quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Como esquecer um homem em dez dias
1º dia
Então, você tomou o pé na bunda, ou ele foi morar fora, quem sabe o relacionamento não estava mesmo dando certo: não importa. O relevante agora é a sua solidão que samba no peito mais que qualquer coisa. Se ainda houver resquícios de um amor mal acabado, vai se triste. E difícil. Caso você também não soubesse mais se deseja tanto assim, a companhia não fosse mais lá essas coisas – e nem os momentos de maior intimidade, pense: nem foi tão ruim assim. A tristeza vai aparecer, é claro. O vazio vai apitar, e até que a ficha caia, o estado é de imersão em monotonia. Por isso mesmo é que, quando sozinha ou ao menos longe dele, chore. Bastante. Até que se sinta a tristeza saindo pelos poros, desaguando no queixo e expurgando o agora “ex” aí de dentro. Lacrimeje até dormir feito criança, cansada de sofrer. Se tranque, compartilhe consigo mesma o próprio momento de fragilidade. Faz parte do processo de cicatrização.
2º dia
Você acordará exausta. As músicas de amor não farão mais aquele sentido; darão raiva. Ou nojo. Casais vivenciando o amor pelas ruas deixarão você com náuseas. Esteja preparada, pois esse é o dia do extermínio. Coloque numa caixa tudo que gera forte lembrança do cara. Tá certo, até as suas coisas trarão memórias de alguma frase dita por ele numa tarde de domingo ou numa segunda-feira pela manhã. Porta-retratos, bichinhos de pelúcia, roupas dele que ficaram na sua casa, cartões, tudo para a caixa. A limpa virtual também pode ser uma boa, caso você deseja que uma melhora rápida. Tire fora da sua lista de amigos, dos contatos do celular, dos e-mails enviados. Recalque nada: é tudo temporário. Se um dia houver espaço, circunstância ou vontade de uma amizade, é só reconectar. Deixe o espaço mais vazio do seu passado recente para, logo em seguida, completá-lo única e exclusivamente com você, num futuro também breve. Não ter que encarar algo que a fará estremecer de tristeza a cada dez minutos só ajuda no fechamento da ferida.
3º dia
Trabalhe bastante. Ou estude muito, caso você não possa. Se você está de férias, leia. Compre aquele livro que há tanto tempo quer e tem esquecido. Gaste suas horas numa livraria procurando por literaturas que te deem algum prazer. Culinária, moda, gramática, biografias, histórias de vida. Só fuja dos manuais de relacionamento ou livros dramáticos. Investir em algo leve é também uma boa. Caso escolha por arregaçar as mangas e fugir para o mundo burocrático, seja prestativa e pró-ativa, impedindo que a mente fique vazia e o demoninho tente adentrar – ou lembrar do querido. Se jogue em novos projetos, se esforce para focar em algo que realmente trará benefícios e prosperidade lá na frente.
4º dia
Compre. Ainda desconheço melhor terapia. Ao menos para mulheres. Caso o dinheiro esteja curto, seja final de mês, ou você não esteja dispondo de verba suficiente para se esbaldar com alguma nova roupa, acessório e afins, dê um passeio pelo shopping, ao menos. Experimente roupas, veja vitrines, passeie por gente diferente, observe a vida em movimento passar por você enquanto as horas também pedem passagem. O importante é abrir um espacinho, mesmo que pequeno, para que o consumismo – nem que seja de um doce na praça de alimentação – faça você se sentir momentaneamente no céu. É capitalista, mas também é hipócrita quem contestar que um novo par de sapatos luxuosos ou um vestido que caia perfeitamente bem conseguem elevar a autoestima de qualquer uma.
5º dia
Mexa-se. Atividade física libera endorfina, o que deixa qualquer pessoa mais relaxada e contente. Acho válido desde academia com direito à musculação ou aulas agitadas como pump ou jump, pilates, yoga, futebol, natação, caminhada, corrida, artes marciais, balé. Contanto que a concentração seja exercida e o corpo se movimente. Ter saúde só faz com que a gente ache a vida mais tolerável. Melhor de tudo: ainda dá para ficar sarada, cuidar mais de si, e invejar o povo por aí. Talvez tenha até o cara arrependido mais tarde, notando tudo que tinha e perdeu. Depois é só caprichar no bronzeado.
6º dia
Dia de beauté. Marque um dia para realçar a linda que existe aí dentro. Ou ao menos mude o cabelo, o que sempre nos dá aquela sensação boa de vida alterada, né? Cabelo, unhas, sobrancelha, massagens modeladoras, depilação: um dia pra você sair de lá se sentindo a musa suprema com certeza aumenta as chances de o pensamento deixar de ser “sou baranga, perdi o homem da minha vida” para “ele é só o idiota que deixou uma mulher dessas passar”.
7º dia
Saia com as amigas. Nada melhor que o humor contagiante de quem nos conhece bem, junto com os papos colocados em dia, e a reafirmação dos laços com essa partezinha de família que a gente acaba escolhendo para figurar também como pessoas importantes. Rir, beber uma cerveja, sair para dançar, bater perna no shopping, ou simplesmente nada melhor do que não fazer nada, mas só estar na companhia daquelas queridas que tanto nos fazem bem. Podem vir ótimos conselhos e deve vir muito colo junto no kit, então, é bom aproveitar e se divertir!
8º dia
Viaje. Nem que seja um final de semana. Ou mesmo um dia. Se puder, suma por um mês. Vá conhecer novas cidades, ver novas culturas, aprender um novo idioma, desafiar à si mesma longe dos lugares já demarcados com tantas lembranças. Só tende a fazer bem, além de enriquecer a experiência, lidar com situações novas e ter a ótima oportunidade de, quando voltar, ensaiar um recomeço de vida tendo apenas você como protagonista. Costuma funcionar bem.
9º dia
Faça coisas que gostaria de fazer mas, que com ele, era impossível. Vá ao cinema, mesma que sozinha. Caminhe naquele parque em que ele detestava. Aproveite para comer também as coisas que, estando com o moço, você deixava de lado - ou porque ele não gostava, ou para se manter lindinha. Vá em festa gay, fique em casa feito mendiga, durma até não poder mais. Flerte com outros caras, caso você já esteja bem suficientemente para. Comemore tendo um dia anti-o-nome-do-seu-ex, fazendo tudo que antes você tinha que tirar da cabeça.
10º dia
Aceite. Só então, pare para refletir. Pós, contras, listas do que você amava no relacionamento e daquilo que já estava dando vez à sua impaciência. Mas tente não ficar triste: ciclos são assim mesmo, e quando termina, é porque era para acabar. Dê a chance de alguém por quem você teve um sentimento forte de ser feliz, coisa que, pelo visto, com você não estava acontecendo. Pense nisso só um pouquinho. Olhe para trás e veja os dias ótimos e momentos resgatados que você viveu, o quanto também valhe a pena exercer a própria independência, a grandiosidade de estar em conjunto com a única pessoa por quem o amor será incondicional, sempre e cada vez mais: você.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Andressa responde: do "namorado" que some e reaparece e da querida que aceita
Andressa,
Quando eu era mais nova, conheci um cara que mudou minha vida. Foi o primeiro cara que eu acredito que tenha gostado de verdade. Na época ele era muito mais velho que eu e por isso, nosso "namoro" era barrado sempre pelos meus pais. Mesmo assim, fomos nos encontrando as escondidas. Um cinema, uma tarde no parque, nada de mais. E foi assim durante mais ou menos um ano. Depois disso, ele foi viajar (nós ainda estávamos "juntos"). Até, que ele, simplesmente, sumiu. Sim, sumiu!
Oh, gosh. Ok, ele era mais velho. Seus pais nã aceitaram, tem alguns por aí ainda desse tipo, e tudo o mais. Namoravam às escondidas. Até que, ele foi viajar e, opa: sumiu. COMO ASSIM, gente? Ai, senhor. Nenhum sinal de que ia decolar, nenhuma pista de que ia dar no pé? E assim: desaparece. E u surtava. E quando achasse de novo, matava o dito cujo.
Fomos nos reencontrar cerca de oito meses depois. Ficamos juntos mais uns dois meses. E, adivinha? Sumiu. No dia em que eu finalmente ganharia minha 'liberdade' em relação a isso tudo. No dia que poderíamos ficar juntos sem nenhuma dificuldade.(detalhe: ele ainda não sabia dessa minha "carta de alforria").
Tá, ele reapareceu, e você ali, prontinha pra aceitar ele de volta, assim como as desculpas esfarrapadas ao invés de dar com um gato morto na cabeça do idiota? Raciocina comigo: ele é mais velho que você. Ele (deveria) ser mais maduro que você. E, ao invés de falar na lata, de chegar ao ponto em que deve e ser sincero, simplesmente acha que é Houdini e faz a mágica do desaparecimento. Desculpa mas, a falha começa em você ter aceitado tudo assim, muito bem. Acho ok que tenha passado meses, e que as coisas mudam, o tempo passa: mas ele NAMORAVA você, e sumiu. Que porra é essa, sabe? (Desculpe a agressividade, mas não tem como se conter. Me coloco no lugar meeesmo).
Nesse meio tempo em que ele sumiu, mudei de cidade e refiz minha vida amorosa. Tinha decidido nunca mais voltar para ele. Mas, ele apareceu novamente e disse todas aquelas coisas que a gente sonha em ouvir da tal pessoa "certa".
E porra, pra você, a pessoa "certa" é quem some e reaparece assim, sem explicação ou motivo plausível? Para mim não!
Se bem que, eu não ouvi, eu li - depois da mudança, a gente se comunica por e-mails. Quando voltei para a cidade onde morava, numa visita básica, decidi aceitar o convite dele e saímos para jantar.
(Daí do nada, no meio da janta, ele foi ao banheiro, não voltou mais e a conta deu super cara, e claro: você teve que pagar tudo sozinha). Desculpa a brincadeira, não consegui resistir. É só que, olha. Me explica um dia como é que você conseguiu aceitar tudo isso sem medo ou remorsmo nenhum? Tem que ter é muito amor, hein.
Nós conversamos, mas nada ficou certo. Tanto eu como ele ficamos meio bobos ao nos vermos depois de muito tempo. Sentados ali sem saber o que fazer e nem falar. Os pensamentos eram tantos, os por quês também...E não passou daquilo. Apenas conversamos.
Pequeno avanço. Melhor que você cedendo de novo para o medo de compromisso/ a falta de caráter / sabe-se lá o que que ele tenha o fizesse desaparecer do mapa, deixando a senhorita confusa mais uma vez.
Voltei para a minha cidade, nos falamos algumas vezes, mas seguimos com nossas vidas, um fora da vida do outro. Quando voltei à cidade em que ele está para outra visita, a gente se viu e ficou. Em meio à tantas juras da parte dele, simplesmente deixei de lado e resolvi curtir o momento. Depois que voltei, a história se repetiu. Trocamos alguns e-mails, e só.
Padrões se estabelecem em relacionamentos. Normal que seja sempre como tudo foi. Mas anormal, ao menos para a minha pessoa, é você aceitar tudo isso. Sei que a gente fica cegos quando apaixonados, que não pensamos direito e que há criaturas no mundo que nos fazem literalmente burros. Porém, não é saudável. Se formos fortes, conseguimos fazer com que essa visão ilusionada da pessoa saia da nossa mente, e nos faça ver o quanto aquilo é maléfico.
Agora, meses depois, ele conheceu alguém e está namorando. E eu também. Mas eu não o tiro da cabeça e sei que no pensamento dele eu também estou. Espero que você possa me ajudar e agradeço sua paciência.
Beijos, Bia
GENTE, mas como? E o seu namorado? Você firmou um compromisso com um cara que, parece estar afim de você (quis se relacionar, o que já é um grande passo pros homens de atualmente), convive e vive ao seu lado, e pensa no traste que sumia e fazia bagunça aí dentro. E tem certeza que também está no pensamento dele. Quem disse, minha amiga? Homens, quando começam a namorar, é porque realmente querem. São poucos os caras que assumem publicamente algo e ainda ficam pensando no passado - até porque, a namorada notaria. É mulher, e também tem intuição. Enfim: se você pensa nele com amor, é porque não ama o seu namorado. E se não sente algo digno pelo cara com quem tem um compromisso, caia fora, porque enganar as pessoas não é legal. Você, que tanto foi feita de boba pelo cara em quem ainda pensa, deveria saber, mais que ninguém disso. Se é ser enganada ou viver constantemente na montanha russa de saber se ele vai aparecer, ter certeza de que ele irá aos compromissos marcados, enfim. Espero que, lendo a minha ferina opinião, você consiga colocar a mão na consciência e pense direitinho (e com amor próprio) no que deve fazer. Veja bem se tem tido valorização, pela sua parte, ao que está podendo viver. Ou se, o que mais gostaria mesmo, é de cair nessas armadilhas da vida até aprender. Desejo boa sorte e peço desculpas a qualquer grosseria ou exaltação minha. Só escrevo realmente como se estivesse falando.
Andressa Gonçalves
Quer enviar sua pergunta também? Escreva com o português bonitinho, os detalhes no lugar e a história/pergunta/dilema contada por e-mail e se joga no send it pra dessagoncalves_@hotmail.com. Depois, é só aguardar!
Quando eu era mais nova, conheci um cara que mudou minha vida. Foi o primeiro cara que eu acredito que tenha gostado de verdade. Na época ele era muito mais velho que eu e por isso, nosso "namoro" era barrado sempre pelos meus pais. Mesmo assim, fomos nos encontrando as escondidas. Um cinema, uma tarde no parque, nada de mais. E foi assim durante mais ou menos um ano. Depois disso, ele foi viajar (nós ainda estávamos "juntos"). Até, que ele, simplesmente, sumiu. Sim, sumiu!
Oh, gosh. Ok, ele era mais velho. Seus pais nã aceitaram, tem alguns por aí ainda desse tipo, e tudo o mais. Namoravam às escondidas. Até que, ele foi viajar e, opa: sumiu. COMO ASSIM, gente? Ai, senhor. Nenhum sinal de que ia decolar, nenhuma pista de que ia dar no pé? E assim: desaparece. E u surtava. E quando achasse de novo, matava o dito cujo.
Fomos nos reencontrar cerca de oito meses depois. Ficamos juntos mais uns dois meses. E, adivinha? Sumiu. No dia em que eu finalmente ganharia minha 'liberdade' em relação a isso tudo. No dia que poderíamos ficar juntos sem nenhuma dificuldade.(detalhe: ele ainda não sabia dessa minha "carta de alforria").
Tá, ele reapareceu, e você ali, prontinha pra aceitar ele de volta, assim como as desculpas esfarrapadas ao invés de dar com um gato morto na cabeça do idiota? Raciocina comigo: ele é mais velho que você. Ele (deveria) ser mais maduro que você. E, ao invés de falar na lata, de chegar ao ponto em que deve e ser sincero, simplesmente acha que é Houdini e faz a mágica do desaparecimento. Desculpa mas, a falha começa em você ter aceitado tudo assim, muito bem. Acho ok que tenha passado meses, e que as coisas mudam, o tempo passa: mas ele NAMORAVA você, e sumiu. Que porra é essa, sabe? (Desculpe a agressividade, mas não tem como se conter. Me coloco no lugar meeesmo).
Nesse meio tempo em que ele sumiu, mudei de cidade e refiz minha vida amorosa. Tinha decidido nunca mais voltar para ele. Mas, ele apareceu novamente e disse todas aquelas coisas que a gente sonha em ouvir da tal pessoa "certa".
E porra, pra você, a pessoa "certa" é quem some e reaparece assim, sem explicação ou motivo plausível? Para mim não!
Se bem que, eu não ouvi, eu li - depois da mudança, a gente se comunica por e-mails. Quando voltei para a cidade onde morava, numa visita básica, decidi aceitar o convite dele e saímos para jantar.
(Daí do nada, no meio da janta, ele foi ao banheiro, não voltou mais e a conta deu super cara, e claro: você teve que pagar tudo sozinha). Desculpa a brincadeira, não consegui resistir. É só que, olha. Me explica um dia como é que você conseguiu aceitar tudo isso sem medo ou remorsmo nenhum? Tem que ter é muito amor, hein.
Nós conversamos, mas nada ficou certo. Tanto eu como ele ficamos meio bobos ao nos vermos depois de muito tempo. Sentados ali sem saber o que fazer e nem falar. Os pensamentos eram tantos, os por quês também...E não passou daquilo. Apenas conversamos.
Pequeno avanço. Melhor que você cedendo de novo para o medo de compromisso/ a falta de caráter / sabe-se lá o que que ele tenha o fizesse desaparecer do mapa, deixando a senhorita confusa mais uma vez.
Voltei para a minha cidade, nos falamos algumas vezes, mas seguimos com nossas vidas, um fora da vida do outro. Quando voltei à cidade em que ele está para outra visita, a gente se viu e ficou. Em meio à tantas juras da parte dele, simplesmente deixei de lado e resolvi curtir o momento. Depois que voltei, a história se repetiu. Trocamos alguns e-mails, e só.
Padrões se estabelecem em relacionamentos. Normal que seja sempre como tudo foi. Mas anormal, ao menos para a minha pessoa, é você aceitar tudo isso. Sei que a gente fica cegos quando apaixonados, que não pensamos direito e que há criaturas no mundo que nos fazem literalmente burros. Porém, não é saudável. Se formos fortes, conseguimos fazer com que essa visão ilusionada da pessoa saia da nossa mente, e nos faça ver o quanto aquilo é maléfico.
Agora, meses depois, ele conheceu alguém e está namorando. E eu também. Mas eu não o tiro da cabeça e sei que no pensamento dele eu também estou. Espero que você possa me ajudar e agradeço sua paciência.
Beijos, Bia
GENTE, mas como? E o seu namorado? Você firmou um compromisso com um cara que, parece estar afim de você (quis se relacionar, o que já é um grande passo pros homens de atualmente), convive e vive ao seu lado, e pensa no traste que sumia e fazia bagunça aí dentro. E tem certeza que também está no pensamento dele. Quem disse, minha amiga? Homens, quando começam a namorar, é porque realmente querem. São poucos os caras que assumem publicamente algo e ainda ficam pensando no passado - até porque, a namorada notaria. É mulher, e também tem intuição. Enfim: se você pensa nele com amor, é porque não ama o seu namorado. E se não sente algo digno pelo cara com quem tem um compromisso, caia fora, porque enganar as pessoas não é legal. Você, que tanto foi feita de boba pelo cara em quem ainda pensa, deveria saber, mais que ninguém disso. Se é ser enganada ou viver constantemente na montanha russa de saber se ele vai aparecer, ter certeza de que ele irá aos compromissos marcados, enfim. Espero que, lendo a minha ferina opinião, você consiga colocar a mão na consciência e pense direitinho (e com amor próprio) no que deve fazer. Veja bem se tem tido valorização, pela sua parte, ao que está podendo viver. Ou se, o que mais gostaria mesmo, é de cair nessas armadilhas da vida até aprender. Desejo boa sorte e peço desculpas a qualquer grosseria ou exaltação minha. Só escrevo realmente como se estivesse falando.
Andressa Gonçalves
Quer enviar sua pergunta também? Escreva com o português bonitinho, os detalhes no lugar e a história/pergunta/dilema contada por e-mail e se joga no send it pra dessagoncalves_@hotmail.com. Depois, é só aguardar!
Dois goles de eternidade
Começou quando passava pela casa de janelas abertas, enquanto caminhava pela zona próxima a minha casa. Era domingo, e eu que deixei de detestar o dia para chorar a cada fim de noite, lembro ainda da cena do casal de senhores assistindo ao Domingão do Faustão na tevê. Fiquei a imaginar ouvir de você que "nós não vamos ser assim, tá?", e concordaria, convicta: estaremos brincando com nossos netos, isso sim. Teve também aquela outra vez em que olhava o fogão acoplado à copa do salão de festas de um amigo. Foi quando eu disse que "nem deve ser tão caro um desses" esperando que, em seguida se lá estivesse, esboçasse algo como "nós vamos ter um, sabia?" e sentir a alegria medrosa de viver, quem sabe, um conto de fadas da era moderna. Feliz com o que antes também havia pensado, porém, sem dizer, afirmaria: sim, nós vamos.
Mal consigo imaginar o dia de amanhã, e promessas, eu admito: me dão calafrios. Elevam ainda mais minha já superestimada ansiedade. Mas se for sempre assim, por mim, poderia ser para sempre. Pro meu próprio bem, deveria. Mesmo que, assim que você me deixe em casa eu desabe de melancolia já no percurso curto que leva uma eternidade até minha casa. Ainda que seja a cada dois ou três dias, porém que faça a minha vivacidade aflorar só por estar prontinha no final de tarde, esperando você no shopping que fica perto. O importante é escutar a sua voz dizendo "lindinha" de vez em quando, só pra negar com a cabeça enquanto você ri. É a competição sempre perdida em que o abraço mais apertado que você consegue me dar vence quase sempre no intervalo entre as minhas falas descontroladas que não consigo frear. Só para depois de dias corridos e chuvosos que tem feito te esperar precipitada para fazer a graça divina do seu sorriso ao me ver. Porque é desses detalhes tão pequenos de nós dois que eu vejo o quanto uma pequena briga qualquer se ouver qulquer dia se torna um grão no meio da imensidão toda que é a recompensa de se apaixonar todo santo dia pela mesma melhor pessoa escolhida.
Somos novos demais e não levamos muita fé nos matrimônios atuais. Igual, me apraze esse eterno enquanto dure que cada vez mais se torna presente e digno de continuar sendo dia após dia. Detestadora de química e afins, seria capaz de inventar uma poção de nome qualquer mas com efeito prolongador de eternidade duradouro o suficiente pra que isso não tivesse fim por motivos banais ou com o desgaste do tempo, especial que é o que temos. Um gole pra cada, divididos de um mesmo frasco da porção única só para nós dois. Porque esses melhores momentos do mundo me arrepiam só de relembrar e escrever, cheia de uma vontade que seja amanhã logo e tudo se repita da maneira singular, e por isso mesmo boa que há meses tem sido e não nos enjoa. Dava para ter gerado uma vida, mas, incrível - o que nasceu em mim foi uma vontade de pra sempre antes nunca transcrita na mente, sentida aos pulos do coração até a palpitação das veias, quase saindo pra fora do tanto que existem. Autodestrutiva, que seja. Venenosa ao longo do tempo, arrepiante também porque até cruzar a linha entre ilusão e realidade a gente tem dificuldade em perceber. Mas que se for pra ser, que seja querendo muito: até que o destino separe, sem prever términos nem muito menos desejar o fim.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Dias de Clarice
Trinta e quatro anos atrás. Minha mãe uma criança, nem ao menos pensando em me ter. Provavelmente, brincando na grama, vivendo a vida de interior onde se come pão feito em casa, e massa caseira toda semana. Meu pai, menino da cidade, passeava por aí em seu triciclo e corria, veloz - sempre aventureiro. E talvez nem tenham acompanhado de perto toda a cobertura desse evento todo que foi, a morte da ucraniana mais brasileira que mais acrescentou, em termos literários, para o país. Você, Clarice. Adicta fervorosa do cigarro, sempre à mão. Representante intensa das letras, mesmo depois do acidente de sua casa queimada. Nos deixou órfãos, cedo partiu. Sedentos por mais, quem sabe. Palavras tão bem manuseadas por seu pensamento, colocadas em ordem por suas mãos, batendo à máquina de escrever, outro vício. Feminina. Uma mulher com alma de anjo, queres passionais, de ser-humano que queria ser mais, se superar sempre, a cada escrita. Singular ao mundo brasileiro, foi pessoa universal, provinda do velho continente (ainda assim, querendo interminavelmente, pertencer a essa pátria, ser reconhecida como cidadã do maior país da latino americano). Dificultosa, como intrínseca. Visceral. Essa era a sua persona, nos contam todas as ótimas biografias já lançadas com a temática do seu existencialismo. Não pelo que vi, ou meus pais não me contaram - tão jovens que eram. Sobretudo, desse jeito que nos narram pelas diversas biografias, pela dimensão ensurdecedora que suas palavras tomaram apenas hoje em dia. O reconhecimento gosta de chegar, aos que melhores foram, e tanto se dedicaram ao longo de uma vida, quase sempre apenas tardiamente, o que é uma pena.
E se viva, como veria todo esse alvoroço à sua volta? Com temor, ou algum contentamento? Frases clichês, fragmentos esdrúxulos, trechos que não a pertencem levando seu nome e assinatura redes sociais, trabalhos de faculdade, presentes com cartão e dedicatória país afora. Para quem leu, e é admirador há mais de anos, um nojo. Realmente desgostante. Eu, que por volta dos quinze anos (ou seja, há quatro), me vi iniciada numa leitura capaz de fazer submergir por horas, habitar temporariamente outras galáxias, uma realidade inexistente, porém, impactante de tão detalhada, hoje quero continuar gostando da sua literatura, Clarice, mesmo que um mundo clichê me faça ter náuses e um pouco de ciúme por não saber ser apaixonado da maneira avassaladora como seriam, caso realmente lessem suas obras. Se consideram fãs do que conhecem apenas superficialmente - porém, infelizmente, essa é uma das ressalvas do mundo atual. Duvido que você fosse simpatizar.
Enfim, ao invés de sentir uma felicidade possível em ver seu nome na boca do povo, nos sites e jornais locais e de demais estados, é a perplexidade desse saboreio frívolo a única coisa que consigo sentir. Que, mesmo após esses trinta e quatro anos, pessoas leiam e consigam apreciar um texto inteiro seu, no lugar de apenas se apaixonar por uma frase amputada. Que amanhã, ao comemorarem seus noventa e um anos (prefiro os números escritos em extenso, é mania minha), quem realmente é adicto da sua literatura a explore da rica maneira que só consegue quem tem sensibilidade suficiente para suportar: lendo-a inteira, não apenas em aplicativos ou nas errôneas junções de palavras que pelas suas frágeis mãos não foram escritas ou datilografadas. Tão logo acaba esse modismo de querer conforto no desconhecido, disseminando por aí o que mal conhecem, elegendo como "escritores favoritos" de temporariamente algum outro que pareça dar conselhos por meio da escrita, e volta a paz em torno daqueles que conseguem contemplar com destreza uma literatura preciosa, pensante e na qual a gente se inunda e mergulha com prazer. Singularíssima, excepcional. Absoluta.
E se viva, como veria todo esse alvoroço à sua volta? Com temor, ou algum contentamento? Frases clichês, fragmentos esdrúxulos, trechos que não a pertencem levando seu nome e assinatura redes sociais, trabalhos de faculdade, presentes com cartão e dedicatória país afora. Para quem leu, e é admirador há mais de anos, um nojo. Realmente desgostante. Eu, que por volta dos quinze anos (ou seja, há quatro), me vi iniciada numa leitura capaz de fazer submergir por horas, habitar temporariamente outras galáxias, uma realidade inexistente, porém, impactante de tão detalhada, hoje quero continuar gostando da sua literatura, Clarice, mesmo que um mundo clichê me faça ter náuses e um pouco de ciúme por não saber ser apaixonado da maneira avassaladora como seriam, caso realmente lessem suas obras. Se consideram fãs do que conhecem apenas superficialmente - porém, infelizmente, essa é uma das ressalvas do mundo atual. Duvido que você fosse simpatizar.
Enfim, ao invés de sentir uma felicidade possível em ver seu nome na boca do povo, nos sites e jornais locais e de demais estados, é a perplexidade desse saboreio frívolo a única coisa que consigo sentir. Que, mesmo após esses trinta e quatro anos, pessoas leiam e consigam apreciar um texto inteiro seu, no lugar de apenas se apaixonar por uma frase amputada. Que amanhã, ao comemorarem seus noventa e um anos (prefiro os números escritos em extenso, é mania minha), quem realmente é adicto da sua literatura a explore da rica maneira que só consegue quem tem sensibilidade suficiente para suportar: lendo-a inteira, não apenas em aplicativos ou nas errôneas junções de palavras que pelas suas frágeis mãos não foram escritas ou datilografadas. Tão logo acaba esse modismo de querer conforto no desconhecido, disseminando por aí o que mal conhecem, elegendo como "escritores favoritos" de temporariamente algum outro que pareça dar conselhos por meio da escrita, e volta a paz em torno daqueles que conseguem contemplar com destreza uma literatura preciosa, pensante e na qual a gente se inunda e mergulha com prazer. Singularíssima, excepcional. Absoluta.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Como perder uma mulher em dez dicas
- Indiferença exacerbada: Não corra atrás, esqueça que telefone existe, evite mensagens de texto. Faça da sua frieza a arma mais eficaz para atingir o centro caloroso dos sentimentos femininos da dita cuja. Cague para a vida dela, se está bem, se tem problemas. Aja como se tanto sua vida com, quanto sua vida sem ela fossem a mesma.
- Fale da ex: É regra. Quer causar constrangimento e fazer com que comparações, imagens, diálogos e situações sejam perversamente povoados pela imaginação fértil feminina? Basta citar seu último relacionamento. Qualquer coisa acerca do assunto de quem já esteve ao seu lado, tanto como ódio, quanto como ainda amor, ajudarão um tanto para a fuga da moça.
- Descuide-se: Geralmente, são poucas as fãs de metrossexuais. Mas se cuidar é diferente. Basta lavar com frequência o cabelo, cortar as unhas de pés e mãos, não dar espaço para o chulé invadir tanto os tênis quanto impregnar no corpo, se alimentar de forma balanceada ou normal (em excesso ou em falta geram padrões como "magro demais" ou "gordo demais"). Escove menos os dentes, deixe intacto o desodorante. A linha entre se cuidar ou não, e se cuidar ou aderir à metrossexualidade é bastante tênue. Contudo, desleixo é sempre motivo de repúdio. Não use perfume e nem roupas limpas. Agrava.
- Musicalmente escroto: Tenha um gosto musical medíocre, como funk, pagode, ou as repetidas músicas que tocam no rádio. Desconheça (ou finja) grandes clássicos e bandas que todos com maioridade da carteira de identidade deveriam. Mostre-se feliz em consumir a cultura de massa que a mídia faz engolir os de cabeça e personalidade menos existentes.
- Desilusão Ortográfico Amorosa: Escreva "mais" no lugar de "mas". Logo em seguida, "concerteza", "denovo". Redija "adevogado" - vale para a fala também. Use várias vogais como '"coomo taa?" e algumas exclamações e interrogações pontuando mais que o normal. Se a conversa for via mensagens intantâneas, vale usar a abusar dos emoticons.
- Maus modos: Mastigue de boca aberta, nunca dê espaço para que ela ande na frente ou passe primeiro, não ofereça o braço e sequer a mão quando juntos andando por aí. Palite os dentes, não lave as mãos nem levante a tampa quando for ao banheiro. Destrate qualquer criatura passível da sua agressividade: vale a garçonete, o guardador de carros, o motorista ao lado. Impressionte sendo um ser bruto e total desprendido dos bons constumes.
- Vestes estranhas: Abuse e vista roupas e combinações fora do padrão. Vá de cores berrantes, indiscretas e descombinadas. Vale usar calças skinny ou sarouel masculina (nojo!). Use boinas, chapéus, colares, pulseiras e demais acessórios que costumam não ficar bem em cara nenhum. Vale um brinquinho postiço, piercing na sobrancelha e afins.
- Bebidas ou drogas em demasia: Nenhum mulher quer passear por aí com um vegetal humano ou ir pra balada com quem a faça, de alguma maneira, chamar atenção por meio de vexames, atitudes exageradas ou vômitos no meio da pista de dança.
- Grude: Ligue a cada cinco minutos, mande mensagens melosas com poemas complicados que nem mesmo ela compreenderá, dê bombons, flores e uma carta cheia de declarações e frases apaixonadas, não importando se vocês mal se conhecem ou coisa do gênero. A intenção é realmente essa: que ela se sinta sufocada, e você a perca. Não é? Grude nela, mesmo sendo a atitude mais insuportável numerada.
- Ou, simplesmente, dance: A teoria que ronda os banheiros femininos é de que, ou um cara dança muitíssimo bem, ou fracassa ao tentar remexer o quadril e pés e articular o corpo decentemente. Poucos homens dançam bem. A chance de você dançar loucamente e espantar a menina é consideravelmente alta. Use para o bem, se controlando ao máximo, ou fazendo com que ela se envergonhe e suma da sua frente logo.
- Fale da ex: É regra. Quer causar constrangimento e fazer com que comparações, imagens, diálogos e situações sejam perversamente povoados pela imaginação fértil feminina? Basta citar seu último relacionamento. Qualquer coisa acerca do assunto de quem já esteve ao seu lado, tanto como ódio, quanto como ainda amor, ajudarão um tanto para a fuga da moça.
- Descuide-se: Geralmente, são poucas as fãs de metrossexuais. Mas se cuidar é diferente. Basta lavar com frequência o cabelo, cortar as unhas de pés e mãos, não dar espaço para o chulé invadir tanto os tênis quanto impregnar no corpo, se alimentar de forma balanceada ou normal (em excesso ou em falta geram padrões como "magro demais" ou "gordo demais"). Escove menos os dentes, deixe intacto o desodorante. A linha entre se cuidar ou não, e se cuidar ou aderir à metrossexualidade é bastante tênue. Contudo, desleixo é sempre motivo de repúdio. Não use perfume e nem roupas limpas. Agrava.
- Musicalmente escroto: Tenha um gosto musical medíocre, como funk, pagode, ou as repetidas músicas que tocam no rádio. Desconheça (ou finja) grandes clássicos e bandas que todos com maioridade da carteira de identidade deveriam. Mostre-se feliz em consumir a cultura de massa que a mídia faz engolir os de cabeça e personalidade menos existentes.
- Desilusão Ortográfico Amorosa: Escreva "mais" no lugar de "mas". Logo em seguida, "concerteza", "denovo". Redija "adevogado" - vale para a fala também. Use várias vogais como '"coomo taa?" e algumas exclamações e interrogações pontuando mais que o normal. Se a conversa for via mensagens intantâneas, vale usar a abusar dos emoticons.
- Maus modos: Mastigue de boca aberta, nunca dê espaço para que ela ande na frente ou passe primeiro, não ofereça o braço e sequer a mão quando juntos andando por aí. Palite os dentes, não lave as mãos nem levante a tampa quando for ao banheiro. Destrate qualquer criatura passível da sua agressividade: vale a garçonete, o guardador de carros, o motorista ao lado. Impressionte sendo um ser bruto e total desprendido dos bons constumes.
- Vestes estranhas: Abuse e vista roupas e combinações fora do padrão. Vá de cores berrantes, indiscretas e descombinadas. Vale usar calças skinny ou sarouel masculina (nojo!). Use boinas, chapéus, colares, pulseiras e demais acessórios que costumam não ficar bem em cara nenhum. Vale um brinquinho postiço, piercing na sobrancelha e afins.
- Bebidas ou drogas em demasia: Nenhum mulher quer passear por aí com um vegetal humano ou ir pra balada com quem a faça, de alguma maneira, chamar atenção por meio de vexames, atitudes exageradas ou vômitos no meio da pista de dança.
- Grude: Ligue a cada cinco minutos, mande mensagens melosas com poemas complicados que nem mesmo ela compreenderá, dê bombons, flores e uma carta cheia de declarações e frases apaixonadas, não importando se vocês mal se conhecem ou coisa do gênero. A intenção é realmente essa: que ela se sinta sufocada, e você a perca. Não é? Grude nela, mesmo sendo a atitude mais insuportável numerada.
- Ou, simplesmente, dance: A teoria que ronda os banheiros femininos é de que, ou um cara dança muitíssimo bem, ou fracassa ao tentar remexer o quadril e pés e articular o corpo decentemente. Poucos homens dançam bem. A chance de você dançar loucamente e espantar a menina é consideravelmente alta. Use para o bem, se controlando ao máximo, ou fazendo com que ela se envergonhe e suma da sua frente logo.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
A moça que não tinha personalidade
O cabelo, cópia das garotas mais velhas e antenadas que realmente sabem o que fica bem em si mesmas, e então, mudam. O gosto musical, aos poucos se tornando igual ao da melhor amiga, misturado ao do namorado, e das primas que vivem longe. O estilo em se vestir, observado milimetricamente a cada peça de roupa que garotas autênticas ou que imprimem personalidade ao seu estilo pessoal usam: e claro, compra parecido, tenta combinar igual. O que resulta apenas numa tentativa mal acabada de querer ser um pouco de cada, e a escolha estúpida de deixar de ser ela própria: uma caricatura sem animação particular. Um esboço pintado sem empréstimo prévio ou permissão alheia.
Opinião é algo que costuma desconhecer. Se tem, não exprime. Quando expressa, nunca é algo que a própria mente construiu, baseada em bagagem cultural ou fatos passados - mas sim, que viu por aí, e escolheu seguir feito Maria que vai com todas as outras no bando. Geralmente, são bonitinhas. Mas mesmo quando de uma beleza extrema, algo falta: uma marca registrada, um encanto às vezes secreto e valendo ser até mesmo misterioso, mas que a faça também diferente numa sociedade onde todos buscam, ao invés de igualdade, participar do denominador comum. Lê apenas auto-ajuda que não contribuí intelectualmente ou best sellers no topo das vendas, afinal, a melhor recomendação para essa garota é a de massa: aquela onde se encontra a maioria, e que pensa ela, que será mais aceita se fizer parte. Mostra mais a maquiagem, feito máscara (quase fortaleza) onde esconde os próprios gostos, a fala livre e as diversas manias que deve ter, do que o jeito apenas seu, mesmo que peculiar, de ser - e que não se deu ainda a chance de descobrir. Uma personagem a cada dia, nenhum amor real e consistente, que veja lágrimas, se apaixone pelas diversas feições, e fique: amam é o corpo, tentam mas não por muito conseguem sentir o mesmo pela individualidade. Dá pena.
Sabem, eu tenho pena dessas moças que esquecem que ter uma personalidade vale muito mais que ter um corpo enxuto e bonito, ou o cartão de crédito dos pais para quando precisarem. Porque, assim que o mundo pedir que apresentem os motivos de porque aqui estão, geralmente, mal elas sabem. A rebeldia que encenam é sempre inspirada nos seriados e telenovelas em alta. As diversas facetas que mostram ao mundo, resultado para quem não possuem uma mesma que seja híbrida, mas que se adapte facilmente em qualquer ocasião. Ligar pro que os outros pensam, uma constância na lista de preocupações. Como marcar alguém com tanto clichê? Photohop para a maneira singular de se existir, não existe ainda, querida. Vá, corra atrás do que verdadeiramente alimenta o seu eu interior que quer viver em liberdade e por cima das tantas fantasias que você cria mesmo serem melhores do que é. Arrume a bagunça que se formou por entre preferências e jeitos, cores e filmes, e selecione para tocar no tempo presente o que fizer de você também uma exceção: o feio não existe, excêntrico é algo individual, ser um pouco peculiar, às vezes - ou em boa parte do tempo - também faz rir e recompensa. Agora, aprenda.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Verborragia
Hoje eu só quero falar e vai ser tudo sem ponto mesmo porque é como se estivéssemos atrelados a uma ligação rápida e na qual a pressa se antecipa, estanca em frente às palavras que deveriam sair mas somente quando abro o registro para que se inicieo brainstorm insolúvel no qual me encontro. A fase anda difícil, os dias se arrastando; a vida, inconclusiva. Dá aquela vontade insana de sumir pra longe, sentar numa grama que extirpe do corpo o cansaço, da mente as ideias ruins, do inconsciente os pesadelos que tem freado meu sono, atormentado meus sonhos e feito a noite possuir meus olhos abertos, em claro - tento dormir e não dá, viro pro lado e não sinto conforto, arrisco não pensar em nada, o que me resulta numa enxurrada de ideias antes nunca exploradas, pensamentos jocosos, aqueles porquês que a gente não entende mas transforma em minhoca na cabeça justo quando deveria deixar o cérebro de molho, em repouso absoluto.
A gente é mais novo e pensa que não precisa de ninguém, que assim que completar a maioridade vai sair de casa, ter um salário digno para se sustentar, e conseguir levar a faculdade numa boa. Tem tédio do mundo - o que acho totalmente justificável, submersos nessa chatice crônica dos dias e das pessoas vazias - e demora pra achar ao menos uma amiga de verdade, um amigo gay que valha a pena, dê conselhos ponderados da cabeça masculina que deseja também homens, e mais: um cara decente que mereça nos ver caidinha de amor. Ficamos patéticos enamorados, todos. E se não for o tipo do trabalho a ser feito em dupla, além de não valer o estrago, a compreensão não compensa. Somos obrigados a passar por um arsenal de gente escrota, por vezes feia, algumas outras, insuportáveis, acéfalas ou estranhas, até que se permita um pouco da idiotice viciante que faz com a gente o amor. Pensamos que as pessoas que mais nos amam vão achar bacana nos dividir um pouquinho em prol da nossa felicidade, mas não: querem competição, travam guerra injusta, ultimato e somem da vida da gente, de repente.
Daí as pessoas vem me explicar que a vida tem altos e baixos. Como estar lá em cima, e simultaneamente, no fundo do poço? É esse um momento onde a felicidade, quando aparece, irradia. A tristeza, quando visita, só falta tirar pedaços, me deixando andar por aí um tanto zumbi quanto às expectativas das horas que não passam, submersa no tédio diário onde as coisas não acontecem, as situações não se desenvolvem, e ser positiva acaba sendo a minha única - mas prometo, não última - alternativa. Aquele nojo úmido de quem não sabe trançar as qualidades e os defeitos num jeito próprio e personalizado de se existir. Uma preguiça de gente que fala miando, um pavor de quem tenta me explicar tudo mastigadinho como se fosse burra demais só por ser nova demais. A corrida maluca onde folhas do calendário caem em desenho animado e a gente quase nem sente a semana voar (só fico feliz no final dela, nos três dias que tenho a paz do sorriso de quem me quer bem, curando todo esse meu cansaço acumulado).
A gente cansa, e o desabafo é preciso antes que eu mesma desabe: mental, escrito, falado; retrato dessa constância mórbida que a vida se releva de vez em quando. Demora a passar cinco minutos, uma lentidão até que se tenham ido duas horas, e em compensação, estamos de noite novamente sentados no sofá de casa, pensando em tomar banho, de pijama rastejando até a cama, e tentato pregar o olho porque dormir, acima de qualquer prazer, tem sido um dos remédios. Que quero eu, dessa insanidade que é viver? Dinheiro, para antes de existir, habitar e consumir (não me venham com a hipocrisia de socialismo, filhos da geração Y - somos consumistas, todos, e ao longo do tempo, nada demais terá isso). Acordar ao lado de quem gostamos, para que o perfume embre que o dia já começou bem, e com um tanto de sorte. A alegria dos almoços entre amigos, onde posso espairar um tanto, deixar de lado a seriedade de submergir na luta diária, momentos de paz & amor & risos incontidos por motivos aparentemente banais. Muita sorte, pra que o esforço não seja em vão. Foco e determinação. Suavidade e noites calmas. Beijos de verdade. Sol, ar condicionado, roupas novas, viagem de natal: tudo aquilo que me salva de falar demais como sempre, sentir alucinadamente e frear o cérebro afim de poupar as ideias e não pensar em demasia. Eles, só eles, só essas pessoas. E a paz, que também são eles quem traz - me cala com agafos, cócegas na cintura, desses repentes onde o branco se torna azul e me livro do peso que tem todo o planeta. Fim
Assinar:
Postagens (Atom)




