quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dois goles de eternidade




Começou quando passava pela casa de janelas abertas, enquanto caminhava pela zona próxima a minha casa. Era domingo, e eu que deixei de detestar o dia para chorar a cada fim de noite, lembro ainda da cena do casal de senhores assistindo ao Domingão do Faustão na tevê. Fiquei a imaginar ouvir de você que "nós não vamos ser assim, tá?", e concordaria, convicta: estaremos brincando com nossos netos, isso sim. Teve também aquela outra vez em que olhava o fogão acoplado à copa do salão de festas de um amigo. Foi quando eu disse que "nem deve ser tão caro um desses" esperando que, em seguida se lá estivesse, esboçasse algo como "nós vamos ter um, sabia?" e sentir a alegria medrosa de viver, quem sabe, um conto de fadas da era moderna. Feliz com o que antes também havia pensado, porém, sem dizer, afirmaria: sim, nós vamos.

Mal consigo imaginar o dia de amanhã, e promessas, eu admito: me dão calafrios. Elevam ainda mais minha já superestimada ansiedade. Mas se for sempre assim, por mim, poderia ser para sempre. Pro meu próprio bem, deveria. Mesmo que, assim que você me deixe em casa eu desabe de melancolia já no percurso curto que leva uma eternidade até minha casa. Ainda que seja a cada dois ou três dias, porém que faça a minha vivacidade aflorar só por estar prontinha no final de tarde, esperando você no shopping que fica perto. O importante é escutar a sua voz dizendo "lindinha" de vez em quando, só pra negar com a cabeça enquanto você ri. É a competição sempre perdida em que o abraço mais apertado que você consegue me dar vence quase sempre no intervalo entre as minhas falas descontroladas que não consigo frear. Só para depois de dias corridos e chuvosos que tem feito te esperar precipitada para fazer a graça divina do seu sorriso ao me ver. Porque é desses detalhes tão pequenos de nós dois que eu vejo o quanto uma pequena briga qualquer se ouver qulquer dia se torna um grão no meio da imensidão toda que é a recompensa de se apaixonar todo santo dia pela mesma melhor pessoa escolhida.

Somos novos demais e não levamos muita fé nos matrimônios atuais. Igual, me apraze esse eterno enquanto dure que cada vez mais se torna presente e digno de continuar sendo dia após dia. Detestadora de química e afins, seria capaz de inventar uma poção de nome qualquer mas com efeito prolongador de eternidade duradouro o suficiente pra que isso não tivesse fim por motivos banais ou com o desgaste do tempo, especial que é o que temos. Um gole pra cada, divididos de um mesmo frasco da porção única só para nós dois. Porque esses melhores momentos do mundo me arrepiam só de relembrar e escrever, cheia de uma vontade que seja amanhã logo e tudo se repita da maneira singular, e por isso mesmo boa que há meses tem sido e não nos enjoa. Dava para ter gerado uma vida, mas, incrível - o que nasceu em mim foi uma vontade de pra sempre antes nunca transcrita na mente, sentida aos pulos do coração até a palpitação das veias, quase saindo pra fora do tanto que existem. Autodestrutiva, que seja. Venenosa ao longo do tempo, arrepiante também porque até cruzar a linha entre ilusão e realidade a gente tem dificuldade em perceber. Mas que se for pra ser, que seja querendo muito: até que o destino separe, sem prever términos nem muito menos desejar o fim.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dias de Clarice

Trinta e quatro anos atrás. Minha mãe uma criança, nem ao menos pensando em me ter. Provavelmente, brincando na grama, vivendo a vida de interior onde se come pão feito em casa, e massa caseira toda semana. Meu pai, menino da cidade, passeava por aí em seu triciclo e corria, veloz - sempre aventureiro. E talvez nem tenham acompanhado de perto toda a cobertura desse evento todo que foi, a morte da ucraniana mais brasileira que mais acrescentou, em termos literários, para o país. Você, Clarice. Adicta fervorosa do cigarro, sempre à mão. Representante intensa das letras, mesmo depois do acidente de sua casa queimada. Nos deixou órfãos, cedo partiu. Sedentos por mais, quem sabe. Palavras tão bem manuseadas por seu pensamento, colocadas em ordem por suas mãos, batendo à máquina de escrever, outro vício. Feminina. Uma mulher com alma de anjo, queres passionais, de ser-humano que queria ser mais, se superar sempre, a cada escrita. Singular ao mundo brasileiro, foi pessoa universal, provinda do velho continente (ainda assim, querendo interminavelmente, pertencer a essa pátria, ser reconhecida como cidadã do maior país da latino americano). Dificultosa, como intrínseca. Visceral. Essa era a sua persona, nos contam todas as ótimas biografias já lançadas com a temática do seu existencialismo. Não pelo que vi, ou meus pais não me contaram - tão jovens que eram. Sobretudo, desse jeito que nos narram pelas diversas biografias, pela dimensão ensurdecedora que suas palavras tomaram apenas hoje em dia. O reconhecimento gosta de chegar, aos que melhores foram, e tanto se dedicaram ao longo de uma vida, quase sempre apenas tardiamente, o que é uma pena.

E se viva, como veria todo esse alvoroço à sua volta? Com temor, ou algum contentamento? Frases clichês, fragmentos esdrúxulos, trechos que não a pertencem levando seu nome e assinatura redes sociais, trabalhos de faculdade, presentes com cartão e dedicatória país afora. Para quem leu, e é admirador há mais de anos, um nojo. Realmente desgostante. Eu, que por volta dos quinze anos (ou seja, há quatro), me vi iniciada numa leitura capaz de fazer submergir por horas, habitar temporariamente outras galáxias, uma realidade inexistente, porém, impactante de tão detalhada, hoje quero continuar gostando da sua literatura, Clarice, mesmo que um mundo clichê me faça ter náuses e um pouco de ciúme por não saber ser apaixonado da maneira avassaladora como seriam, caso realmente lessem suas obras. Se consideram fãs do que conhecem apenas superficialmente - porém, infelizmente, essa é uma das ressalvas do mundo atual. Duvido que você fosse simpatizar.

Enfim, ao invés de sentir uma felicidade possível em ver seu nome na boca do povo, nos sites e jornais locais e de demais estados, é a perplexidade desse saboreio frívolo a única coisa que consigo sentir. Que, mesmo após esses trinta e quatro anos, pessoas leiam e consigam apreciar um texto inteiro seu, no lugar de apenas se apaixonar por uma frase amputada. Que amanhã, ao comemorarem seus noventa e um anos (prefiro os números escritos em extenso, é mania minha), quem realmente é adicto da sua literatura a explore da rica maneira que só consegue quem tem sensibilidade suficiente para suportar: lendo-a inteira, não apenas em aplicativos ou nas errôneas junções de palavras que pelas suas frágeis mãos não foram escritas ou datilografadas. Tão logo acaba esse modismo de querer conforto no desconhecido, disseminando por aí o que mal conhecem, elegendo como "escritores favoritos" de temporariamente algum outro que pareça dar conselhos por meio da escrita, e volta a paz em torno daqueles que conseguem contemplar com destreza uma literatura preciosa, pensante e na qual a gente se inunda e mergulha com prazer. Singularíssima, excepcional. Absoluta.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Como perder uma mulher em dez dicas

- Indiferença exacerbada: Não corra atrás, esqueça que telefone existe, evite mensagens de texto. Faça da sua frieza a arma mais eficaz para atingir o centro caloroso dos sentimentos femininos da dita cuja. Cague para a vida dela, se está bem, se tem problemas. Aja como se tanto sua vida com, quanto sua vida sem ela fossem a mesma.

- Fale da ex: É regra. Quer causar constrangimento e fazer com que comparações, imagens, diálogos e situações sejam perversamente povoados pela imaginação fértil feminina? Basta citar seu último relacionamento. Qualquer coisa acerca do assunto de quem já esteve ao seu lado, tanto como ódio, quanto como ainda amor, ajudarão um tanto para a fuga da moça.

- Descuide-se: Geralmente, são poucas as fãs de metrossexuais. Mas se cuidar é diferente. Basta lavar com frequência o cabelo, cortar as unhas de pés e mãos, não dar espaço para o chulé invadir tanto os tênis quanto impregnar no corpo, se alimentar de forma balanceada ou normal (em excesso ou em falta geram padrões como "magro demais" ou "gordo demais"). Escove menos os dentes, deixe intacto o desodorante. A linha entre se cuidar ou não, e se cuidar ou aderir à metrossexualidade é bastante tênue. Contudo, desleixo é sempre motivo de repúdio. Não use perfume e nem roupas limpas. Agrava.

- Musicalmente escroto: Tenha um gosto musical medíocre, como funk, pagode, ou as repetidas músicas que tocam no rádio. Desconheça (ou finja) grandes clássicos e bandas que todos com maioridade da carteira de identidade deveriam. Mostre-se feliz em consumir a cultura de massa que a mídia faz engolir os de cabeça e personalidade menos existentes.

- Desilusão Ortográfico Amorosa: Escreva "mais" no lugar de "mas". Logo em seguida, "concerteza", "denovo". Redija "adevogado" - vale para a fala também. Use várias vogais como '"coomo taa?" e algumas exclamações e interrogações pontuando mais que o normal. Se a conversa for via mensagens intantâneas, vale usar a abusar dos emoticons.

- Maus modos: Mastigue de boca aberta, nunca dê espaço para que ela ande na frente ou passe primeiro, não ofereça o braço e sequer a mão quando juntos andando por aí. Palite os dentes, não lave as mãos nem levante a tampa quando for ao banheiro. Destrate qualquer criatura passível da sua agressividade: vale a garçonete, o guardador de carros, o motorista ao lado. Impressionte sendo um ser bruto e total desprendido dos bons constumes.

- Vestes estranhas: Abuse e vista roupas e combinações fora do padrão. Vá de cores berrantes, indiscretas e descombinadas. Vale usar calças skinny ou sarouel masculina (nojo!). Use boinas, chapéus, colares, pulseiras e demais acessórios que costumam não ficar bem em cara nenhum. Vale um brinquinho postiço, piercing na sobrancelha e afins.

- Bebidas ou drogas em demasia: Nenhum mulher quer passear por aí com um vegetal humano ou ir pra balada com quem a faça, de alguma maneira, chamar atenção por meio de vexames, atitudes exageradas ou vômitos no meio da pista de dança.

- Grude: Ligue a cada cinco minutos, mande mensagens melosas com poemas complicados que nem mesmo ela compreenderá, dê bombons, flores e uma carta cheia de declarações e frases apaixonadas, não importando se vocês mal se conhecem ou coisa do gênero. A intenção é realmente essa: que ela se sinta sufocada, e você a perca. Não é? Grude nela, mesmo sendo a atitude mais insuportável numerada.

- Ou, simplesmente, dance: A teoria que ronda os banheiros femininos é de que, ou um cara dança muitíssimo bem, ou fracassa ao tentar remexer o quadril e pés e articular o corpo decentemente. Poucos homens dançam bem. A chance de você dançar loucamente e espantar a menina é consideravelmente alta. Use para o bem, se controlando ao máximo, ou fazendo com que ela se envergonhe e suma da sua frente logo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A moça que não tinha personalidade



O cabelo, cópia das garotas mais velhas e antenadas que realmente sabem o que fica bem em si mesmas, e então, mudam. O gosto musical, aos poucos se tornando igual ao da melhor amiga, misturado ao do namorado, e das primas que vivem longe. O estilo em se vestir, observado milimetricamente a cada peça de roupa que garotas autênticas ou que imprimem personalidade ao seu estilo pessoal usam: e claro, compra parecido, tenta combinar igual. O que resulta apenas numa tentativa mal acabada de querer ser um pouco de cada, e a escolha estúpida de deixar de ser ela própria: uma caricatura sem animação particular. Um esboço pintado sem empréstimo prévio ou permissão alheia.

Opinião é algo que costuma desconhecer. Se tem, não exprime. Quando expressa, nunca é algo que a própria mente construiu, baseada em bagagem cultural ou fatos passados - mas sim, que viu por aí, e escolheu seguir feito Maria que vai com todas as outras no bando. Geralmente, são bonitinhas. Mas mesmo quando de uma beleza extrema, algo falta: uma marca registrada, um encanto às vezes secreto e valendo ser até mesmo misterioso, mas que a faça também diferente numa sociedade onde todos buscam, ao invés de igualdade, participar do denominador comum. Lê apenas auto-ajuda que não contribuí intelectualmente ou best sellers no topo das vendas, afinal, a melhor recomendação para essa garota é a de massa: aquela onde se encontra a maioria, e que pensa ela, que será mais aceita se fizer parte. Mostra mais a maquiagem, feito máscara (quase fortaleza) onde esconde os próprios gostos, a fala livre e as diversas manias que deve ter, do que o jeito apenas seu, mesmo que peculiar, de ser - e que não se deu ainda a chance de descobrir. Uma personagem a cada dia, nenhum amor real e consistente, que veja lágrimas, se apaixone pelas diversas feições, e fique: amam é o corpo, tentam mas não por muito conseguem sentir o mesmo pela individualidade. Dá pena.

Sabem, eu tenho pena dessas moças que esquecem que ter uma personalidade vale muito mais que ter um corpo enxuto e bonito, ou o cartão de crédito dos pais para quando precisarem. Porque, assim que o mundo pedir que apresentem os motivos de porque aqui estão, geralmente, mal elas sabem. A rebeldia que encenam é sempre inspirada nos seriados e telenovelas em alta. As diversas facetas que mostram ao mundo, resultado para quem não possuem uma mesma que seja híbrida, mas que se adapte facilmente em qualquer ocasião. Ligar pro que os outros pensam, uma constância na lista de preocupações. Como marcar alguém com tanto clichê? Photohop para a maneira singular de se existir, não existe ainda, querida. Vá, corra atrás do que verdadeiramente alimenta o seu eu interior que quer viver em liberdade e por cima das tantas fantasias que você cria mesmo serem melhores do que é. Arrume a bagunça que se formou por entre preferências e jeitos, cores e filmes, e selecione para tocar no tempo presente o que fizer de você também uma exceção: o feio não existe, excêntrico é algo individual, ser um pouco peculiar, às vezes - ou em boa parte do tempo - também faz rir e recompensa. Agora, aprenda.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Verborragia







Hoje eu só quero falar e vai ser tudo sem ponto mesmo porque é como se estivéssemos atrelados a uma ligação rápida e na qual a pressa se antecipa, estanca em frente às palavras que deveriam sair mas somente quando abro o registro para que se inicieo brainstorm insolúvel no qual me encontro. A fase anda difícil, os dias se arrastando; a vida, inconclusiva. Dá aquela vontade insana de sumir pra longe, sentar numa grama que extirpe do corpo o cansaço, da mente as ideias ruins, do inconsciente os pesadelos que tem freado meu sono, atormentado meus sonhos e feito a noite possuir meus olhos abertos, em claro - tento dormir e não dá, viro pro lado e não sinto conforto, arrisco não pensar em nada, o que me resulta numa enxurrada de ideias antes nunca exploradas, pensamentos jocosos, aqueles porquês que a gente não entende mas transforma em minhoca na cabeça justo quando deveria deixar o cérebro de molho, em repouso absoluto.

A gente é mais novo e pensa que não precisa de ninguém, que assim que completar a maioridade vai sair de casa, ter um salário digno para se sustentar, e conseguir levar a faculdade numa boa. Tem tédio do mundo - o que acho totalmente justificável, submersos nessa chatice crônica dos dias e das pessoas vazias - e demora pra achar ao menos uma amiga de verdade, um amigo gay que valha a pena, dê conselhos ponderados da cabeça masculina que deseja também homens, e mais: um cara decente que mereça nos ver caidinha de amor. Ficamos patéticos enamorados, todos. E se não for o tipo do trabalho a ser feito em dupla, além de não valer o estrago, a compreensão não compensa. Somos obrigados a passar por um arsenal de gente escrota, por vezes feia, algumas outras, insuportáveis, acéfalas ou estranhas, até que se permita um pouco da idiotice viciante que faz com a gente o amor. Pensamos que as pessoas que mais nos amam vão achar bacana nos dividir um pouquinho em prol da nossa felicidade, mas não: querem competição, travam guerra injusta, ultimato e somem da vida da gente, de repente.

Daí as pessoas vem me explicar que a vida tem altos e baixos. Como estar lá em cima, e simultaneamente, no fundo do poço? É esse um momento onde a felicidade, quando aparece, irradia. A tristeza, quando visita, só falta tirar pedaços, me deixando andar por aí um tanto zumbi quanto às expectativas das horas que não passam, submersa no tédio diário onde as coisas não acontecem, as situações não se desenvolvem, e ser positiva acaba sendo a minha única - mas prometo, não última - alternativa. Aquele nojo úmido de quem não sabe trançar as qualidades e os defeitos num jeito próprio e personalizado de se existir. Uma preguiça de gente que fala miando, um pavor de quem tenta me explicar tudo mastigadinho como se fosse burra demais só por ser nova demais. A corrida maluca onde folhas do calendário caem em desenho animado e a gente quase nem sente a semana voar (só fico feliz no final dela, nos três dias que tenho a paz do sorriso de quem me quer bem, curando todo esse meu cansaço acumulado).

A gente cansa, e o desabafo é preciso antes que eu mesma desabe: mental, escrito, falado; retrato dessa constância mórbida que a vida se releva de vez em quando. Demora a passar cinco minutos, uma lentidão até que se tenham ido duas horas, e em compensação, estamos de noite novamente sentados no sofá de casa, pensando em tomar banho, de pijama rastejando até a cama, e tentato pregar o olho porque dormir, acima de qualquer prazer, tem sido um dos remédios. Que quero eu, dessa insanidade que é viver? Dinheiro, para antes de existir, habitar e consumir (não me venham com a hipocrisia de socialismo, filhos da geração Y - somos consumistas, todos, e ao longo do tempo, nada demais terá isso). Acordar ao lado de quem gostamos, para que o perfume embre que o dia já começou bem, e com um tanto de sorte. A alegria dos almoços entre amigos, onde posso espairar um tanto, deixar de lado a seriedade de submergir na luta diária, momentos de paz & amor & risos incontidos por motivos aparentemente banais. Muita sorte, pra que o esforço não seja em vão. Foco e determinação. Suavidade e noites calmas. Beijos de verdade. Sol, ar condicionado, roupas novas, viagem de natal: tudo aquilo que me salva de falar demais como sempre, sentir alucinadamente e frear o cérebro afim de poupar as ideias e não pensar em demasia. Eles, só eles, só essas pessoas. E a paz, que também são eles quem traz - me cala com agafos, cócegas na cintura, desses repentes onde o branco se torna azul e me livro do peso que tem todo o planeta. Fim

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Andressa responde: Ele tem brochado, ela não sabe o que fazer.

*
Oi Andressa, acompanho seu blog há muito tempo e tem me ajudado bastante em algumas questões do relacionamento. Vou contar um pouco da minha história e pedir sua ajuda sobre um lance que tem acontecido no meu namoro.

Olá, acho ótimo ler isso. Fico sempre feliz! Vamos ao que tem ocorrido, então.
Meu relacionamento completou 5 anos, dos quais todos vividos com muita intensidade, amor e respeito de ambas as partes. Como todo casal, tivemos várias brigas, por ciúmes, algumas mentirinhas, e até chegamos a romper uma vez. Três meses depois voltamos, percebemos que tanto tempo juntos não podia ser jogado fora.

Acho que há motivos além de "tempo perdido" para se retomar um relacionamento. Mas ok, se voltaram e a felicidade perdurou por tempo razoável, deve ter sido válido. Não julgo.
Desde então, nossa relação só tem melhorado. Nos tornamos mais próximos, passamos mais tempo juntos, ele tem sido cada vez mais carinhoso, amoroso e etc. Aos olhos dos outros, nosso relacionamento é perfeito, todas minhas amigas pedem dicas e conselhos, todos elogiam. A longo prazo, começamos até mesmo a planejar nosso casamento.

Talvez eu seja a única pessoa nesse mundo que não é fã de "relacionamentos perfeitos". Somos tão humanos, e por isso mesmo, tão errantes..Acho BEM duvidoso quando vejo de fora "casais perfeitos". Tem algo ali, sempre. Sou muito mais a imperfeição apaixonada de ser quem somos e, aceitarmos o outro bem do jeitinho que ele é. Com falhas, com defeitos, manias e toda a personalidade possível. Quanto ao casamento, levei um sustinho, confesso. Não sei quandos anos você tem, ou se segue alguma religião, mas deve ser nova demais para subir ao altar, menina! Cuidado. Se você me escreveu, é porque algo te aflige. E se tem alguma pedra no sapato que você não tem conseguido solucionar sozinha, deve pensar muito antes de tomar uma decisão importante como essa.

Só que nem tudo é um mar de rosas. De uns meses pra cá, temos enfrentado um probleminha que vem minando nossa relação: o sexo, que antes era maravilhoso - e frequente - passou a se tornar mais escasso e meu namorado passou a falhar algumas vezes na hora H. Na linguagem popular, ele tem brochado.

Claro, eu já imaginava que nem tudo eram blues e a lente rosa do amor. Até porque, é um pouco disso que impulsiona a gente a continuar se relacionando, muitas vezes - o desafio constante de permanecer na vida do outro de forma marcante, viva. Sexo é muito importante pra qualquer relacionamento. Se não ocorre, na minha visão, tem algo errado sim. Se era frequente, e de repente, começou a não ser mais, eu questionaria também. Agora, ele ter brochado, putz...Que droga. Nunca aconteceu comigo, não sei qual a sensação no calor do momento, mas acho que ficaria decepcionada. Dizem que temos que ser compreensivas, dar uma chance ao cara, pode ser só uma vez e cansaço ou os problemas tomando conta. Ok. Agora, se tornar quase rotina, acho brabo.

Na primeira vez que aconteceu, senti que ele ficou super sem jeito, tentou explicar, mas não conseguiu e eu simplesmente peguei minhas coisas e fui embora.

Não julgo, acho que faria a mesma coisa. Mil coisas devem ter voado na sua cabeça, como "meu corpo é que está ruim", "ele não me ama mais", ou "por que isso, deus?". Reações, sempre da pior maneira possível. Porém, de uma espontaneidade que acho incrível. Foi você mesma, e isso vale muito também.
Eu sei que todos dizem que a mulher deve ser compreensiva nesses momentos para ajudar o homem, mas eu não aguentei, passaram-se mil coisas na minha cabeça: ele tem outra, ele não sente mais tesão por mim, ele não me ama.

Tudo que eu tinha dito. Sim. Na primeira vez, ok. Nas demais, sei não.
Depois, aconteceram mais duas vezes e cada vez nossa relação tem se tornando mais estranha. Tenho evitado ao máximo situações que podem acabar em sexo.

Poxa guria, que triste. Deve ser tão complicado sentir tesão no cara que ama, e se ver obrigada a forçar que o sexo simplesmente não ocorra, pois você ficará frustrada. Já conversaram sobre o assunto? Se não, com urgência deve ser feito. Normal, não é, e ele sabe disso. Fique atenta aos sinais. Perceba os gestos dele enquanto explica a sua versão de tudo isso. Qualquer detalhezinho se torna importante nessas horas.
Eu não sei o que fazer. Já tentei conversar, já tentei lingerie nova, entre outras coisas e nada. Às vezes, tento justificar a situação pois ele tá passando por uma barra, os pais dele estão se separando, ele está indo mal na faculdade por isso, anda meio nervoso.

Você já tentou conversar, e pelo visto, ele desconversou. Tentou lingerie nova, outros apetrechos, uma atitude mais agressiva, talvez, e nenhuma melhora. Homem não vive sem sexo. Desculpa mas, pra mim, isso está se tornando cada vez mais estranho. Justificar o problema com mais problemas não é uma forma muito eficaz, porque, pensem comigo: quando a gente está na pior, quer, mais que tudo, achar uma forma de ficar bem. E o sexo é ótimo pra isso. Dizem até que, fazemos da relação sexual um espaço a preencher as faltas que vamos tendo no dia a dia. Um espaço onde o prazer nos enfeitiça, pelo tempo que dura, para que liberemos a adrenalina e agressividade do que não vem funcionando na "vida real". Por isso, não justifica.
Mas não consigo entender. Não consigo ver como o nosso relacionamento, que antes era mais que saudável - em relação ao sexo - de repente se tornou frio. Ficaria muito agradecida se você me desse sua opinião, que para mim, vale muito. Eu tenho estado muito mal, minha auto-estima tá zero e eu sinto que meu relacionamento, que já não é o mesmo de antes, está por um fio. O que você acha, Andressa?

Ô, guria. Como já disse nas pausas em que em meto acima, acho tão triste isso. E do nada. Acho que uma boa e franca conversa, olhando no olho, ajuda bastante. Nem que você force. Ele terá que falar. As suas tentativas já foram bastante válidas, e não deram em nada concreto, o que é ainda mais triste. Por isso, tente o papo. Caso não dê, mostre a ele que, para você, o sexo é importante, e a chama precisa ser reacendida. Perceba os sinais também - tanto do corpo, que ele emite ao se expressar, tanto da face, que diz muito mas quase nunca com palavras. Os possíveis problemas que ele está passando afetam um pouco, claro, mas para mim, ao menos, não cabem como desculpa. Caso tudo dê errado, dê um tempo no relacionamento. Não aqueles "dar um tempo" onde os dois saem por aí, se traem e coisa e tal. Mas alguns dias distante. Diga que precisa de uns dias para você, e tome chá de sumiço. Assim, ele pode ter a chance de perceber o que realmente sente - de fazer com que o desejo pela sua pessoa se renove. Aproveite esse tempo também para pensar, repensar, renovar a própria libido. Dê um gás na autoestima, vá ao salão, compre roupas, se exercite. E acho que é isso. Espero que dê tudo certo, e que vocês voltem a copular com sucesso e prazer em breve! Boa sorte, beijoca!

Quer enviar sua pergunta também? Se joga no send it pra dessagoncalves_@hotmail.com e se estiver tudo bonitinho e eu entender bem a questão, é só esperar!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A roupa, não.


Um belo dia, ele vai falar da sua roupa. A tentativa será sutil: nada que dirá diretamente que você está gorda, bizarra ou vulgar. Lógico que não. Mas de repente, perguntará o que mais você trouxe, além daquela saia. Poxa, eu gosto mais daquela blusa. Por que você não coloca aquele outro vestido (que na verdade, usa pra ficar em casa ou ir no trabalho, bem distante das comemorações e saídas oportunas dos finais de semana). Acho as blusas com esse tecido - que é a renda, claro - que você tem um tanto "estranhas". E se você só levou duas ou três mudas, já tendo planejado a semana toda que usaria aquele top cropped com o short cintura alta, e cinco minutos antes de sair escuta alguma infâmia dessas, o mundo de repente para. Se estiver de TPM, acentua: como assim? Eu vou com essa roupa, sim senhor. Qual é o problema? Pois trate de me falar, e já. Ah, não gostou? É só isso? Desde quando a pós-graduação em Moda feita em Paris que eu não sabia? Enfurecemos, é óbvio.

Vasculhamos o armário, ou a singela mala que levamos apenas para passar um dia, dois, longe de casa. Nada que sirva. Na verdade, no corpo sim: mas não para a ocasião, e com maior certeza ainda, não para o nosso humor no momento. Ele quer ajudar. "Deixa eu ver o que tem aqui". Palpita pelo vestido curtíssimo, mas implicou com o traço de cerca de quatro dedos de barriga de fora que você havia vestido, sentindo-se radiante. Experimenta. Detesta. Troca o biquíni, tenta um camisetão, e nada. A vontade de ir praticamente esvaziando a paciência; a autoimagem, quase destruída: uma monstra sem peças decentes que montem algo criativo e que fique bem no corpo no improviso. Frustração notada. Reclamações possíveis: mas amor, tá tão feio assim? Acha mesmo? Tá, tudo bem, mas agora mesmo que eu vista, vou me achando horrorosa. Não sei o que fazer. Perdi a vontade de ir. Não se faz isso, viu? Não num sábado de manhã, nem dez minutos antes de sair, e muito menos com uma mulher em TPM. Sem falar nas quantas e tantas vezes que saímos com eles estando com traje de dormir, camiseta furada ou de viagem, calção de academia ou combinação estranha, sem nem comentar nada? Por que roupa importa sim, mas é mais quando trajadas em nós, que nos queridos.

Saíram meses juntos, e nem um pequenino comentário quanto ao seu comportamento vestido. Um "mas vai de meia-calça, né?", quando o short era hot pants, quem sabe, e só. Esse tempo todo, me achou cafona e não disse? Por que está comigo, então? E às vezes é ciúmes, noutras uma posse meio cega de deixar que a gente mostre por aí pedacinhos, parcelas, traços que apenas ele vê. Dito então "Estou com ciúmes, tá bonita demais", e fim. Mas homens, graças a deus, são homens - e falta o tato em dizer o que realmente desejam, na maioria das vezes. Sim, algumas vezes é mera opinião, e devemos levar em conta, afinal, é quem sairá conosco de mãos dadas ruas afora. Porém, quando for apenas esse desejo de gostar de ver mais roupa e menos corpo de fora, sejam além de diretos, centralizados no foco em questão: um ciuminho talvez, com uma pitada de opinião própria de quem (quase sempre) não leva a moda a sério. Por isso, opinem no que bem entenderem, com alguma cautela, contudo: viagens, faculdade, emprego e até mesmo família. Agora, a roupa não, rapazes. Suplicamos!