lê" (Date a girl who reads, no original), acho importante que, além de leitora assídua, homens se preocupem em estar ao lado de meninas bem-humoradas. Rapazes: namorem moças que os arranquem sorrisos, ao invés de lágrimas ou resmungos aos amigos. Talvez numa primeira impressão ela não chame tanta atenção por poder não possuir o bumbum mais torneado, o cabelo mais sedoso e brilhante, ou a roupa mais estilosa. Porém, de maneira autêntica e quase sempre esperta, preste atenção numa segunda ou terceira vez. Garotas que incorporam a graça nem sempre possuem vocação para Miss Simpatia - aliás, talvez seja até mesmo o contrário. A verdade é que por entre sua timidez aparente, ou acidez em comentários sucintos, pode existir se conhecida mais a fundo, a moça que o faça gargalhar por horas que tanto sonhou. Mulheres com PhD em fazer dentes, goela e risadas virem à tona estão quase em extinção, e as imitações andam à solta por aí.
Ela não se preocupa muito com frases de efeito, ou bordões de programas ruins de humor que passam na televisão. Criar seu próprio estilo de fazer rir das mais descabíveis situações é que é a sua marca registrada no caminho para o riso. Algumas frases bem pensadas, sacadas inteligentes na hora exata, ou as mil e uma expressões que a tornam quase um emoticon: são essas algumas características da garota engraçada. Especialistas na arte de gargalhar podem ficar tristes de vez em quando. E assim que passa, sabem que o melhor remédio para espantar qualquer resquício de tristeza, é começar a rir novamente - e logo. Usa da sua criticidade quanto ao mundo ao redor para, de uma maneira ao menos divertida, poder expressar sua opinião. Que aliás, são inúmeras. Difícil que a quem falte personalidade, sobre doses de uma atitude ativa que falta no tempo restante. Quando ficam bravas, se tornam furiosas. Perdem o colorido cômico que tanto as faz distintas. Caladas, até que se chegue o momento do confronto. Verborrágicas assim que aberta a ferida. E risíveis assim que você tentar com que ela deixe o lado emburrado pra depois, e o faça feliz como na maior parte do tempo juntos. É fácil, eu prometo.
Namore uma garota que faz boas piadas, no lugar de uma boa comida - você acabará vendo que, ao longo dos anos, é melhor ser servido de alegria e boa energia, do que uma moça de cara fechada e jeito blasé colocando os pratos na mesa. Que se vista da maneira própria e, às vezes, com roupas demasiadamente coloridas, ou excêntricas, mas que ria de um furo na blusa justo na hora de sair (esperar horas a donzela se arrumar é cansativo, e todas sabem disso). Namore uma garota que faça comentários aleatórios, zombe de ri mesma, e faça com que você ria de si mesmo também. Brinque de luta, saiba entonar várias vozes diferentes, ou não tenha medo da própria ridiculice, afinal estamos nesse mundo para viver cada segundo, e para sermos audaciosos, precisamos ser um pouco profundos - e esquecer quem nos assistem, tomar conta tanto das rédeas, quanto do próprio show (de stand up, ou não).
Se está em dúvida, a prova é simples: vá ao cinema assistir a um filme ruim, apenas para ver como a moça reage. Se dorme, é fã de letargia. Se facilmente cede ao tédio, será difícil aguentar a monotonia por muito tempo. Se reclama demais, o próximo passo será protestar quanto ao seu cabelo, seu carro ou suas roupas. Agora, se vê detalhes perdidos em meio a cada minuto do filme que, se reais fossem, seriam engraçadíssimos - e os nota, e os conta, e ri de tudo isso ao invés de ser negativa dentro do relacionamento: bingo. A chance é quase única, e aproveitar é acatar à sorte que quer ser pândega com a gente um pouquinho também. Afinal, se quando rimos por último, rimos melhor, quando rimos juntos devemos rir em dobro. Felicidade múltipla.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Bem de algumas brigas ocasionais
Sendo muito sincera: desconfio de casal que não briga. Em que ela é conivente com tudo, e ele acaba aceitando os piores desaforos possíveis. Sim, temos que ter uma paciência praticamente santa quando em um relacionamento. É preciso que se converse no lugar de gritar, e que se argumente, ao invés de apenas fazer cara feia e usar da rispidez para atingir o outro. Porém, quando escuto de um par qualquer à minha frente que diz se amar e nunca discordou, ficou de mal por alguns minutos e teve o gostinho das pazes logo então.
Claro que também não sou a favor de que dois pombinhos que sentem amor um pelo outro vivam em guerra, aproveitando juntos os poucos momentos de paz. Brigar dá aquela dor de cabeça latejante depois do choro escandaloso, muitas vezes deixa ferir nosso ego as palavras venenosas do outro, proferidas em momento de raiva súbita, e desgasta, a longo prazo, todo e qualquer relacionamento. É cansativo. Deve-se evitar quando a mulher está de TPM, e o time do cara perdeu. São os tais momentos em que a gente faz uma forcinha, e pensa nos momentos bons já passados juntos, e releva porque no final das costas tem valido muito a pena. Algumas discussões, de tão relevadoras, acabam até mesmo vindo para o bem. Nos fazem adaptar a própria personalidade à do outro, aos poucos, e conhecer nos instantes de fúria, quem é mesmo o rapaz carinhoso que se transforma quando cutucado sem querer - ou a mocinha dengosa que, de repente, se torna fera ferida.
No geral, contudo, conflitos a dois são normais. Falamos que nunca mais ocorrerão, prometemos que daqui em diante controlar os impulsos destrutores é mais importante que a dieta em prol do verão, e rumamos para a reconquista logo depois da reconciliação. E quem não briga, como funciona? Vai guardando para si tudo aquilo que detesta e não diz, acumulando um desgosto por fazer mais a vontade de quem ama que a própria, e denegrindo, aos poucos, a imagem imaculada que tenta salvar lá do início da relação, quando tudo se resumia em dias core-de-rosa, descobertas encantadoras e aquela sensação de novo que o cheiro, o toque e a singularidade de cada um nos dá. Não lutam por suas opiniões, deixam de discutir seus ideiais e aceitam tudo como quem não merece nada além. Até que um belo dia o motivo é grande, o bateboca é intenso e, numa explosão repentina: fim. Acabou-se o amor que aos poucos já andava se extinguindo e nenhum dos dois olhou atentamente.
Defendo então, de maneira inédita, o meio termo. Que se brigue de vez em quando, faça as pazes quase sempre, e desbrave o território do par com parcimônia, mas tendo em mente que o que importa é que se chegue ao comum acordo de vez felicidade tanto no próprio rosto, quanto no de quem a gente mais prefere no mundo. Que o mundo pareça o pior lugar para se estar, quando ocasionalmente os conflitos ebulirem o sistema nervoso, que a gente sinta a sensação de perda momentânea apenas para sermos homéricos e salvadores assim que deixemos enterrada no passado próximo o caos de momentos antes. Que a gente tenha ciência que o gosto amargo de agir com consciência própria e voracidade - de vez em quando - se torna sutil e suave, a longo prazo. Porque quem ama, é afeto inteiro. E quer a parte completa do outro também. Ainda que isso carregue consigo um tanto de atitudes que desaprovamos, ideias distintas ou manias insustentáveis. A amar ainda mais (apesar de, ainda que, mesmo assim), vai por mim: a gente aprende.
Claro que também não sou a favor de que dois pombinhos que sentem amor um pelo outro vivam em guerra, aproveitando juntos os poucos momentos de paz. Brigar dá aquela dor de cabeça latejante depois do choro escandaloso, muitas vezes deixa ferir nosso ego as palavras venenosas do outro, proferidas em momento de raiva súbita, e desgasta, a longo prazo, todo e qualquer relacionamento. É cansativo. Deve-se evitar quando a mulher está de TPM, e o time do cara perdeu. São os tais momentos em que a gente faz uma forcinha, e pensa nos momentos bons já passados juntos, e releva porque no final das costas tem valido muito a pena. Algumas discussões, de tão relevadoras, acabam até mesmo vindo para o bem. Nos fazem adaptar a própria personalidade à do outro, aos poucos, e conhecer nos instantes de fúria, quem é mesmo o rapaz carinhoso que se transforma quando cutucado sem querer - ou a mocinha dengosa que, de repente, se torna fera ferida.
No geral, contudo, conflitos a dois são normais. Falamos que nunca mais ocorrerão, prometemos que daqui em diante controlar os impulsos destrutores é mais importante que a dieta em prol do verão, e rumamos para a reconquista logo depois da reconciliação. E quem não briga, como funciona? Vai guardando para si tudo aquilo que detesta e não diz, acumulando um desgosto por fazer mais a vontade de quem ama que a própria, e denegrindo, aos poucos, a imagem imaculada que tenta salvar lá do início da relação, quando tudo se resumia em dias core-de-rosa, descobertas encantadoras e aquela sensação de novo que o cheiro, o toque e a singularidade de cada um nos dá. Não lutam por suas opiniões, deixam de discutir seus ideiais e aceitam tudo como quem não merece nada além. Até que um belo dia o motivo é grande, o bateboca é intenso e, numa explosão repentina: fim. Acabou-se o amor que aos poucos já andava se extinguindo e nenhum dos dois olhou atentamente.
Defendo então, de maneira inédita, o meio termo. Que se brigue de vez em quando, faça as pazes quase sempre, e desbrave o território do par com parcimônia, mas tendo em mente que o que importa é que se chegue ao comum acordo de vez felicidade tanto no próprio rosto, quanto no de quem a gente mais prefere no mundo. Que o mundo pareça o pior lugar para se estar, quando ocasionalmente os conflitos ebulirem o sistema nervoso, que a gente sinta a sensação de perda momentânea apenas para sermos homéricos e salvadores assim que deixemos enterrada no passado próximo o caos de momentos antes. Que a gente tenha ciência que o gosto amargo de agir com consciência própria e voracidade - de vez em quando - se torna sutil e suave, a longo prazo. Porque quem ama, é afeto inteiro. E quer a parte completa do outro também. Ainda que isso carregue consigo um tanto de atitudes que desaprovamos, ideias distintas ou manias insustentáveis. A amar ainda mais (apesar de, ainda que, mesmo assim), vai por mim: a gente aprende.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Sumiço
Inesperadamente, ele sumiu. Atende o telefone apenas quando bem entende, responde quase nunca, e tomar a iniciativa em ligar de volta ou a procurar, não faz. E tudo estava bem, você pensa. Era o relacionamento dos sonhos: havia liberdade pro que se quiser e vier, o sexo era ótimo, e até onde você tinha noção, a convivência entre vocês, também. O beijo encaixava, o gosto musical na maioria das vezes, e eram fãs dos mesmos filmes. Você ria tanto quando juntos, que o fazia sorrir na maior parte do tempo também. Agora é a sua solidão atentando o celular a cada cinco minutos atrás de mensagens, o seu desespero checando de hora em hora as redes sociais e a melancolia de incompreender em que parte tudo pifou que nem momentos bons ou sentimentalidades conseguiram salvar o que vocês tinham.
Ele diz estar ocupado, mas passa horas atrás de um carro novo. Coloca a culpa nos familiares, que não colaboram. Nos amigos, que o chamam para mil e uma aventuras. Na faculdade, que anda chatíssima e com inúmeros trabalhos e provas. Ou mesmo, em você - caso tenham brigado, usou uma discussão que se resolveria facilmente entre quem quer ficar junto, e não se afastar cada vez mais, como estopim para zarpar fora. Daí que o rapaz pede um tempo, e você, paciente e amorosa, dá. E diz que irá ligar quando puder; o que reacende aquele tantinho de como era antes internamente. Ficar sem respostas e reações é complicado, eu sei. Porém, frente a um sumiço inesperado de quem deixa de se preocupar se estamos vivas, nos alimentando direitinho e felizes como manda a cartilha, o jeito é se ausentar do mundo, para submergir em si mesma - mesmo que, temporariamente.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Insatisfação crônica
Como manter a paz diante dos múltiplos desafios, das inúmeras inovações que precisamos, de todo e qualquer jeito ter para que estejamos dentro dos padrões que a sociedade tanto nos faz engolir? A pressa nos constrange superando a cada dia aquilo que recentemente conseguimos alcançar. Ou seja: o topo da montanha é interminável, a grama da vizinha, além de ser mais verde, é flo...rida, frutífera e com borboletas e beija-flores sobrevoando o ar ameno. Se tenho a bolsa do momento, me falta nos pés o sapato que é tendência. Assim que adquiro o vestido de caimento perfeito, e cor que favorece, noto a moça que na rua passa de terninho ajustado e calça jeans justíssima, salto alto nas alturas. Pensamento captado, sacolas ainda novinhas repousadas no colo: por que não eu? Num instante, a tal nova compra deixa de ser tão excitante como há cerca de meia hora atrás, assim que saí da loja.
Pinto o cabelo invejando as unhas cor de carmim da senhora chique de meia idade que deixa o salão de beleza. Se estou morena, quero a loirice. Quando loira, um lampejo de ser ruiva – de repente fica bom. Saio quente e grudenta pós depilação e meu desejo agora aponta o alisamento linear e perfeito (praticamente eterno) que a moça morena agora exibe. Adquiro pó e sombra com a vontade num novo delineador e no batom caneta vermelho que promete não sair mesmo horas depois de passado. Logo após da euforia e o cheiro de novo impregnado na sala da casa, o amor pelo novo computador. E a tristeza ao se olhar o telefone celular, e constatar – descontente - os pequenos arranhõezinhos e a velhice precoce do aparelho que uso para ligar, enviar SMS e sobreviver longe de casa. Quando na rua, almejo o friozinho breve do ar condicionado e a pele bem longe do suor; e já em casa, olho pela janela o belo dia lá de fora e o quanto está lindo o sol que agora se põe. Gostamos de ser solteiras, mas queríamos mesmo um namorado. Temos o melhor companheiro ao nosso lado, mas com os segundos impetuosos de liberdade já. Somos estes seres que querem a família por perto enquanto é tempo, mas contamos os dias para quando formos independentes e morar sozinha se faça nossa realidade. Umas confusas.
No resumo, mulheres que somos, precisamos da decadência antes de conseguirmos de fato a elegância. Que logo após, substituímos por o que quer que seja que nos deixe com o gostinho de coisa nova ou o frescor a cada dia. Vulneráveis, constantes apenas na própria inconstância, o importante é que nos conservemos desse jeitinho peculiar que somos: femininas.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Dos horários
São 5h da manhã, e quem me desperta é a insônia, companhia de longa data. Quase confidente. Eu poderia dar um jeito de meter meu braço embaixo do seu e apertar bem forte, dentro de um abraço desajeitado de quem apenas quer dormir de novo logo. Só que, do outro lado da cidade e sozinha, me resta rolar de um lado ao outro da cama, dobrar o travesseiro fininho pela metade o...u, destapar uma das pernas porque o calor se intensifica ao longo dos dias que passam voando. Você longe, e o meu sono inquieto que estremece a cada vinte minutos e impede o descanso necessário das horas reparadoras. Toca o despertador e amanhece a cidade lá fora pontualmente às 6h55. Mais cinco minutinhos, aperto o botão "soneca" - que poderia muito bem se chamar "preguiça". Caso estivéssemos dividindo o mesmo lençol, espiaria o seu dormir infantil e profundo como quem quer decifrar pintura de museu, até que lentamente, voltasse também para o estado de descanso dos finais de semana e me aquietasse em sonhos. Poderia fingir que acordamos, e enrolar um pouco até que cinco minutos mais tarde o seu celular nos lembre que temos mais um dia corrido pela frente. Me contento com uma aparição sua no meio da manhã tumultuada, conectados não por um olhar ou toque, mas pela virtualidade mesmo.
Olho para o relógio do computador, 08h13 e vou trabalhar. Produzo, respondo cordialmente aos infinitos e-mails que recebo ao longo do dia, excluo os milhares de releases que pra nada servem, escrevo um pouco, entrevisto via telefone. Bate uma saudade de como somos juntos, assistindo a televisão e comentando aleatoriamente sobre tudo de estranho e bom que vemos. A sua fome que vive intensa de um sanduíche triplo ou dois simples, ou de um pedaço de bolo, café e tudo que seu estomago consiga ainda digerir. Melhoria dos humores ao longo de um singelo bom dia pela manhã. A realidade nos trai, cinco dias por semana, com a ilusão de outros quase três que costumam salvar o recomeço insuportável de cada segunda-feira pela manhã, ou os finais de domingo. Hora do almoço. Não tem você, nem eu rindo do tanto que você come. Nem eu depois do banho de sol, e você, da academia. Ou a gente no sofá antes ou depois de comer assistindo a um filme qualquer, dominados pela preguiça de sair pra rua e aproveitar o dia. Que fica pra mais tarde, se a lertagia da sexta não invadir primeiro. Por enquanto, apenas o cansaço de trabalhar e trabalhar, quando a vontade é ir deitar.
Já 15h45. Horário bom pra ver as lojas, passear em ruas sem destino, tomar sorvete, ou o tal vicio de açai que ambos possuimos, ou dar uma volta de carro, se instalar num parque, na praia, se tiver sol. Ou ver o futebol pela televisão, caso seja dia de jogo. Como uma barrinha de cereal e tomo uma garrafinha de água mineral para enganar esses pensamentos saudosistas de quem sente falta mas suporta porque cada 24 horas diárias tem me assaltado e corrido sem que consiga nem ao menos sentir. Rumo à universidade às 18h40, lembrando de que você certamente diria que está com fome e quer o café da tarde, ou colocaria uma pipoca no microondas com cara de quem já conhece meu comentário a respeito.
De repente 22h18 e, indo para casa, poderia estar com você. E meus pés entre os seus , a mão fixa na sua perna enquanto conversamos, as conexões distintas de um assunto a outro, e ainda outro. Ou temida hora de ir embora, ou alegre momento de apenas reiniciar a contagem dos momentos que passam rápido, mas ficam fotografados no álbum das memórias-perpétuas-significantes. Já sabendo que aí pelas 23h11 se inicia novamente o ciclo que ou é de roubar coberta, calor perto e frio distante, acordar sorrindo ou é de ler e ler e ler até pegar no sono, solitária após tanto afeto e mal acostumada em ter quem me faça dormir bem feito criança depois de mais um reencontro e rapidamente, deito. Com a melhor pessoa ao lado, ou a possível luta até que o cansaço me vença, faço da imaginação quando ele não está o melhor amigo imaginário possível: além de reavivar momentos ótimos, e fazer com que os ruins menores pareçam, deixa a ausência minúscula se comparada ao tanto de sentir por ele que carrego comigo.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A ex
Mais tempo, menos tarde, e percebe-se que todo homem traz alguma louca no passado de brinde. Falo sério. Aliás, seríssimo: parece ser incontrolável a vontade de tentar destruir qualquer outra vivência que não a inclua. Ou pior, de tentar mostrar a todo e qualquer custo a "felicidade" em que anda vivendo (o que muitas vezes não passa de uma bela farsa onde a moça posta fotos nas redes sociais onde se acha uma diva - sensualizando com aquele toque especial de vulgaridade - bebidas nas mãos, o sorriso que não existe na maior parte das horas dos dias e as mil amigas que agora possui. Tudo isso para uma ilusão própria, ou anestesia no que não cicatriza nunca. Bem na verdade, anda infeliz e psicótica porque quem está ao lado do trono do rei, já não é mais ela própria, rebaixada a mera conhecida, mais uma súdita no reino que se chama "vida de cada um". Sem perceber, a relíquia do museu que se intitula "passado" passa até mesmo por humilhação: natural que ele reclame aos amigos, que fuja dos locais onde a inconsequente frequenta e que, alerte possíveis futuras namoradas de que, há quem talvez venha a incomodar.
Entedemos que deve ser complicado ainda sentir algo por quem não sente - ou talvez, nunca tenha sentido - o mesmo. Acontece todos os dias, nos lugares menos esperados, nos horários mais impróprios possíveis. Porém, para quem é atual na vida dessa outra pessoa, também é difícil. Deixar de imaginar momentos calientes ou de romance de talvez possam ter existido é um desafio diário, afim de evitar surtos momentâneos. Porém, há criaturas que pecam em, não se contentar seguindo a própria vida meses, ou até mesmo anos, após o término. Incomodam, então, para cutucar. Com o pior e mais perverso intuito de: estragar o que não conseguiram ter. Ou quem sabe, manter. Um dos motivos talvez, que ex-namoradas deem tanta dor de cabeça, tanto ao homem, quanto à sua futura paixão é que mulher finge esquecer fácil, porém, para processar que deve liquidar com o que sente por quem não a quer, demora muito mais. A facilidade masculina, nesse sentido, chega a ser espantosa. Tanto que, são tão poucos os homens do nosso passado que enchem a paciência, se comparados aos milhares de meninas inconformadas que tentam o infortúnio da nossa felicidade. No mínimo, algo a ser pensado. Eles, já pensando no futuro; enquanto as queridas, presas em velhas fotografias e momentos que não retornam, estancam. Chega a ser triste.
A ex vai fazer o que puder, quando no início, para que tudo se torne no inferno em que a mesma se encontra enfurnada. Há as que conseguem ir em frente, e depois de certo tempo, até mesmo serem conhecidas agradáveis do cara. Porém, a meta das que não se conformam é, mirar na sua insegurança e acertar o que de tão especial há entre o casal. Até mesmo um tempinho depois, incomodará de vez em quando, indo nas festas em que vocês costumam ir, e seguindo seu namorado pela faculdade. Acho normal. Afinal, já que é um EXemplo do que não deveríamos ser, para que se preocupar? Mesmo que seja lindíssima, uma gênia ou cheia da grana. O que importa é nós. Os dois, o casal, "a gente". E que a escolhida, numa batalha com o pretérito já pra trás do outro, foi vencida por você. Mesmo que momentaneamente, congratulations!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
E assim, se origina mais uma biscate
Lá está ela, com o coração estilhaçado. Em mínimos pedacinhos que, nem que tente pegar a todos eles assim tão destituídos, no chão da sala, no vão entre a cama e a parede, por entre todas as roupas já vestidas, de fato conseguiria. Mal se move, tamanha a vontade de chorar e permanecer imobilizada na própria dor de ser o que se é, e que o outro desatenta as qualidades - tão únicas -, as características - tão peculiares -, aquele bem que só a gente sabe que gostaria de fazer, caso aceita fosse, dentro da vez que mais valia: a que se amou sozinha, e acabou por receber em troca uma dor de cabeça de quem não consegue silenciar o choro, um punhado de desconfianças quanto à si própria e um buraco no meio do peito, por entre a velocidade oscilante do coração atingido.
Ressentida, incompreende. Por que ela, e não eu? Que ela tem que em mim falta? Que diabos qualquer uma outra possui que se recusa de projetar em mim? Questionamentos, vários. Horas acordada dentro da madrugada solitária onde a atenção não consegue desfocar da desilusão de não ser suficiente pro amor de quem a gente escolhe. Por semanas, vive submersa dentro de uma tristeza tão profunda que ameniza até a pior das tepêemes.
Do aborrecimento, aos poucos vê a raiva tomar conta. Dominar o que antes era azul, e agora escureceu ideias e demais fofurinhas femininas que tanto adorava. De repende, fúria com o mundo. Ódio da sociedade, e dessa hipocrisia deslavada. Nojo da falsidade das pessoas, o dia cinza por dentro, mesmo o sol estando radiante lá fora. Gélida, descrê de todo outro relacionamento, afim de vingar a frustração do seu que não deu certo ou acabou por nem mesmo a ocorrer. Se enclausura numa infelicidade que vê apenas como a única saída possível para extinguir o pouco de sentimentos bons que guardou para momentos perfeitos que vieram a não existir.
E sai pra abstrair. Encontra com as amigas que sempre foram da noite, bebe mais para esquecer que pro prazer de ingerir o alcool. Em frente, dois caminhos: ou mantém seus princípios vivos, sua conduta ereta e a cabeça erguida, e por mais que beba e aproveite, não caia na vulgaridade. Ou, apela para o caminho menos indolor e com maior rapidez para que o bem estar momentâneo se aproxime, o de aproveitar sem nem pensar em consequência nenhuma. Ela, que nunca foi depravada, se vê fazendo coisas que antes nunca cogitou. Não é disso que os caras gostam? Então. Afim de ser desejada, vulgariza seu comportamento aos poucos; um olho nas demais biscates da balada, que beijam vários e saem com algum deles - geralmente o que tem o carro mais bacana, ou a carteira cheia da grana - noite à fora.
Pega o cara que uma conhecida é apaixonada, faz sexo em banheiro de festa lotada, beija outras garotas apenas porque é moda, e claro, pra acender a loucura masculina. Abusa da maquiagem carregada, nas roupas curtíssimas e no comportamento medíocre. Deixa-se filmar quando em privacidade, usa da promiscuidade como um escudo para se proteger de possíveis, porém maturadoras, frustrações. A moça procura a atenção que não recebe da família, o desgosto por perder ou nunca ter tido a reciprocidade no amor numa das únicas tentativas possíveis. Podia ter se conservado um tanto ingênua, e racionalmente, sentimental. Um pouco de cada coisa daria na mistura sensata de pessoa viva com afetos e vivências. Talvez, mais cedo que esperasse, alguém que valeria as lágrimas jorradas e o âmago de se sentir sozinha, mesmo com sete bilhões de pessoas habitando um único e extenso planeta. Ao tomar o rumo de ser assunto das mil e uma más línguas, de jogar fora junto com o bom senso um tanto de amor próprio, deita antes de dormir e, sem ter em quem pensar, vê que mesmo com alguns tantos sentindo desejo em tê-la na cama, porém por outros motivos, não há em quem pensar, ou ligar para desejar um simples (porém motivador do sono pacífico) boa noite.
Originada e sem sentimentos, segue a então biscate com seus saltos altíssimos, unhas afiadas e cores extravagantes destruindo corações de rapazes emocionalmente fracos, ou casais bem estruturados em que lança seu olhar ferino e atiça o veneno no pobre rapaz. Ou pobre de nós, que precisamos aguentar tanta menina vadia pelo mundo por pura desestruturação emotiva.
Ressentida, incompreende. Por que ela, e não eu? Que ela tem que em mim falta? Que diabos qualquer uma outra possui que se recusa de projetar em mim? Questionamentos, vários. Horas acordada dentro da madrugada solitária onde a atenção não consegue desfocar da desilusão de não ser suficiente pro amor de quem a gente escolhe. Por semanas, vive submersa dentro de uma tristeza tão profunda que ameniza até a pior das tepêemes.
Do aborrecimento, aos poucos vê a raiva tomar conta. Dominar o que antes era azul, e agora escureceu ideias e demais fofurinhas femininas que tanto adorava. De repende, fúria com o mundo. Ódio da sociedade, e dessa hipocrisia deslavada. Nojo da falsidade das pessoas, o dia cinza por dentro, mesmo o sol estando radiante lá fora. Gélida, descrê de todo outro relacionamento, afim de vingar a frustração do seu que não deu certo ou acabou por nem mesmo a ocorrer. Se enclausura numa infelicidade que vê apenas como a única saída possível para extinguir o pouco de sentimentos bons que guardou para momentos perfeitos que vieram a não existir.
E sai pra abstrair. Encontra com as amigas que sempre foram da noite, bebe mais para esquecer que pro prazer de ingerir o alcool. Em frente, dois caminhos: ou mantém seus princípios vivos, sua conduta ereta e a cabeça erguida, e por mais que beba e aproveite, não caia na vulgaridade. Ou, apela para o caminho menos indolor e com maior rapidez para que o bem estar momentâneo se aproxime, o de aproveitar sem nem pensar em consequência nenhuma. Ela, que nunca foi depravada, se vê fazendo coisas que antes nunca cogitou. Não é disso que os caras gostam? Então. Afim de ser desejada, vulgariza seu comportamento aos poucos; um olho nas demais biscates da balada, que beijam vários e saem com algum deles - geralmente o que tem o carro mais bacana, ou a carteira cheia da grana - noite à fora.
Pega o cara que uma conhecida é apaixonada, faz sexo em banheiro de festa lotada, beija outras garotas apenas porque é moda, e claro, pra acender a loucura masculina. Abusa da maquiagem carregada, nas roupas curtíssimas e no comportamento medíocre. Deixa-se filmar quando em privacidade, usa da promiscuidade como um escudo para se proteger de possíveis, porém maturadoras, frustrações. A moça procura a atenção que não recebe da família, o desgosto por perder ou nunca ter tido a reciprocidade no amor numa das únicas tentativas possíveis. Podia ter se conservado um tanto ingênua, e racionalmente, sentimental. Um pouco de cada coisa daria na mistura sensata de pessoa viva com afetos e vivências. Talvez, mais cedo que esperasse, alguém que valeria as lágrimas jorradas e o âmago de se sentir sozinha, mesmo com sete bilhões de pessoas habitando um único e extenso planeta. Ao tomar o rumo de ser assunto das mil e uma más línguas, de jogar fora junto com o bom senso um tanto de amor próprio, deita antes de dormir e, sem ter em quem pensar, vê que mesmo com alguns tantos sentindo desejo em tê-la na cama, porém por outros motivos, não há em quem pensar, ou ligar para desejar um simples (porém motivador do sono pacífico) boa noite.
Originada e sem sentimentos, segue a então biscate com seus saltos altíssimos, unhas afiadas e cores extravagantes destruindo corações de rapazes emocionalmente fracos, ou casais bem estruturados em que lança seu olhar ferino e atiça o veneno no pobre rapaz. Ou pobre de nós, que precisamos aguentar tanta menina vadia pelo mundo por pura desestruturação emotiva.
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