sábado, 31 de dezembro de 2011
Esnobe
Sempre fui assim, acanhada; despercebida, low profile. Foragida de gritos escandalosos, abraços demasiadamente apertados, ou barracos em lugares cheios. Cética, escolhia ficar de fora de todo esse tráfego intenso de movimentos e superficialidades. Observadora das sensações alheias, interrogadora de dores e delícias, questionadora de posicionamentos, virtudes, e verdades. Contudo, mantendo tal barreira divisória e indivisível; necessária. Aquele ponto crucial entre se tornar, ou ficar apenas na especulação. E aí, às vezes, vinha alguém e comentava com não sei quem outro, fulano de tal, o que chegava até mim: é metida. Ou diziam então, que: ela é esnobe. Enjoada. Quando na verdade, era só essa minha mania infantil de observar o movimento dos corpos, suas alegorias endógenas e restritas, tentando decifrar sempre, quando é que o ser que somos de fora, se une à toda essa intimidadade oculta que carregamos dentro de nós. Ver, antes de agir; sempre. Sem nunca encontrar a resposta, me permitindo teorizar que, alguns vinham para a vida carregados de uma sorte que, outros só teriam em pensamento - ou sonho. E falavam então, que ela olhava de cima, por entre o nariz empinado, e o pescoço erguido (com um ar superiormente egípcio que nem eu mesma havia conhecido em mim), com desprezo e dó por todos esses e aqueles que por entre o cotidiano atravessavam. Enquanto não passava de uma menina com olhos atentos e vivos, a boca semi-cerrada , figurando a mesma cara amarrada de sempre. Insegura, descabida em si. Olhando para os pés, ou mesmo decifrando o chão e quaisquer desigualdades nele postas, caminhos ainda incompreensíveis, distintos. Ajeitando as roupas meio amassadas, e fingindo pouco ligar pro resto do mundo: feliz apenas em estar consigo e ninguém mais; completa numa solidão cúmplice de ser sozinha - e não se descabelar por conta disso. Tendo em mente que em sua própria companhia, não há margem para o erro, não existe quem a trairá. E se com cuidado me amedontra estar com os outros, e expor minha opiniões e gostos, isso é medo puro, e não falta de vontade. Cuidado, e não efusividade. Porque as conclusões exatas, só podem ser tiradas do forno quando conhecemos o não só as lágrimas, quanto o sorriso alheio. As graves faltas, os desejos mais profundos e disseminados. Convencidos somos todos nós, das próprias crenças, daquilo que nos cerca e podemos atingir. Talvez por isso, assim quieta e desinteressada nos fatos comuns, nas histórias repetitivas, e das pessoas sem sal nem pimenta, assim: esnobando a vida, se resguardando em si. Don't be shy
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Andressa Responde: : A querida e o coitado típico
Oi Guria,
Primeiramente, gostaria de agradecer por este ano de 2011, pelos seus textos, tweets e afins. Tua paciência e solidariedade de doar um tempo do seu dia para responder e aconselhar à muitas leitoras em situações tensas!
Ó, mas muito obrigada, dona moça.
Meu agradecimento vai um pouco mais além, afinal é a segunda vez que te escrevo. Segui seu conselho quando me respondeu sobre a ciumeira do meu querido e, it works! O ciúmes já não era mais um problema, foram outros fatores que me levaram a refletir e repensar a possível continuidade ou não de uma caminhada juntos, e eis o meu desabafo e pedido de ajuda.
Vambora, então.
Quatro meses de namoro, tudo estava correndo bem...Se não fosse pelo "coitadismo" dele (sim, depois de ler o seu texto sobre o assunto decidi que era a melhor hora para escrever). Por 4 meses acho que pude sentir o que é "ser o homem da relação" e você entenderá bem o porque disse isso.
Ui, medo. Vamos adiante ver o porque então.
Sempre fui uma pessoa positiva, "pra cima", que gosta de rir e fazer piada até da própria desgraça, alegre, e super ativa com tudo, tentei fazer da minha vida uma aventura a cada dia, correndo, conquistando e lutando até o fim por algo que queria muito! Essa sou eu: típica sonhadora que, quando quer algo, não apenas sonha, mas torna real. Já ele, é uma pessoa "tranquila", prefere o silêncio. Sempre com um motivo para lamentar e cheio de crises existenciais e problemas familiares. Um Don Juan, galanteador com as palavras (aliás, sabe usá-las como ninguém) mas com atitudes de menino, e não de homem.
Daí, realmente complica. Acho difícil lidar com os problemas alheios. Tá certo, ter um companheiro ao lado ameniza, faz com que a gente se sinta mais confortáveis, enfim. Agora, cada vez que surge algo, mínimo ou não, fazer disso um mimimi que não acaba nunca, não dá. Cadê momento de felicidade à dois que antes existia, né? É complicado ver morrer assim relacionamentos porque as pessoas querem ser 2 em 1. Individualidade, gente, é bacana também e deixa que o namoro respire.
Todo mês (sim, TODO mês) tinha algo para se lamentar: era o fato de termos vidas diferentes financeiramente (ele tinha uma condição inferior à minha, o que pra mim não é algo tão relevante assim) ou o fato de estarmos em cidades diferentes...
A vida financeira ser diferente é um pouquinho hard level, ok. Mas nada que muito amor não supere. Essa coisa de relacionamentos entre classes sociais distintas tem muito que a telenovela injetou no comportamento cultural do povo, não acham? Hoje em dia, se as pessoas se esforçam, isso quase nem transparece mais - a não ser que seja algo absurdamente desnivelado. Agora, cidades diferentes, pra mim ainda é o que já disse: BEM complicado e digo por experiencia própria por sofrer com isso diariamente. Em algum momento acaba sendo péssimo e a distância abre a porta para a carência que deixa a janela aberta, e quando vê, se não souber lidar, já era o relacionamento.
E quando ele não tinha esses espasmos emocionais, de repente apareceu (do nada) a mãe dele (que o abandonou com a irmã há uns 3 ou 4 anos atrás) que encontrava-se no hospital por causa de um acidente de carro e..E enfim: sempre um chororô diferente, todo mês! Naturalmente eu, como uma boa namorada, sempre apoiei e ajudei, consolei e fiz de tudo que estava ao meu alcance, mas tem uma hora que cansa né? E essa hora chegou...
Se a vida dele tá sendo barra e coisa e tal, ele vai ficar ainda mais arrasado e ser mais "coitado" do que já aparenta. Agora, se está fazendo o encantamento em relação ao amor que sentiam sumir, não tem mesmo jeito. A gente já tem problema demais pra que, a pessoa que a gente escolheu pra dar leveza ao dia-a-dia o pese. Se quiser terminar, a hora é mesmo agora. Final de ano cai bem pra essas situações.
Se for pra ser assim 2012 inteiro, prefiro parar por aqui. Triste, mas não posso carregar um fardo maior que meus ombros conseguem suportar. E depois de demoradas conversas por telefone, ele disse que viria pra minha cidade para terminar de modo decente, afinal, terminar por internet e telefone é muito comodo. Tudo bem, aceitei.
Só espero que ele não te faça mudar de ideia. Claro, é mesmo uma covardia acabar por telefone, celular, internet. Mas sabe, ao vivo a gente tende a não cair a ficha, a cair na conversa, cuidado. Vá certa do que quer.
Acredito que seja a melhor forma, até porque, tem coisas que a gente se adapta, mas caráter e personalidade são coisas imutáveis e se quatro meses já foram iguais, porque deveria acreditar que seria diferente daqui pra frente?
Verdade, eu concordo. Não acho que o falte esses dois componentes, mas sim que, ele não dá crédito à si mesmo. E conviver com quem a gente constantemente tem que ficar colocando pra cima é dose, né? Não nos acrescenta, assim como a pessoa não evolui.
E tem outros dois fatores que agravam a situação: meus pais não aprovam nosso namoro (mas permitem mesmo assim) e ele não tem o perfil de trabalhador (não quero alguém rico, mas que seja trabalhador, que se sujeite) e como conviver assim, eu trabalhando e lutando pelo meu espaço na sociedade, ralando o dia todo e ele no facebook e twitter o dia todo, estudando à noite e dando aula de Ed. Física uma ou duas vezes na semana? (até porque ele não se sujeita em trabalhar em outra coisa que não seja "na área dele")
Ah, daí não dá MESMO. Os pais não aceitarem mas vocês conseguirem contornar a situação, ok. Agora, isso de ele ter uma tendência ao vagabundismo também é algo que não rola. Como pensar em futuro com quem não se esforça? Ainda mais quando a gente o faz. Não, não, não..Procure alguém que seja como tu, que compreenda o teu esforço. Acho que te darás melhor.
Ok, ele vem amanhã e resolveremos tudo, sem levar problemas para o ano que se iniciará...Mas como dizer pra ele tudo o que te disse? Não sei como colocar em palavras concretas e coerentes na hora H. Me dá uma luz amiga!
Olhe, só fale. É isso. Você quer terminar mesmo. Não serão amigos de uma hora pra outra, né? Ele já vai estar com raiva, acho que é a deixa perfeita para que você transpareça tudo isso que me contou: que era um peso ele colocar um tanto dos próprios problemas em você, que ele não se esforçava para ser alguém na vida, que ainda tem os seus pais que não aprovam, enfim..Acredito que esteja bem nítido que tu consegues coisa melhor e que, se ele sofre MESMO de coitadismo, era só um vampiro emocional desses que sugam todas as nossas energias boas, até não poderem mais. Enfim, boa sorte, um ÓTIMO 2012, acho que dará tudo certo e o melhor a se fazer é ser sincera - pra ver se ele amadurece um pouco e pra ficar como dica pros relacionamentos futuros do próprio. Beijoca!
Quer também participar do Andressa Responde? Vem bem linda com a história redigida em e-mail pra dessagoncalves_@hotmail.com e espere que daqui um pouco, aqui está.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Segura
Se o cara abre a porta do carro, não assoa o nariz em lenço que guarda no bolso e ri das suas piadas: segura, amiga! Caso ele não note a diferença entre você de maquiagem e sem, a leve para jantar, apresente aos amigos, mande mensagem inesperada e realmente fique triste quando você disser que não anda muito bem: agarre a oportunidade e fisge o rapaz como der, não deixe fugir. Vai que ele não fale muito, mas a escute quando convir, coma de boca fechada, não combine estampas, compreenda a sua TPM e aceite numa boa ver os filmes melodramáticos que nós, mulherzinhas, amamos: cuide bem do bilhete, aka. homem, dourado e valioso que, no presente momento possui. Se ele não pensar só em sexo e não tiver vadias e volta nem ex-namorada obcecada, se não houver nem bafo, nem chulé, nem asa, se ele beber e não escandalizar: possua, não perca, que o mercado anda fraco, e a concorrência, em cima. Mãos dadas e carinho em público, cinema à dois e cobertor de orelha no inverno, que fiquem. Se há abraço apertado e um estoque cheio de beijinhos inocentes (ou não), se a partilha de humor se fizer presente, se acaba a bateria do celular e você nem liga porque está sorrindo em frente à única pessoa que poderia ligar e colorir seu dia de alegria: fique. Nem tudo é perfeito, mas com o tempo se adapta, transforma e nos surpreende. Caso o cara lhe deixe segura e apresente para a família, use bastante xadrez e nunca as inovações bregas da moda feminina adaptada para homens, seja discreto e prefira cores sóbrias e sapatos simples: valorize. Basta andar na rua mais cheia da cidade para notar que bom gosto, hoje em dia, é também indicativo de sucesso - tamanha a quantidade de pessoas cafonas o mundo tem abrigado. Caso ele goste ele goste tanto da sua coxa grossa como você adora o cabelo dele bagunçado, caso cada um aceite o outro exatamente como é: se gostem, se apeteçam, se curtam. Se ele gosta de cachorros e crianças, prefere algo mais caseiro à festas lotadas de gente se caçando nos outros sem se encontrar em si mesmo, se a paz deixada por ele tem efeito duradouro, dias à dentro: atraque, antes que uma biscate qualquer o faça e estrague um potencial homem decente para o futuro. Sem medo de romantismo, sem vergonha de você pelas ruas (ao contrário, orgulho), partilhador da própria vida e curioso pela sua: vale a pena, deixe fluir, se atente ao querido. Se você se imagina numa boa rainha do mundo ao lado dele, rei; se a vida, as outras pessoas e o tempo param de existir quando juntos, se ele compreende a sua paixão por sapatos assim como você gosta que ele adore carros: se preservem. Não se percam, vedem os espacinhos imaculados para que os intrometidos espiem e opinem. Se ele cozinha, ou pede o seu prato favorito, se até mesmo o domingo ao lado dele se torna um dia perfeito, se o povo anda incompreendendo esse sorriso que não sai nem borra da sua face: pegue logo e não solte. Esconda um pouquinho afim de despistar o olho gordo. Se as respostas faltam e as perguntas, sem rodeiros respondidas, se há claridade, falas sinceras e confissões secretas, olho-no-olho: confio. Sem se jogar de imediato, mas dando um salto à entrega quando notar que não cairá sozinha caso se machuque. Caso a admiração seja mútua e o incentivo também, caso um sinta a falta do outro na hora de dormir sozinho, caso os signos nem mesmo combinem mas o gosto musical se case: vá, mas ainda não fundo. Sentir aos poucos é prolongar a sensação. Se todos os casais do mundo são nojentos e dão raiva quando não são vocês, se a vontade de estar juntos for tanta que o dia de amanhã fica pro pensamento da manhã seguinte, se até mesmo a cosquinha que ele faz no seu pé ou na cintura ficar registrada como um dos melhores momentos da vida: com jeitinho, se enlace e deixe que do lado esquerdo dele, com liberdade e um desejo de desbravar mistérios, também queira se apegar no mesmo laço que tem prendido tudo isso. Forte e com fita mimosa; delicado, porém consistente. Quem sabe, a mão que segura seja mesmo amor.
Andressa Responde: Reciprocidade, uma importância
Oi Andressa! Sou leitora do seu blog há um bom tempo e, consequentemente, me sinto íntima para pedir um "help" pra você.
Se lê há tempos, é digno mesmo. Pois então, que comece o dilema.
Comecei um namoro e estava tudo às mil maravilhas, mas ele mudou do nada e começou a ser frio.
Indecisão, insegurança? Ou arrependimento?
Pediu um tempo e ficamos quase um mês separados, porém, nos falávamos todos os dias e ele sempre disse que me amava.
Que tempo foi esse? Quando se dá um tempo de um relacionamento - coisa que também não consigo acreditar, quando o casal volta, NUNCA é a mesma coisa - é pra sumir mesmo do campo de vivências do outro, certo? E ainda dizia te amar. Olha, pra mim, ele pediu para vocês se afastarem temporariamente, foi curtir a vida por aí e, como desejava te manter bem ali, na palma da mãozinha dele, ficava com esses "eu te amo" desnecessários para ver você quando bem entendesse.
Um dia desses, o garoto aparece chorando, pedindo desculpas e querendo voltar.
Só eu que vi certo desequilíbrio emocional no rapaz? Como ser feliz com alguém inconstante a esse ponto? Acho complicado.
Por amar - ou somente gostar muito - voltei, e estamos levando nosso relacionamento. O problema é que o dito cujo insiste em ficar de papinho com várias, e eu não aguento mais. Quando reclamo, ele diz que sou muito melosa e que ele não gosta disso. Quando não reclamo ele diz que não me importo com ele, que não o amo mais. Sinceramente? Não sei mais o que fazer.
Acabe. É simples. Ele parece reclamar até se você respira, e amiga, isso de dar papo pra várias não é algo normal, não. Que namorado decente faz isso no mundo? Temos que ser observadoras sim, e se você nota isso, imagina o que ele pode fazer nas suas costas, sem que tu nem imagines..
Queria que ele demonstrasse para mim o mesmo que demonstra para outras, no mínimo um afeto, mas ele não consegue, parece que tem medo de demonstrar e acabar se machucando. O certo não seria esse medo ser meu?
O certo seria nenhum dos dois ter medo de demonstrar nada. Quando gostamos de alguém, isso se torna algo espontâneo. Fique atenta mesmo, pois se você sente essa falta de reciprocidade do garoto, é porque geralmente já se deu demais onde ele em nada contribuiu para fazer você se sentir única. Se ele não demonstra, será que gosta mesmo de você ou é imaturo demais para ter qualquer relacionamento ainda? Pra mim, que não conheço o cara mas estou lendo aqui, fica uma mistura das duas opções, sendo sincera.
Feminismo à parte, mas cá entre nós: mulheres tem muito mais medo de se entregar por completo. Eu tinha que estar com medo e não estou, me entreguei para esse relacionamento e até agora, não recebi nada em troca. Esperava um pouco mais de sentimento da parte dele, ou melhor, atitude. O que eu faço pra ele demonstrar? Me ajuda.
Não existe receita milagrosa, e muito menos feitiço. Assim como não tem maneira que o obrigue a demonstrar, as coisas tem que acontecer por natural. Se ele não demonstra e isso te deixa mesmo muito triste, a ponto de questionar o quanto se doa e se sentindo inferior, meio babaca, acabe. As pessoas sentem umas pelas outras e gostam de demonstrar. Se ele não se preocupa com isso ou faz pouco caso, repense bem, se esse é o homem que vai te trazer alegrias, que pode construir contigo uma história bonita, ou que realmente se preocupe contigo. Na minha opinião, tu mereces coisa melhor. Acho que levar um namoro assim é bem difícil, e só dá espaço para que a insegurança, o medo, e a rejeição plantem suas ervas daninhas e criem ninhos de minhoca na sua cabeça. Espero que eu tenha ajudado, e boa sorte, guria!
Quer enviar a sua história/dúvida/dilema também? É só escrever bem linda e com discernimento, bom português e sem se prolongar demais que daqui uns dias aqui está! Envie para dessagoncalves_@hotmail.com e just wait
Se lê há tempos, é digno mesmo. Pois então, que comece o dilema.
Comecei um namoro e estava tudo às mil maravilhas, mas ele mudou do nada e começou a ser frio.
Indecisão, insegurança? Ou arrependimento?
Pediu um tempo e ficamos quase um mês separados, porém, nos falávamos todos os dias e ele sempre disse que me amava.
Que tempo foi esse? Quando se dá um tempo de um relacionamento - coisa que também não consigo acreditar, quando o casal volta, NUNCA é a mesma coisa - é pra sumir mesmo do campo de vivências do outro, certo? E ainda dizia te amar. Olha, pra mim, ele pediu para vocês se afastarem temporariamente, foi curtir a vida por aí e, como desejava te manter bem ali, na palma da mãozinha dele, ficava com esses "eu te amo" desnecessários para ver você quando bem entendesse.
Um dia desses, o garoto aparece chorando, pedindo desculpas e querendo voltar.
Só eu que vi certo desequilíbrio emocional no rapaz? Como ser feliz com alguém inconstante a esse ponto? Acho complicado.
Por amar - ou somente gostar muito - voltei, e estamos levando nosso relacionamento. O problema é que o dito cujo insiste em ficar de papinho com várias, e eu não aguento mais. Quando reclamo, ele diz que sou muito melosa e que ele não gosta disso. Quando não reclamo ele diz que não me importo com ele, que não o amo mais. Sinceramente? Não sei mais o que fazer.
Acabe. É simples. Ele parece reclamar até se você respira, e amiga, isso de dar papo pra várias não é algo normal, não. Que namorado decente faz isso no mundo? Temos que ser observadoras sim, e se você nota isso, imagina o que ele pode fazer nas suas costas, sem que tu nem imagines..
Queria que ele demonstrasse para mim o mesmo que demonstra para outras, no mínimo um afeto, mas ele não consegue, parece que tem medo de demonstrar e acabar se machucando. O certo não seria esse medo ser meu?
O certo seria nenhum dos dois ter medo de demonstrar nada. Quando gostamos de alguém, isso se torna algo espontâneo. Fique atenta mesmo, pois se você sente essa falta de reciprocidade do garoto, é porque geralmente já se deu demais onde ele em nada contribuiu para fazer você se sentir única. Se ele não demonstra, será que gosta mesmo de você ou é imaturo demais para ter qualquer relacionamento ainda? Pra mim, que não conheço o cara mas estou lendo aqui, fica uma mistura das duas opções, sendo sincera.
Feminismo à parte, mas cá entre nós: mulheres tem muito mais medo de se entregar por completo. Eu tinha que estar com medo e não estou, me entreguei para esse relacionamento e até agora, não recebi nada em troca. Esperava um pouco mais de sentimento da parte dele, ou melhor, atitude. O que eu faço pra ele demonstrar? Me ajuda.
Não existe receita milagrosa, e muito menos feitiço. Assim como não tem maneira que o obrigue a demonstrar, as coisas tem que acontecer por natural. Se ele não demonstra e isso te deixa mesmo muito triste, a ponto de questionar o quanto se doa e se sentindo inferior, meio babaca, acabe. As pessoas sentem umas pelas outras e gostam de demonstrar. Se ele não se preocupa com isso ou faz pouco caso, repense bem, se esse é o homem que vai te trazer alegrias, que pode construir contigo uma história bonita, ou que realmente se preocupe contigo. Na minha opinião, tu mereces coisa melhor. Acho que levar um namoro assim é bem difícil, e só dá espaço para que a insegurança, o medo, e a rejeição plantem suas ervas daninhas e criem ninhos de minhoca na sua cabeça. Espero que eu tenha ajudado, e boa sorte, guria!
Quer enviar a sua história/dúvida/dilema também? É só escrever bem linda e com discernimento, bom português e sem se prolongar demais que daqui uns dias aqui está! Envie para dessagoncalves_@hotmail.com e just wait
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Andressa Responde: Traição, namoro à distância e a culpa
Olá, Andressa! Acompanho seu blog há algum tempo e diante da minha indecisão, do momento que estou enfrentando, decidi enviar o email. É sempre bom ouvir a opinião de alguém que admiramos. Enfim, minha história é longa e cheia de pontos de interrogação.
Mas então bora lá tentar desvendar esse enigma, né?
Namoro há quatro anos com o mesmo menino, ou seja, desde os 16. Meu namorado é uma pessoa admirável, parecido comigo em diversos aspectos, querido, me apóia sempre e nunca me deu motivos para desconfiar do seu caráter. No início do relacionamento, me mostrei uma namorada ciumenta (também pela imaturidade, afinal, nunca tinha namorado antes), implicava com coisas banais e por N motivos. Terminamos após quase dois anos de namoro e nos afastamos por seis meses.
A imaturidade era algo normal, você era novinha quando começaram. Voltar depois de afastamento é que acho complicado. Reatar, inclusive, é algo que não recomendo e nem confio: penso que quando algo tem que acabar, é porque teve motivos - e foi a hora certa. E mesmo porque, sempre quando retomamos algo depois de um espaço de tempo onde preenchemos com outras pessoas, costumes diferentes, experiências novas, tanta coisa se perde no meio do caminho, não é mesmo? Mas continuemos.
Nesse meio tempo, conheci e me encantei por outro rapaz, bem diferente de mim. Sempre fui tímida ao extremo, com um círculo de amizades mínimo. Passei minha adolescência trocando baladas e meninos por livros e noites na frente da tv. Ao meu contrário, ele era popular, conhecido, já havia vivido muita coisa, conhecido muitas pessoas. Dono de um currículo enorme, estava sempre rodeado de muitas garotas.
Opostos tendem a se atrair, mas só permanecem juntos se estiverem mesmo dispostos, como diz alguma frase que circula por aí. O diferente nos encanta, mas será mesmo que tem força suficiente para se manter? Fica a dúvida.
Enquanto eu estava solteira (quando havia rompido meu namoro), o interesse partiu apenas da minha parte. Conversamos pouco, mas o encantamento imediato só partiu de mim. O tempo passou, e logo voltei a namorar. Sofri muito durante o término e me senti imensamente feliz quando voltamos. Tudo ia bem, até que em uma conversa no MSN, esclareci para este outro rapaz minha fascinação e ele enfim disse que sentia por eu ter voltado a namorar, pois gostaria de ter me encontrado. Sentia muito pelo que nunca havia acontecido.
E quando você foi iniciar essa conversa, estava namorando, certo? Se sim, me explica, amada: por quê? Poxa, se voltou com o "mor" não era pra nem pensar em mais ninguém, não concorda? Desculpem se sou cega e fidelíssima ao extremo quando apaixonada, mas pra mim apenas a pessoa existe e deu. O resto masculino do mundo - e as piriguetes - que se explodam.
Desde então, me senti confusa e levei a história em 'água morna'. Continuei mantendo as conversas, confessando que me sentia dividida.
Wrong, wrong and wrong way...Tipo da coisa que não se faz, até porque, se fosse o TEU namorado, aposto que rolaria briga, né? Achei muito feio, sorry.
Certa noite, meu namorado que mora em outra cidade, disse que não poderia vir no fim de semana e então, decidi sair um pouco com algumas amigas pra fazer qualquer coisa simples.
Algo a ser chamado a atenção: eu não acredito em namoro a distância. É, isso mesmo: descreio. Isso sempre acaba acontecendo. Quem precisa ir buscar amor onde não vive é porque muito já colheu na própria cidade, essa é uma das minhas teorias - mas que, parece não se aplicar nesse caso, ok. Mas gente, não insistam: sempre acaba dando merda. É assim, numa saída banal pra fazer qualquer coisa que não seja estar com o namorado, opa, traiu. Namorem se realmente puderem ter tempo e ficar com a pessoa sempre. Do contrário, é complicado demais manter acesa a confiança, o amor e o desejo. Fora as piriguetes, é claro. Sempre algo a se comentar.
Como uma peça pregada pelo destino, encontrei o dito cujo na primeira esquina e, ao me ver sozinha, logo me chamou para conversar. Com o coração prestes a pular pela boca, fui sem pensar duas vezes. Ele foi claro, disse que não se importava com o meu namoro, que gostaria de ficar comigo. Não resisti e aceitei. Minha consciência 'dizia', 'gritava' que aquilo era errado, mas ao mesmo tempo, sentia que era necessário.
Putz guria. Me perdoa se eu for grossa, mas é que poxa, dá até certo nojo de ler essas coisas - mentiria se dissesse que não. Traição é o tipo da coisa que eu me recuso a entender e fico puta. Realmente incompreendo POR QUÊ, guria. É sério. Se tinha esse desejo e mantinha essas conversas, que acabasse o relacionamento vigente e fosse ser feliz, afinal, era um alerta de que, com o seu cornamorado não estava rolando.
Não podia manter um namoro com aquele ponto de interrogação, aquele desejo pelo que poderia ter sido e não foi. Era necessário passar por aquela situação para que visse o que era melhor. Enfim, sei que pode parecer errado, mas foi o que pensei na época.
Acho que não ameniza o que tu fizeste, mas talvez sirva como consolação, sei lá. Nunca passei por isso, e realmente, acho que não conseguiria. Penso que sempre há um jeito de que a gente possa frear essas vontades repentinas e que depois virão só arrependimento. Enfim, feito, acho que terias é que terminar com o namorado. Pensa também nele, coitado. E falar a verdade, que é pra não sobrar remorso nenhum dentro de ti.
Me senti extremamente culpada depois. Contei tudo para minha mãe, a única pessoa que iria me ouvir sem me julgar. Decidi deixar aquele momento arquivado na lembrança, como único, raro e bonito, mas levar meu namoro em frente, porém o problema seguiu comigo - os pontos de interrogação se multiplicaram e não consegui esquecer o rapaz em questão, assim como tinha a certeza de que não queria terminar meu namoro.
Por honra e respeito ao teu namorado, na minha opinião, o melhor era ele saber e deixar que ele terminasse contigo se não conseguisse perdoar.
Acabei cometendo o tal erro mais algumas vezes, fiquei com o moço e no fim das contas, saia com a sensação de que aquilo havia terminado ali, mas sempre procurava notícias através de redes sociais, mensagens no celular, ligações, notícias recebidas através de amigos em comum e etc.
Ou seja, você até quis que acabasse ali. Mas não. O inconsciente procurava a sarna pra se coçar e os estragos a serem feitos. Acho complicadíssimo, mas mantenho minha opinião. Deu peninha do seu namorado.
Ele continuou seguindo da mesma forma, ficando com várias, frequentando noitadas, bares, sempre na companhia de vários amigos. Meu namoro resistiu à tudo. Algumas vezes, confesso que descontei no meu namorado a minha dúvida, camuflada em distância, brigas, indiferença.
Mais pena do seu namorado que, por mais que more em outra cidade, parece realmente gostar de você. É complicada mesmo essa carência que a gente sente e não consegue suprir, e de repente, acha que quem estar perto acaba servindo, quando tudo que sobra no final é culpa e remorso. Achei tudo triste.
Iniciei um tratamento psicológico, pois não aguentava mais viver com aquilo. Segundo a terapeuta, eu sofria pois idealizava o rapaz como alguém perfeito, gostava do proibido e apesar de amar meu namorado, era escrava das minhas idealizações e desprezava o que estava ao meu alcance, pelo simples fato de já possuir.
Concordo duas vezes: por ter procurado ajuda e uma opinião neutra e com a sua terapeuta. Mas acho também que é um tanto que imaturidade sua, e que, com o tempo, tu conquistas.
No fim das contas, quando olho para o lado, quando vejo um companheiro, um amigo, um exemplo, alguém que poderia passar a vida toda, quando me vejo velhinha, vejo meu namorado ao meu lado. Apesar de não ser perfeito, de estar longe do que imaginei um dia, ele é a pessoa que escolhi. Parece feio dizer isso, logo após relatar que o trai. Um amor egoísta, que feriu, que quebrou um elo quando cometi o erro de ficar com outro mesmo estando com ele (que não sabe e nunca saberá dessa situação). Me sinto culpada, suja, quando penso no que fiz, mas enfim, gostaria de pedir sua opinião de tudo isso. Não consigo me afastar do outro, para quem sou a última opção. Não sei exatamente o que, mas qualquer palavra, por mais simples que seja, significa muito, pois me sinto perdida em meio a uma situação que eu mesmo criei. Agradeço desde já.
Beijos, beijos.
Poxa, menina...Então. Fui pontuando ao longo do que me escreveste, como de costume, mas acho que, sabe o que é? Acho que tu deve curtir um desafio, isso sim. E ter uma auto-estima baixa, e estar com ela ainda mais lá no chão depois de tais acontecimentos. Tem contigo alguém que parece dar valor, que te curte, cuida e gosta, mas aceita ser pisada por um cara que não está nem aí, o típico bon vivant que toda mulher tem em sua história. Como já disse: fale ao seu namorado. A culpa diminuirá, e a consciência, ficará vazia. Limpinha. Foi bem feio mesmo o que fizeste, esqueceu a razão sabe-se lá aonde, mas: para não estragar ainda mais, para não deixar que outras pessoas o façam, fale você. Arque com as consequências dos seus atos, é assim que a gente cresce. E então, espere que o seu namorado decida se deseja continuar como seu parceiro, se além de aceitar, perdoa, ou se ele prefere ser chamado de ex. Dê ao menos esse gostinho a ele, já que o estrago foi você quem fez. Se gosta tanto dele como diz, o quer sendo otário por anos a fio? Acredito que não. Por mais duro e difícil que seja, espero que meus conselhos tenham servido para algo. E boa sorte!
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Eu ousei
"Feliz dois mil e ouse". Frase clichê mais dita, até mesmo por mim quando se deu a largada desse 2011 que hoje será apenas mais uma página do calendário virada. A dica para a vida era ousar muito, afinal, já se deixava a primeira década do século XXI para trás, e transgredir é também aprender. Mudar. No final das contas, fortalecer.
Incrível a sensibilidade que nos atinge essa época de finaleira anual, e que consegue fazer um balanço entre bons, ruins, prós e contras dos tantos quase 365 que ficaram para trás. Parando bem para refletir, mês a mês, eu ousei. E como. Encontrei uma força interior que nem eu mesma saberia se existir, se as situações extremas não se fizessem presentes. As cicatrizes - algumas fechadas, outras ainda em processo de otimização - finalizam seus ciclos, uma a uma: ter esperança é tudo que a gente consegue exprimir quando o futuro ali na frente é ainda sombra ao invés de foto revelada. Colorida.
Muitas mudanças, uns tantos tropeços, mas, felicidade: depois de aprender, fica fácil decidir entre o que deveria ter sido e aquilo que, de jeito algum, poderia ser. A gente, que gosta de passar a virada anual na praia, se puder quase enterra todos os erros afim de, assim de repente, acertar. A correria é louca, esses últimos dias se tornam um caos, mas dar um abraço apertado em quem fez nossos dias melhores e um beijo verdadeiro e recíproco assim que o relógio apontar 00:00 é quase uma dádiva. Ousei ao largar o conforto em troca da liberdade. Na escolha de, para se machucar menos, usar do afastamento ao invés de insistir naquilo que aprofundaria ainda mais os machucados que o tempo revela.
Mais uma vez, me atrevi e vi o quanto é bom ter a própria grana, poder sentir o peso de manipular o dinheiro ganho, e o quanto é importante trabalhar pelo que se quer; sonhar, mas também ir à luta pelo que se almeja. Arrisquei também ao decidir compartilhar a minha individualidade com quem a intuição tinha certeza que valeria a pena - e que de fato, ainda tem validade prolongadíssima. Maduramente, me permiti, além de me doar, também a delícia que pode ter a reciprocidade que é o amor. Aquele verdadeiro e bom, que só nos deixa com a sensação elétrica de desejar ser cada vez melhor, sabem? O próprio.
Podem detestar 2011 em paz. Eu deixo. Tive anos em que nada acontecia e achava a vida um tédio. Hoje, realmente não sei se quem não percebia o mundo em volta - ocupada demais comigo mesma, meus livros e vontades secretas - era eu, ou era a civilização toda atrolhada do que fazer que não me percebia decentemente. Acumuladas e torrencialmente, vieram todas quase juntas nesse dois mil e onze que se termina, muitas das mudanças que tanto quis ou já aspirei em tempos nórdicos. O resumo é contente, a retrospectiva, favorável. Acho que quando a gente se ocupa tendo realmente o que fazer, tendo com fidelidade e propósito a quem amar, e buscando cada vez um lugar melhor para estar em, tudo aca conspirando a favor. Se o mundo de fato vier a acabar num dezembro praticamente próximo, espero que eu possa fechar os olhos e agradecer, como será na meia-noite do primeiro dia quem que se iniciará logo mais. A ousadia ainda é a dica mais perspicaz. Porque só continua andando quem se encontra em movimento, e eu? Quero é correr!
Incrível a sensibilidade que nos atinge essa época de finaleira anual, e que consegue fazer um balanço entre bons, ruins, prós e contras dos tantos quase 365 que ficaram para trás. Parando bem para refletir, mês a mês, eu ousei. E como. Encontrei uma força interior que nem eu mesma saberia se existir, se as situações extremas não se fizessem presentes. As cicatrizes - algumas fechadas, outras ainda em processo de otimização - finalizam seus ciclos, uma a uma: ter esperança é tudo que a gente consegue exprimir quando o futuro ali na frente é ainda sombra ao invés de foto revelada. Colorida.
Muitas mudanças, uns tantos tropeços, mas, felicidade: depois de aprender, fica fácil decidir entre o que deveria ter sido e aquilo que, de jeito algum, poderia ser. A gente, que gosta de passar a virada anual na praia, se puder quase enterra todos os erros afim de, assim de repente, acertar. A correria é louca, esses últimos dias se tornam um caos, mas dar um abraço apertado em quem fez nossos dias melhores e um beijo verdadeiro e recíproco assim que o relógio apontar 00:00 é quase uma dádiva. Ousei ao largar o conforto em troca da liberdade. Na escolha de, para se machucar menos, usar do afastamento ao invés de insistir naquilo que aprofundaria ainda mais os machucados que o tempo revela.
Mais uma vez, me atrevi e vi o quanto é bom ter a própria grana, poder sentir o peso de manipular o dinheiro ganho, e o quanto é importante trabalhar pelo que se quer; sonhar, mas também ir à luta pelo que se almeja. Arrisquei também ao decidir compartilhar a minha individualidade com quem a intuição tinha certeza que valeria a pena - e que de fato, ainda tem validade prolongadíssima. Maduramente, me permiti, além de me doar, também a delícia que pode ter a reciprocidade que é o amor. Aquele verdadeiro e bom, que só nos deixa com a sensação elétrica de desejar ser cada vez melhor, sabem? O próprio.
Podem detestar 2011 em paz. Eu deixo. Tive anos em que nada acontecia e achava a vida um tédio. Hoje, realmente não sei se quem não percebia o mundo em volta - ocupada demais comigo mesma, meus livros e vontades secretas - era eu, ou era a civilização toda atrolhada do que fazer que não me percebia decentemente. Acumuladas e torrencialmente, vieram todas quase juntas nesse dois mil e onze que se termina, muitas das mudanças que tanto quis ou já aspirei em tempos nórdicos. O resumo é contente, a retrospectiva, favorável. Acho que quando a gente se ocupa tendo realmente o que fazer, tendo com fidelidade e propósito a quem amar, e buscando cada vez um lugar melhor para estar em, tudo aca conspirando a favor. Se o mundo de fato vier a acabar num dezembro praticamente próximo, espero que eu possa fechar os olhos e agradecer, como será na meia-noite do primeiro dia quem que se iniciará logo mais. A ousadia ainda é a dica mais perspicaz. Porque só continua andando quem se encontra em movimento, e eu? Quero é correr!
domingo, 25 de dezembro de 2011
Validade
Com pasta de dente que promete proteger por 12 horas, e desodorante que não vence por 24, cadê amor que dure mais de uma semana? É incrível como sonhamos com amores adequados, de laços duradouros e juras de eternidade que realmente se cumpram, e nos pegamos saboreando com gosto paixões instantâneas prontas em minutos. Ou três dias. Fugazes, breves, estonteantes. Tal como fosse prolongada, sem calcular o peso do dia de amanhã, a medida drástica de se entregar sem exigir nota fiscal. Se não de felicidade, de alguma segurança. Capenga, ou até insegura, mas de cabeça erguida, sono leve e mente tranquila: é normal, é cabível, é viver a vida com intensidade e muita vontade.
Aprendemos a conviver com a superficialidade quase que por ordem, nos fizeram aceitar ser a personagem frívola na vida alheia, sem amarras e maiores preocupações. No meio dessa confusão inexata, a qual chamamos carinhosamente vida, descobrimos até mesmo que pode ser saudável a liberdade extrema, que a paz é o preço desse contrato assinado sem nem ao menos ler as letras miudinhas logo abaixo. Nada dói, tudo passa, e amanhã é outro dia. O leque é vasto, e as possibilidades se ampliam em esbarrões de ruas, em informações pedidas, num elevador compartilhado, naquele barzinho de sempre. As opções nunca foram tantas. Esquecemos as pessoas em casa, nos contatos do celular e cada dia somos diferentes do que ontem éramos. Uma nova versão, atualizada a cada manhã. Tudo é forte e fugidio, avassalador e acometedor. Hoje atração, amanhã gestos apaixonados, depois de amanhã insegurança, na semana seguinte, nunca mais. Sumiço, desfechos entreabertos, brechas para o futuro; buracos para o passado. Qualquer dia, na casualidade, um outro encontro, novo tom de sentimentos, um enredo inovador praquilo que deixamos para mais tarde.
Em consumo, buscamos a durabilidade daquilo que hoje não dispomos, sentimentalmente, talvez. O incomum tornou-se totalmente capaz: normal é não dar certo. Comum é saber a hora exata de cair de amores, e saber o momento ideal de levantar com vida. Ser sábio é notar em cada pessoa que nos atravessa o caminho a validade do destino que carregam em nosso caminho. Desencontros de anos. Reviravoltas de meses. Namoro longo, casamento, separação. Dois dias, três noites, e os melhores flashbacks para toda uma vivência. Válido, na verdade, é saber discernir do que nos alimenta cada um desses que cruzam o caminho: é de paz interior, e integridade? Com gosto de índole, e inteligência, desenvoltura? É no paladar que ou somos ganhos, ou nos deixamos perder. Por entre beijos, romanticismos, surpreendentes atos. Nos acertos, quando o mundo mostra que cada vez mais, é um lugar errôneo. Nos erros que, ironicamente, aprendemos a cultuar. A grande verdade é que, o tempo corre, e é minguado. Esgotado, sempre. Se damos nosso melhor, um passo e tanto para a vitória. Em recorde temporário. Caso nos encontremos com o prêmio de consolação no colo, por entre as mãos ou ao lado em uma sala de cinema, a sensação é tal a de perder não por incapacidade, e sim, por falta de ocasião.
Bom mesmo é crer que o perecível, se finda na hora exata: quando sua legitimidade termina. Alimentados de mistério e liberdade, identidade e maturidade, é de relacionamentos perenes que merecemos nos deliciar. Quem encontrar a mina de ouro, o brinde para a loteria, ou o caminho mais curto para a felicidade estável, conte. Espalhe. Chega de páginas puladas, e capítulos desordenados. A melhor mágica é poder descobrir o outro a cada dia, e se surpreender; o outro que pode ser o mesmo. Facetas, defeitos, manias, singularidades. Observar com atenção, e reinventar constantemente. É de início, meio e fim que nossas historietas precisam - nada de novelas intermináveis, com arroubos de ventura e agudas tristezas. Que seja válido enquanto dure.
Aprendemos a conviver com a superficialidade quase que por ordem, nos fizeram aceitar ser a personagem frívola na vida alheia, sem amarras e maiores preocupações. No meio dessa confusão inexata, a qual chamamos carinhosamente vida, descobrimos até mesmo que pode ser saudável a liberdade extrema, que a paz é o preço desse contrato assinado sem nem ao menos ler as letras miudinhas logo abaixo. Nada dói, tudo passa, e amanhã é outro dia. O leque é vasto, e as possibilidades se ampliam em esbarrões de ruas, em informações pedidas, num elevador compartilhado, naquele barzinho de sempre. As opções nunca foram tantas. Esquecemos as pessoas em casa, nos contatos do celular e cada dia somos diferentes do que ontem éramos. Uma nova versão, atualizada a cada manhã. Tudo é forte e fugidio, avassalador e acometedor. Hoje atração, amanhã gestos apaixonados, depois de amanhã insegurança, na semana seguinte, nunca mais. Sumiço, desfechos entreabertos, brechas para o futuro; buracos para o passado. Qualquer dia, na casualidade, um outro encontro, novo tom de sentimentos, um enredo inovador praquilo que deixamos para mais tarde.
Em consumo, buscamos a durabilidade daquilo que hoje não dispomos, sentimentalmente, talvez. O incomum tornou-se totalmente capaz: normal é não dar certo. Comum é saber a hora exata de cair de amores, e saber o momento ideal de levantar com vida. Ser sábio é notar em cada pessoa que nos atravessa o caminho a validade do destino que carregam em nosso caminho. Desencontros de anos. Reviravoltas de meses. Namoro longo, casamento, separação. Dois dias, três noites, e os melhores flashbacks para toda uma vivência. Válido, na verdade, é saber discernir do que nos alimenta cada um desses que cruzam o caminho: é de paz interior, e integridade? Com gosto de índole, e inteligência, desenvoltura? É no paladar que ou somos ganhos, ou nos deixamos perder. Por entre beijos, romanticismos, surpreendentes atos. Nos acertos, quando o mundo mostra que cada vez mais, é um lugar errôneo. Nos erros que, ironicamente, aprendemos a cultuar. A grande verdade é que, o tempo corre, e é minguado. Esgotado, sempre. Se damos nosso melhor, um passo e tanto para a vitória. Em recorde temporário. Caso nos encontremos com o prêmio de consolação no colo, por entre as mãos ou ao lado em uma sala de cinema, a sensação é tal a de perder não por incapacidade, e sim, por falta de ocasião.
Bom mesmo é crer que o perecível, se finda na hora exata: quando sua legitimidade termina. Alimentados de mistério e liberdade, identidade e maturidade, é de relacionamentos perenes que merecemos nos deliciar. Quem encontrar a mina de ouro, o brinde para a loteria, ou o caminho mais curto para a felicidade estável, conte. Espalhe. Chega de páginas puladas, e capítulos desordenados. A melhor mágica é poder descobrir o outro a cada dia, e se surpreender; o outro que pode ser o mesmo. Facetas, defeitos, manias, singularidades. Observar com atenção, e reinventar constantemente. É de início, meio e fim que nossas historietas precisam - nada de novelas intermináveis, com arroubos de ventura e agudas tristezas. Que seja válido enquanto dure.
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