terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Homens: surpreendam-nos!

Queridos nossos: na dúvida, ajam com novidade. Secretamente, o súplico feminino para que alguma pequena surpresa ocorra e nos salve o dia é grande. Preocupadas em valorizar quase sempre a ligação especial a que participam, surgindo inesperadamente com algo que marque na história do outro e faça o presente valer a pena. É também uma grande reciprocidade esse poder de dignificar de forma singular e de repente, tudo aquilo que se sente: como na magia, um coelho tirado da cartola; na poesia, uma rima inteligentemente iluminada. Surpresas!

Sermos pegas desprevenidas positivamente com pequenas doçuras, mimos e agrados quase sempre tem fator altíssimo de renovação instantânea. Combate ainda à mesmice feijão com arroz - com gosto bom mas que pode ser muito melhor - a que muitos casais se submetem. Ou à dúvidas destemperadas, cavando lugar para que a paranoia comece e a insegurança se acomode. É capaz de também amortecer os efeitos a longo prazo trágicos que a rotina implica nos relacionamentos modernos. Um pequeno sobressalto daquilo que nem se imaginava mas que acelera o meio do peito e faz pulsar de adrenalina o sangue nas veias: a recompensa é sempre alegre e no formato de abraço forte, num jeito que de pra tantos beijos espalhados pelo rosto como agradecimento se comportem.

Vale desde um bilhetinho na agenda, cartão escondido dentro de embrulho, flores sem motivo numa tarde qualquer de verão - onde ela está se matando de trabalhar, enquanto deseja o sol, exercícios e estar numa piscina. Convite repentino para viagem, um susto atrás da porta assim que as unhas recém feitas ajudarem no giro da maçaneta, uma pequena festinha combinada aos mais chegados quando for seu aniversário. Aquele "eu te amo" enquanto assistem televisão e ela nem sequer havia sonhado com. Um beijo daqueles desgovernados enquanto ela cozinha - mas que encontre um caminho depois de um tempo e não queime o arroz. Mensagens quando ela é sugada pelas tarefas diurnas, o seu prato favorito, chocolate predileto, ou mesmo apenas pequenas lembranças escritas numa carta de declaração sentimental são capazes daquilo que só os desassossegados sabem: o encantamento de fugir um pouquinho da realidade para se achar especial enquanto o outro é também. Só o que não é válido é temer um tantinho de ousadia, afinal, no mínimo algumas boas risadas serão compartilhadas em cumplicidade - o que também é antídoto anti-envelhecimento de quem muito se gosta. O charme de se amar e vencer a tudo aquilo que de qualquer forma tenta atrapalhas por não conseguir nem ao menos chegar aos pés do que é amor.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Olhares, fantasmas, futuro.



- As pessoas não me entendem.
 Remexe com o palito de plástico o copo de café quente, em pleno verão, e olhando para o fundo da bebida recém expressa, que exala fumaça. Olhar triste, bico nos lábios, e os olhos novamente nele; atento e de mãos vazias frente à tanta incompreensão mútua, quieto.
- Elas querem, mas ficam além. Explico toda essa minha linha de raciocínio, e só eu é quem chego até o final na mesma empolgação, e aceleração inicial. Se perdem por entre os trajetos que desenho, e dobram justamente onde deveriam seguir em frente. Eu é que não desisto, e rasgo a faixa de chegada, toda vez. Sozinha.
Nada. Ele não dizia nada. Feito padre, que ouve a confissão atento, e não sabe ainda quantas ave-marias quer que reze, ajoelhada. Feito psicóloga que esqueceu o 'uhum' sussurrado, naquela artimanha já arquitetada de dizer: ainda estou ouvindo. Estou aqui, mesmo sem palavras compreensíveis, de entendimento.
Bebe o café, e ainda sem designar qualquer movimento seguinte, flutua entre esse silêncio exclusivo, ardido. Penetra os olhos na face quadrangular do rapaz, que apenas assiste ao monógolo, sem interrupções tardias. E a ouve prosseguir, justamente por detestar toda e qualquer quietação inocente, alarmante.
- Eu não sou daqui? Sou, eu pertenço a esse agora, este lugar. Tanto que pego sol, e sambo no carnaval. Ocasionalmente, como carne vermelha. Até mesmo visto roupas de ginástica, e sei o hino brasileiro de cor e salteado. Se quero ser feliz? Mais que tudo. Como nunca. Pra já. Estou bem, mas não com aquela vontade de irritar quem comigo convive com o sorriso oblíquo e incessante de tempos atrás. Só fico bem, em paz, e assim, com essa vontade de viver que não gasta, e só acumula. Vasculhado erros passados, rebobinando a mesma fita antiga e em VHS, que já cansou de correr pela minha vista.
Nenhum som como resposta, continuação do monólogo. Apenas dois olhos de jabuticaba estreitos a observando; atentos, cúmplices.
- Tento, juro que tento. Você sabe que eu tenho intentado. Mas e daí que você apareceu, e eu não vibrei. Nada aqui dentro estremeceu. Nenhum arrepio ao te ver, medo de ser de verdade, e sincera o tempo inteiro. Tão eu mesma, que talvez, tenha te cativado. Sem pretensão de enganar, mas sim, de tentar uma felicidade já prematura, nascida quem sabe pra surpreender meus dias de caos interno. Acalmou por certo tempo, mas não penetrou o mundo apartidário onde meus sentimentos tem se escondido, entende? Quis que fosse você a resposta pra boa parte dos meus problemas, mas as questões se mostram cada vez mais fortes, e não é o seu segredo que as liberta. Além desse turbilhão, você continua aqui. Ao meu lado, segurando minha mão, pagando meu café. Com a ciência culposa de saber que meu amor à ti não é direcionado. Na esperança que, algum dia te goste como me vi no inferno, tentando salvar minha própria alma: incendiando em afeto. Quero tanto quanto você que esse dia chegue, te digo. E espero que acredites, sem tentar sentir demais por mim, e aceitar isso de cabeça baixa - mas sim, com orgulho.
Reticência. Calada, quieto. Íris oculares vedadas, quatro. Ele sério. Ela, rosto recém seco de lágrimas escapadas, irrompidas. A cena de o passado rondando a rua, cumprimentando, transpassando sentimentos adormecidos, para ela. Para ele, insegurança. Certo medo. Mão dela apertada forte, para que não se fosse, para que se segurasse com vigor naquilo que sentira em vão e já se ido tinha, todos os dragões que ele fez questão de espadar no lado esquerdo, no coração. Toda e qualquer planta carnívora que ameaçasse alimentar ilusões do que não era correspondido, e comer os pequenos pedacinhos de amor que ele plantava, dia após noite. Ligação após mensagem. Surpresa pós beijo.
Ainda assim, a queda. Cura pela metade, desenho ainda molhado retirado antes de esperar secar: voltando a borrar a folha, tirando a beleza daquilo que já finalizado, estaria exposto na parede, como recompensa, regalo, amostra de força. A denuncia no choro da moça além de borrar a maquiagem, deixou claro que a pintura muda suas cores e rabiscos, mas o quadro ainda é o mesmo. Infelizmente.
Voz máscula irrompendo o momento de melancolia, após o encontro do inesperado e desconstrutor; fatídico.
- Tanto faz que você chore, e a manga da minha camisa é que seque as suas lágrimas. Ou que você ainda não esteja curada, e precisasse ver de perto o vilão para engolir de vez o crime. O que importa, na verdade, é que eu esteja aqui. Porque quero, porque te gosto tanto, e não ligo a mínima que me transforme furtivamente em qualquer objeto para que você tente, e eu te pegue de novo no colo. Não ligo que faça com que seu tempo passe, e no mais, a paixão que eu faça crescer por você seja tão maior que esse carinho torto que você tem por mim. Quero saber é do agora, e estou contigo. Te comprando café, e fazendo feliz, a cada minuto que posso. É dessa tentativa que tento te ajudar na reconstrução interna, e te livrar de todos esses fantasmas do passado. Olhando pra frente, e caminhando ao teu lado.
Foi no olhar grudado a seguir, que ela firmou todos seus pensamentos pro futuro, e deixou apenas escritas na alma suas memórias, e decidiu que a chance para o futuro era agora palpável, possível e positiva. Em suas mãos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vovó versus. minúscula

Já passou o tempo em que mulher casava virgem, e virgem, por bom senso, tinha o maior pudor em não usar absorvente interno (Ai, porque machuca..E se tirar minha virgindade? E agora? - típicas dúvidas de quem sofre do mal dos séculos modernos, a falta de diálogo em casa, em família). E que moço com o pinto pequeno era ruim de cama, e não dava conta. Ou ainda, que casar com um cara rico, é que sim, traria felicidade e "estabilidade". Mulheres queimaram sutiãs e avançaram muitas casas em termos de independência, e a liberdade que gozam - literalmente - se instaura cada vez mais nos dias atuais. O anticoncepcional se tornou algo rotineiro, e a pílula do dia seguinte, consumida por algumas de nós como bala de iogurte: uma atrás da outra. Grande revolução que causou reviravolta essa nossa, a feminina. A consequência de tais mudanças tem deixado os homens cada vez mais covardes, e nós mulheres, ainda mais exaltadas. O feminismo cresce, e o machismo, há décadas em declínio, tem voltado com tudo. Do pior jeito possível - em atitudes e falas cada vez mais radicais e grotescas, quase inacreditáveis.
Sabem vocês que não sou feminista, estou é longe disso. Adoro ser mimada, tenho predileção por cavalheirismo e romance, e consumo em enorme escala (até onde dá meu dinheiro, claro). Eis que, em pleno século XXI, com mulheres deixando de pilotar fogão e indo comandar empresas, me deparo com a infeliz frase: "Medimos a dignidade de uma mulher pelo tamanho da calcinha." À primeira vista, questionei: quanto menor, maior a dignidade? Sexual, talvez, sim. Não, leio como resposta. Quanto maior a calcinha, maior a "dignidade" da moça; quer coisa mais retrógrada que isso? Pasmei. Puro falso moralismo, na verdade. Coloca a moça com um short-calcinha e com uma bela e pequenina tanga, e pago pra ver se a escolha não será óbvia. Só imaginam, esses homens, alguém pra ter do lado, ser mãe dos filhos e subir no altar se tiver uma enorme panties pra ficar no boxe do banheiro futuramente, que quer dizer claro, que ela é direita e "serve". Dama que usa de muita luxúria vestida logo de cara merece ser comida e só. Repugnante.
Ao chegar em casa, corri pro armário. Não havia um calçolão ou ceroula da vovó pra contar se havia sido caracterizado como honrado, ou não. Por esse motivo então, por não existir aqui comigo uma peça íntima que condiza à minha nobreza, deixo de ser capaz e correta? Negativo. Quem sabe nos anos 50, sim. Mas hoje, quando se você não se sentir sensual e poderosa, e não satisfizer quem com você está, o companheiro busca por aí quem o faça? Não, não. Me recuso. Por esse motivo quem sabe, imagino apenas homens asquerosos e com quem as chances de algo comigo seriam nulas, discutindo tamanhos de calcinha e personalidade. Fazendo paralelos ridículos entre "a sensualidade exacerbada" da garota, pelo que ela desfila por baixo de vestidos, saias e calças. Uma babaquice sem tamanho. Um julgamento ineficaz, que nada diz sobre caráter, futuro e sentimento; essência. Ela pode vestir então, uma quase-boxer, e agir em festas como uma vadia louca? Questionável. Já a menina recatada, que pode ser na dela ou tranquila, se usar algo mais cavado, delicadamente pequeno, já perde todo o arsenal de pontos que acumulou? Injusto. Vão tentar queimar na fogueira a mulher que der no primeiro encontro também? Porque essa vocês fingem bem que amam. E até mesmo, gostam, e podem sentir algum amor. Só não admitem por ainda cultuar ideiais tão quadrados pra essa nossa época insana. Continuam se reprimindo viver sem amarras e liberdade, o que asfixiará lá na frente também a pobre coitada que ficar com quem assim pensa: mãos abertas e vazias de qualquer vaidade, vão desfilar com a cueca do marido pela casa e se sentirão bem dessa maneira. Nuas de volúpia e libertinagem.
Há calçolas grandinhas que são charmosas? Há, sim. Algumas. Agora, selecionar como baixa ou miúda a femme fatale que bem se sente vestindo quase nada, é de uma mente fechada e tanto. Se tamanho não é documento, é muito menos, vestimenta íntima. Grande é a mulher que se admira e se cuida, e rei é o homem que nota isso, elogia. Sabe que toda a produção, seja quem sabe, apenas para ele. De fio dental, ou renda, calcinha enorme ou até mesmo, sem nada: que as pessoas sejam analisadas pela dimensão do que nos causam e não por detalhes que merecem atenção, admirados da maneira exata: corpo a corpo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

E viva Cléo Pires, Kim Kardashian e Juliana Paes!

A culpa não foi minha, juro. Com o passar dos anos foi apenas preciso que meu padrão de beleza se tornasse "caminhoneiro". Explico. Nunca fui magérrima. Aliás, minha vocação para ser esqueleto sempre foi zero. Ainda é. Nula para quem realmente nasceu com o quadril largo, a estatura graúda e uma puberdade que veio precocemente. Então, para não ver desmoronar minha auto-estima teenager e começar uma reviravolta bonita, vi que podia ser magra, sim, mas também sensual. E com vigor.

Entre saúde e ossos, fico facilmente com a primeira opção. Gosto de comer de tudo um pouco, mas também sinto prazer ao sentir a endorfina sendo liberada, e claro, ao entrar no jeans 38 que hoje conquistei. Podem pensar "ah, mas ela é magra e tá reclamando". Sim, emagreci consideravelmente nos últimos anos. Mas de forma balanceada: desde a alimentação aos exercícios. Contudo, como desde adolescente admirei corpões como de Scarlett Johanson, Jennifer Lopez e Marilyn Monroe (por que não, né? De magrela a diva tinha é nada), continuo no mesmo time.

Acho um charme a cintura fininha em contraste aos pernões de Kim Kardashian. Luxo maior, as coxas bem definidas de Sabrina Sato e suas "panicats" (falem mal, mas duvido que se tivessem a oportunidade de ter um físico daqueles recusariam). Além do bocão, é bonito ver a quase ampulheta viva que é Kat Dennigs. O que falar de Beyoncé, que além de uma força feminina na música, possui sensualidade e exuberância sem vestir manequim minúsculo. Sem falar de brasileiríssimas igualmente lindas, como Cléo Pires e seu corpo de brasileira típica, a boazuda Juliana Paes, e Paola Oliveira com aquela barriga chapada que a cada carnaval só nos causa ainda mais inveja. Para mim, todas maravilhosas. Melhor de tudo: num equilíbrio entre o que é sadio e o que é realmente bonito.

Claro que todos os tipos físicos são de uma beleza única. Isso é incontestável. Devemos nos achar bonitas da maneira que der, vestindo o que de melhor nos valorizar, e com consciência de que há sempre algo a mais se melhorar. Esses foi os exemplos que encontrei. No lugar de tentar mil e uma dietas mirabolantes ou passar fome, vi que dava para me sentir bem comigo mesma, sexy e de um jeito são: apreciando o corpão que deus me deu (ou a genética fez), sem neuras, nem ideologias doentias ou padrões pré estabelecidos. Vi que é melhor um braço um pouquinho avantajado do que vagar por aí pálida ou desnutrida. Até porque, homem que gosta de uma boa mulher é o mesmo cara que aprecia carne, mal sabe o que é celulite e aprecia sem moderação. O resto, pra mim, ou é cachorro ou ainda não cresceu.

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Andressa Responde: A ex-biscate e o passado que incomoda







Querida Andressa, sou uma grande fã sua. Parabéns por esse dom tão lindo.

Lindona, muito obrigada! Sempre fico feliz ao ler isso.

Já comecei a escrever vários e-mails pra ti, mas nunca cheguei ao final de nenhum deles, até que comecei a me questionar o porque e talvez tenha encontrado. O problema não é nenhuma situação, nem algum cara: o problema é comigo.

Acho que se tu pensou bastante, e então admite, já é um grande passo para uma mudança, não é?
Quando "comecei" minha vida amorosa, quer dizer, quando me apaixonei pela primeira vez, e segunda e a terceira, foi uma sequência de decepções sem tamanho. Quando eu achava que poderia confiar na pessoa, que conseguiria me abrir novamente, lá vinha outra bomba.

Ou seja: você escolhia a dedo os cafajestes. É complicado mesmo, porque quando tu deverias ter moldado e firmado a sua conduta perante o amor dali em diante, não conseguiu o fazer bem. Mas, vamos lá. Continue.
Acredito que isso tudo acabou me endurecendo muito - sem melosidades poéticas, é fato, endureci mesmo, desacreditei demais de tudo. Os casamentos da minha família também nunca foram um bom exemplo para que eu acreditasse em amor e essas coisas todas, cresci vendo pessoas que eu amo magoando pessoas que eu amo, cresci vendo que o amor deixa a gente muito vulnerável e nunca quis ser assim. E acho que em parte, tenho culpa por todas as decepções amorosas que tive, por não querer parecer vulnerável nunca me entreguei por inteiro, e no fundo estava sempre esperando alguma traição, alguma decepção, não conseguia confiar.

A gente tende a endurecer mesmo, no setor da vida que for, quando se machuca. Seguir os padrões da família ou de quem convivemos, contudo, é apenas uma das milhares opções que temos. Se você não se dava, estava sempre com medo, ou internamente sabia não poder confiar, é porque havia algo errado mesmo. E não tinha como receber algo em troca.

A última (e fatal) relação amorosa que tive, me fez chutar o balde, e então comecei a usar os caras que sentiam algo por mim: ia pra balada, bebia demais, não me valorizava. Uma catástrofe.

Putz. Pegou o caminho errado, sinto dizer. Mesmo quem sofre um monte ou descrê da vida, sei lá, há tantos outros rumos, não acha? Esse com certeza é o mais fácil de entrar, mas o mais complicado de tirar de ti. Ou seja, do que te rotularam. Como confiar em quem aprontou todas, não deu valor a quem deveria e muito menos a si mesma? Acho que é tudo consequência de um passado não tão distante.

E no meio disso tudo, claro que acabei me envolvendo sentimentalmente com canalhas galinhas ridículos, e sofrendo mais ainda para não perder o costume. Resumindo: fiz a minha fama.

Como dizem por aí: depois de feita a fama, o futuro é a lama. Algum dia o mundo divertido onde biscatear por aí e achar que vive no Mean Girls ia terminar, né? E a gente, às vezes, deve pensar mais pra frente. Pra que decair na vida se é só esperar que ela pode nos surpreender? Agora é sair do barro.

Até que, decidi sossegar, lidar com meus sentimentos de maneira menos infantil, e comecei a me envolver com um cara legal, mas legal mesmo, sem antecedentes ruins, e que também tinha sofrido muito, assim como eu. Ele sabia do meu passado/presente, e isso era um problema e tanto. Um problema que não foi mais difícil de superar do que meus habituais problemas com ciúmes, desconfiança, etc etc.

Eu imagino. Tu confiaria cegamente em namorar um cara que não vale nem o que come? Eu, com certeza, não. E mesmo se fosse um cara, não conseguiria namorar alguém que já pintou o sete e bordou biscatices noite afora. Passado importa sim, e é uma hipocrisia a gente dizer e acreditar nesse papo de que as pessoas mudam - ainda mais em tão pouco tempo - e que, do nada, você resolveu se comportar. Deveria ter feito isso antes, com todo o respeito. É uma culpa que, infelizmente, vai seguir contigo por um tempo, até que tu estabilizes a tua vida e isso fique num passado bem lá atrás. Eu penso sempre: é isso que eu quero contar pras minhas filhas futuramente? Que peguei um zilhão de caras e abria as pernas pra qualquer um? Nunca quis, nunca fiz e contarei coisas bem diferentes, ainda bem. É só analisando o passado de alguém que a gente consegue entender o momento presente dela. Ou seja: importa.

Mas estávamos conseguindo levar, aos trancos e barrancos, apenas me irritava um pouco o fato de ele não perder a oportunidade de jogar na minha cara tudo que "aprontei" no passado.

E vai ser sempre assim quando tu te relacionares com caras que saibam do teu "passado negro". Homens não perdem essa oportunidades, mulheres são bem mais compreensivas. A prova disso é que, os caras cafajestes acabam conseguindo encontrar namoradas fiéis, loucas por eles, e até mesmo cornas que aceitem a vida de bon vivant que levam. Já quem pega o rumo de querer ser devassa por uns tempos..Demora. A não ser que encontre um cara de outra cidade e que esse fique um bom tempo sem saber do que aprontaste lá atrás
.

Até que no ano novo, foi o fim: não conseguimos passar juntos e ele ficou com outra menina.

O que também não justifica, mas enfim, ele talvez nunca tenha confiado em ti. Não por não gostar, mas por simplesmente não conseguir. Foi errado, mas erro maior ainda é um casal passar distante nessas festas de ano novo. Se ficaram longe, que não saíssem pra balada separados, pelo menos. Ele deu justificativas pra isso? Estava contigo, tinha um compromisso, e mesmo sabendo do seu past tense, aceitou namorar. Quis isso. Injustificável.

E ainda falou pra mim, se achando na razão, tudo por causa do meu passado. Obviamente decidi esquecer mais essa história, e dei um fora nele. Mas mesmo assim não consigo me sentir bem comigo mesma, me sinto culpada por tudo que eu fiz, e por ter dado errado também dessa vez.

Olhe, se sentir culpada pelo passado, acho ok. Mas pelo relacionamento ser frustrante, não. Pelo que li e compreendi, já havia algumas coisas erradas, e quando tem coisa que não deve demais junta, acaba cedo. Se ele jogava isso na sua cara com frequência, uma hora nem você mesma ia aguentar mais. Ou tu encontras alguém que aceite (ou não saiba), ou infelizmente, de vez em quando vão comentar sobre ou se sentirem tristes pelo que já aconteceu antes deles.

Mas o problema maior é essa minha dificuldade em me envolver, em confiar, e quando consigo fazer isso, sempre levo um golpe mais forte. Sempre me apaixono pelo errado, e quando aparece alguém bom e que me ame, estou sempre muito ocupada lambendo as feridas do último golpe. Não quero mais isso, mas não sei o que fazer, não sei com mudar esse meu jeito, apagar essa impressão que tiveram de mim.

Apagar, não vai ter mesmo como. Vai demorar até que tu sare totalmente, de todos esses "golpes" do destino, e também que tu encontre alguém que não ligue pra tudo isso. Então, enquanto isso não te ocorre, acho que o melhor que tu tens a fazer é não atropelar nada: cuide de ti. Não queira tanto se apaixonar, se você ainda nem consegue ser louca por você mesma. Esqueça a cilada de um amor perfeito e maior que tudo isso, antes que esse carimbo do passado te suma da alma. O melhor a fazer é focar nos estudos, na vida profissional, nas suas amigas e na família, enquanto se prepara para que algo bom de verdade te aconteça
.

E agora que ainda estou apaixonada por esse último menino, também não sei o que fazer com o sentimentos que tenho certeza de não serem igualmente recíprocos. Sinto que tudo isso que faço é uma constante desvalorização de mim mesma, sempre acho que não sou merecedora de alguém que me ame, de um relacionamento bom e saudável. Acho que sou seriamente desequilibrada hehe.

Ainda vale tudo que disse acima: até que tu te coloques em primeiro lugar, ninguém vai o fazer. Assuma seus erros como vitórias para formar um caráter bacana de quem tu hoje é. Te goste acima de qualquer cara - ainda mais desse que, parecia muito legal, mas pelo último ato mostrou que não é tanto assim. Dê um tempo para si mesma, o amor pousa na gente bem de leve, quase sem fazer com que a gente sinta, pra não nos assustar. Só assim um equilíbrio entre o seu amor próprio e o de um mero alguém é realmente possível
.

Sei que tu não vais fazer nenhum milagre, só queria uma opinião de alguém tão conhecida no assunto. Obrigada pela paciência linda, beijão.

Capaz, queridona. Espero que os conselhos sejam válidos. Descansa esse corpinho e também a mente que partir pro lado negro da força e biscatear por aí não tá com nada, não tá na moda e fica só na boca do povo, ok? Um beijão e boa sorte!


Quer enviar o seu dilema/ dúvida/ pedido de ajuda idem? Escreve bem linda pra dessagoncalves_@hotmail.com e é só ir acompanhando e aguardando que daqui uns dias tá aqui também!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bem








Basta que eu desça vá te encontrar. É repentino: o humor melhora em segundos, a pele parece quase revigorar tanta é a ansiedade para que aquilo de melhor que ando tendo nessa vida presente se faça. Estar alegre é quase sinônimo de gastar das horas para junto dele. Feito remédio - tamanho o vício, algo sempre falta se longe. Quase uma prática em que o dia desanda e demora a passar se não existe o sorriso esparramado que me consome positivamente já quando acorda. Assim como some a segurança em me sentir quase dona do mundo, caso queira, e um bocado de paz quando me livra da loucura que é pensar demais ao invés de simplesmente falar por horas, cair na distração de uma música ou filme, ir ao cinema. Apenas um beijo de verdade depois dos fogos de ano novo, ou concurso de desenhos - mesmo sendo péssima - para que a leveza de ficar pra sempre me faça nunca querer fugir do que temos. Esquecida de possíveis frustrações, raivas repentinas e ataques de reclamação, gosto mesmo é de estar dentro de um olhar compartilhado com a pessoa que prefiro em todo os planetas, de todas as galáxias e contando também as estrelas: esse bem que só me faz melhor. E mais.

É só me abraçar tão forte e sem razão para que esse desejo que adormece no meio do tédio diário em ser a melhor pessoa possível. Uma única mensagem de texto no meio da tarde, cinco dias para nós dois, longe do caos absurdo da civilização, e um alerta para que todas as células benignas dentro de mim façam com que o riso apareça, junto com as gargalhadas em cada ataque de cócegas premeditado. Ter quem ache graça e beije com vontade cada uma das minhas cicatrizes despercebidas ou pequenos defeitinhos é dádiva, mas também um pouco de equilíbrio com cheiro e cor: como conseguia viver sem ele antes de aparecer? A única certeza é de uma vida mais triste se agora sem. Tão bom poder chamar de minha essa bondade que a cada dia mais me faz além de mulher, forte, humanitária, quase domada e cordial. Dividir uma cumplicidade que se multiplica no formato perfeito de opiniões , gostos e diversão que apenas se intensifica, assim como a intimidade.

De mal nessa vida a gente já tem demais. Poluição em suas variadas formas, sentimentos ruins nos mais devastadores estilos, gente oca que ao invés de contribuir, contamina. Benção nos meu dias, sorte favorável quando o sol se intimida e não aparece, ou quando os problemas se amontoam e o choro só conseguem encontrar conforto no melhor ombro existente para se descansar e acreditar, seja por segundos, que tudo é bom e agradável num espaço paralelo e que na verdade só existe quando estamos juntos. Bem, meu lindo, meu bem maior: é seguir por esse mesmo caminho que a vaga da continuidade tendo você como a minha felicidade através do tempo e motivo para sorrir antes de dormir todas as noites será sua. Sempre.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ao ano que vem.





Querido que ainda desconhecido, começo.Venho cheia de certezas bater um papo para, quem sabe, fazer com que entremos em sintonia. Mesmo que ande impossível, ou que assim seja para todo o sempre, em relação à mim - tão fugaz, fugídia, escapista. Porém, pedir que você permita que eu irrompa todas as instabilidades que vem pela frente, no formato vinte mais quatro horas, diariamente, é suplicar para que me atenda o telefone. Que pouse então, ao chão, e num mesmo nivelamento, eu possa com calma dar os passos que faltam para entrar em você serena, complacente. Tudo porque, como é de praxe, detesto final de ano. Me torno a pessoa mais reflexiva possível, e como é de conhecimento geral, pensar demais enlouquece, sim. Revejo erros, tento acertos atrasados, e tracejos promessas inconsequentes, que se quebrarão assim que a primeira semana de uma nova data se conferir por entre agendas e jornais, revistas. E você será a capa das infindáveis publicações, tentando ser compreendido pela massa, revolucionando com previsões que também em sua maioria não se cumprem. Se você promete a todos, caibo em meu papel de meu auto iludir - muito menos catastrófico, aposte.
Por fim, não se mire ao exemplo de seu irmão mais velho, que te cede o trono. Honre essa coroa que em ti estará, e dê a tal felicidade tão escondida, àqueles que não desistiram de tentar acertar nos dados que a vida joga. Olhe com sensibilidade para tudo que se plantou e ainda não floresceu, e não seja bandido de roubar da horta alheia, correta, para presentear aos que desmerecem: aja com justiça. Mesmo novo, vá por si só. Pense e aja com revolução, mudanças, inovações. Coloque alguns desafios, que é pra dar aqueles sustos de perder um pouco o sono e tremer na base de vez em quando, só pra não deixar demasiadamente fácil a tarefa que é ser humano e estar vivo. Deixe que o povo fale e ouça, que se comunique. Isso está em alta, te digo. Saber ouvir, e querer dizer, complementar; muitas vezes, é o que tem salvo casamentos quase desmoronados, e relações que ainda não tiveram tempo de amadurecer. Por favor, traga amor ao pessoal. Como dizem, sem gelo e em doses fartas: que nos embriague mais que a champagne do brinde à meia-noite, e faça jus às nossas roupas de baixo, sempre temáticas e piedosas. Mas amor que fique, amor real, sem contos de fadas e paixões borboleteadas. Real, e puro; forte e consistente, completamente apaixonado, e ainda assim, amável, o amor. Estável, entende. Que marque, mas também que fique. Que dê o gostinho de felicidade, mas que mostre também que há sabores ainda obscuros, igualmente imperdíveis.
Se você me vir, já sabe: avise o cupido que é pra acertar o alvo. Não só em mim, mas em alguém que queira exatamente o que desejo, me acompanhe. Traga mais risos infantis, em meios a tardes tediosas. Algumas brincadeiras com meus pequenos, que vejo crescer e sabe-se lá até quando assim será. Maior carinho entre eu e meus pais, que tanto amo e às vezes escondo. Guarde as tão minhas lágrimas para ocasiões necessárias, mas existentes (algum aperto no peito nos embriaga de nós mesmos por ventura, e além do mais, chorar só se for de alegria). Dias de verão, para que me sinta saudável e bonita. Dias de inverno, para que me aqueça em algum outro corpo que não sei e reconheça o aconchego de deitar e dormir, e se cobrir quase que até a cabeça. Conserve as amizades que fazem sentido, e pode levar aquelas que de superficialidade sobrevivem: quanto mais cedo o que não vale a pena se vai, aqueles que podem mudar nossa vida antes chegam. E para melhor. Bebedeiras com minhas companheiras, momentos de confissões entre amigas. Beijos apaixonados, ou não. Mas beijos. Abraços com altas doses de força e calor. Conselhos sábios, mas poucos - pergunte à seus antecessores: eu não sigo. Eventuais loucuras, para o livro de histórias da vovó que futuramente serei. Quem sabe um carro, aceito também um apartamento. Emprego, dinheiro no bolso, na carteira e espalhado pela bolsa. Saúde ótima, pra que eu tenha a liberdade de aprontar, aprender e fazer com que isso apenas me deixe ainda mais forte. Intuição e fé, pra que eu saiba os caminhos a seguir, e que sejam estes sem complicações fúteis.
E principalmente, 2011, que você me faça feliz. Não me maltrate, suplico. Me deixe contente em ter não apostado todas minhas fichas em você, e me surpreenda, se o caso for. Porém, que tatue nos cadernos e pautas, no que escrevo e que vivo a cor que o ano que ainda não terminou se esqueceu de fixar. Vilão que foi, acabou sem demais sorrisos, e levou consigo tanto a alegria extrema quanto a tristeza lamuriante que vivi os doze longos meses (quase) passados. Deixou vazio, inteirinho pra que você pinte e borde o que quiser. E que desde já, peço que é pra acontecer: que venha, e que chegue com força. Me surpreenda, e faça-se meu herói. Seja o que não foi 2010, e seu papel cumprido será: daqui um ano, quando estiver exercitando o pensamento e novamente dedilhando teclas e idéias, posso pensar 'não acabe dois-mil-e-dez, você não prometeu e existiu'.