quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A menina e a mulher








Convivem: não se amam, e praticamente não se detestam. Pode-se dizer que, na grande maioria das vezes, se ignoram. A mulher sente um tanto de remorso e um outro muito de culpa ao ser obrigada a permanecer perto de alguém tão ainda incompleta. Falta assunto, um tanto de corpo e algo sólido que sustente um papo bacana - e que também preencha as ideologias e a personalidade de quem ainda é imatura demais para de fato crescer. Enquanto a mulher sente-se segura, sabe estar sendo atentamente observada: é uma risada que segue após a sua, um mesmo tom de cabelo copiado meses depois, palavras aprendidas dispostas em frases que não possuem à tal menina - que pode ser moça, adulta, mas tudo, menos madura. Tem aquela coisa intocável chamada também autenticidade: essa ela tenta, tenta, mas nem com anos de treinamento, fórmula mágica ou pedido ao gênio da lâmpada adquiriria. Não de uma hora pra outra. Admiração também tem limite, oras.

Desconhecedora de conversas bem construídas, bom senso e refinada educação, a menina faz birra. Se torna habitué de chantagens emocionais, sexo como resolução de todos os problemas, e pedidos com sua vozinha infantil aceitos, assim que feitos. É uma correndo enquanto a outra engatinha. O dia ocupado contraposto ao ócio sonhador dos horários vazios de quem se preocupa em se ocupar de nada. A garota se deslumbra com carro, status, e dinheiro, a mulher já conhece o estigma dessas futilidades todas: passageiro. E busca além.  Valoriza bem mais uma sólida integridade, um bom esforço e algum charme (porque no final das contas é isso que fica). Sem saber do grandessíssimo valor de uma boa leitura com uma música de qualidade que complete (ideal), continua perdida em suas meninices sem conseguir desenvolver algo além de fofocas sobre coleguinhas, noitadas futuras e passadas ou a programação da tevê. Vazia.

É constante o duelo entre Marcelo Camelo e David Guetta, carona e transporte coletivo, quem luta e quem apenas - diz que - sonha. Uma estante de livros versus um generoso estojo de maquiagens, quem realmente sinta um pouco das dores do mundo contra quem se orgulha apenas de ostentação. Convívio agradável em réplica à sombra de quem é perita apenas em instabilidade. Algumas fermentam dentro de si e, com o tempo e alguns machucados, desenvolvem uma figura única para transitar pelo mundo - a sua. Outras, de tanto se focar na cópia, demoram a realmente serem especiais e íntegras damas. Mulheres estão atrás de caráter; meninas, ascensão social. Meninas checam insistentemente o celular; mulheres, o jornal. Mulheres e a saborosa degustação de uma bebida moderada junto a um prato delicioso de comida. Meninas e o pensamento anoréxico de não precisar se alimentar direito "que saúde nem é tão importante assim, mas magreza, sim". As primeiras precisam com constância dos pais, de dinheiro e de deslocamento (não raro, fazem o namorado de motorista). Pra quem é realmente mulher, basta apenas a própria boca para perguntar por aí, quantia monetária suficiente e espírito de aventura para se virar cidade à dentro. Quem vier junto, além de companhia, é também adição: ter quem contribua é ótimo, mas ter a si mesma sim: é excelente.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Andressa Responde: Atrações, desafios e achar algo que dure





Olá Andressa querida!  Antes de tudo, começo lhe parabenizando por tanto talento e por tanta sabedoria que estampa nos textos que você disponibiliza para nós, seus leitores. Além disso, esse tempinho que você disponibiliza para responder nossos dilemas é digno de receber as mesmas parabenizações. Um antecipado e cheio de carinho: obrigado.

Amada, muito obrigada Coisa ótima ler isso, só me faz continuar em frente.
Mas vambora, é o seguinte: não namoro e nunca namorei. E, embora tenha tido atrações por meninos que inicialmente me pareciam interessantes, nenhum deles me fez querer seguir com algo duradouro.

Hoje em dia, algo normal. Bom que tu se colocas em primeiro lugar e não se entrega de bandeja assim, a qualquer um.
Pois bem. Entre essas tentativas de interesses permanentes, comecei a conhecer um menino que estudava junto comigo e já despertava em mim olhares de interesses. Ficamos. Ele: charmoso, prestativo e de atitude. Eu, tentando encontrar depois de nossa ficada motivos plausíveis para justificar o fato dessas qualidades não terem despertado vontade nenhuma de seguir com algo em frente. Resultado: já deixei claro que não pretendia nada. A atração que inicialmente eu tinha por ele? Simplesmente se foi junto com mais um tentativa. Uma situação assim pareceria normal, se não se repetissem com tanta constância. É sempre assim, querida: Me interesso, sinto vontade, me aproximo e, quando obtenho reciprocidade, desestimulo e não sinto vontade de intensificar o relacionamento.

Resumindo: obtém o que almeja, consegue e, de repente, já parece desinteressante. Já passei por uma fase parecida. Fazia dos meus relacionamentos este mesmo molde que tu. E olha, simplesmente passou. Talvez fosse uma safra bem ruim de gente desinteressante aparecendo quando eu só queria alguém fizesse o mundo brilhar. Ou, quem sabe, o problema era comigo - me achando superior e colocando num pedestal, ou louca por desafios - sei que, passou.
Medo eu sei que não é, não tenho medo. Adoro novidades. Para as amigas, um tanto de frieza e desapego. Eu mesma: não sei o que é. E é aí que te peço um opinião: quando é que a gente sabe que uma atração não é só atração e pode ser algo mais? A gente descobre isso previamente ou é válido começar algo mesmo não sentindo se vai perdurar?

Também acho que não seja medo. Como disse: pode ser que você esteja indo aos lugares errados, ou, as pessoas erradas estejam querendo, insistentemente, perseguir você. Acontece. Ou mesmo, pode ser que seu subconsciente fale mais alto e a faça repelir todos esses, justamente por querer alguém, mas não saber aí dentro de ti, com que qualidades, o que prezar, enfim. Acredito que quando atração é só isso e nada mais, nenhuma pulga fica atrás da orelha, tu não pensa praticamente nunca na pessoa, e mesmo quando ela convidar para algo, rejeitar será a única opção para ti. Atração que acaba depois de alguns beijos é algo que, a meu ver, não dá mesmo para insistir que dure "na marra". Química acontece, ou não. Acho simples. Agora, dentre esses caras todos que tu consegues conquistar, nenhumzinho merecia uma atenção em especial? Um olhar mais criterioso, uma chance a mais? Questione-se.

Embora não me martirize por isso, gostaria de saber sua opinião. Mais um vez obrigado, desde já, e só para concluir: mesmo à distância, te admiro muito e embora pareça tolo, seus textos amorosos e felizes despertam boas sensações em mim. É bom te ver escrever textos assim. Te desejo felicidade Andressa. Mesmo. Não querendo ser clichê, mas só reforçando: obrigado querida, obrigado.

Uma querida tu! Hehe, mas então.. Em primeiro lugar, não se martirize por coisa dessas. Nunca. Quando tiver que acontecer, ocorre. Num piscar de olhos, tu vai te ver tão apaixonada e feliz que nem vai pensar em hipóteses ou simplesmente nessa atração inicial que sempre acaba findando. Vá a lugares que tenha gente a ver contigo. Conheça pessoas, mesmo que não tendo aquela fagulha primária de que parece incendiar. Se dê chances necessárias, tente conhecer bem quem quer o mesmo em relação à ti. Mas ainda assim, vá com calma. Como eu disse, quando tiver que aparecer, surge. Esperei até os 19 anos para ter meu primeiro namorado. De resto, só porcaria nessa minha vida anterior ao - que posso dizer hoje, com seus defeitinhos e mil qualidades - "amor de verdade" (porque só é real aquele que não é de conto de fadas). Ou seja, uma hora, simplesmente vem. Boa sorte nessa vidinha, e precisando, aqui estarei!



Quer se jogar nos conselhos também? Escreve bem linda pra dessagoncalves_@hotmail.com que eu respondo assim que der. Meu beijão procês!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O coitadismo






Comecei a pensar em todas as pessoas que me dão ojeriza, só de ficar perto. Relembrei alguns parentes que não suporto, gente a que sou obrigada a conviver e em meio aos tipos humanos que me dão alergia só de ter que compartilhar o mesmo ar ou um olhar, eis que o lugar comum (ou característica): o coitadismo.

Os "coitados" tem meu ódio praticamente eterno com facilidade. Dou mínima importância caso eles sintam o quanto atravancam a minha vida feliz ou me fazem sentir nojo quando deveria estar distribuindo sorrisos pelo mundo. Sempre tem aqueles segundos em que paro, constato a presença, e pergunto: por que, Deus, tão perto de mim que mal sinto pena de mim mesma? Me nego a esse sentimento. Acho deplorável a desconfortável situação de pensar que o outro tem mais problemas, merece mais atenção, um pouco do nosso dinheiro, nossas mãos braços e os dois ombros se preciso. Não é assim não, meus caros: estamos vivos, e acho que como consequência, devemos acreditar, acima de tudo, em nós mesmos.

Contudo, os sofredores do coitadismo se acham seres especiais e que, não necessitam de mudanças: musos do próprio filme deprê, protagonistas da própria história que não deu certo, querem é estar no centro e que o resto das pessoas se fragilizem com a suas dores. Ao invés de procurar viver em melhores condições, reclamam. No lugar de ir atrás, buscar melhoria tanto interna, como externa, ou fazer da luz única que cada um de nós possui um clarão de insights, um brainstorm de possibilidades, escolhem continuar andando a passo lento, de cara frouxa e miando pelos cantos ao invés de falar decentemente.

Geralmente, compartilham entre si uma dificuldade em conviver com outras pessoas. Somadas a uma auto-estima quase inexistente, e personalidade fraquíssima. Quando a gente para e observa a trajetória dos pseudo-coitados, até fica fácil compreender o porque dessas ações friamente calculadas e que só me causa repugnância, no lugar de dó. São criaturas que, mal sabendo administrar a própria vida, num passado nem tão recente ou próximo, usaram de meios escuros, maldades premeditadas e muita imaturidade e hoje sentem tanto remorso que, querem que o resto do universo por eles tenha compaixão. Coisa quem, me nego. Os mais ingênuos caem, aqueles que não observam com atenção necessária o comportamento que é apenas fachada de mentes não tão boazinhas como aparentam, também. Eu me nego. Fico longe, falo pouco, tento nem tocar - vai que é contagioso.

Minha admiração é pelos que continuam felizes em meio à tempestade, esboçam emoções e opiniões, gostam de estarem em movimento, sabem o que querem dessa vida e, ao invés de fazer beiçinho e falar baixinho ou em segredo com aqueles que neles confiam, correm atrás, vão à luta, e mesmo em meio às desventuras de algumas batalhas, não desistem nunca. Mesmo quando a grana aperta, o carro emperra, a vida dificulta e as pessoas se mostram cruéis. Esses sim, heróis de destaque nas minhas aspirações. Peito estufado, medalha em torno do pescoço: sem choro nem vela, reais campeões.

Andressa Responde: Ex que canta e insegurança

Oi Andressa,

Primeiramente, eu sou uma fãzona sua! Fascinada pelas coisas lindas que escreve...E diante de tantos conselhos que vejo você dando, resolvi escrever! Finalmente!

Oba! Pois então, vamos lá, guria.

Algo me atormenta. Eu namoro há 8 meses. Nosso relacionamento é ótimo, é normal. Temos nossas discussões e ciúminhos, mas nada fora do comum. Enfim, acho que a insegurança é toda minha. E isso acontece porque a ex dele é bonita. E ainda é cantora.

Ah, senhor do céu. Ex, como vocês sabem, é algo que eu considero hard level quanto à conviver/aguentar/ficar bem sobre. É um saco? Sim. Piora mesmo quando é bonita, e mais, cantora (não deve ser uma Paula Fernandes da vida - não que eu goste, mas ela está na mídia - mas, sendo famosinha já só na cidade onde vivem, deve dar aquela invejinha de leve, um cutucão na vaidade e coisa e tal. Afinal, somos mulheres, né?
Popular aqui na cidade, sabe? Vive cantando por aí, se apresentando. Gravou um CD e mandou para toda a família dele! Eles namoraram por 2 anos e meio.

É bastante tempo, pros relacionamentos de hoje. Natural que uma convivência tenha sido fortalecida com os pais e familiares do teu namorado. Por mim, desde que enviasse só à família, estaria ótimo. O preocupante mesmo é o contato com o teu lindo, daí sim.

Isso não importa, pois eu também tive um relacionamento de 4 anos, e nem ligo mais para o meu ex! É atá engraçado, eu nem lembro direito das coisas que fazíamos juntos.

Lembre então: se tu, que namorou quatro anos, já superou totalmente e hoje (amém!) consegue viver teu presente em paz, com seu namorado pode ser o mesmo, não acha? Às vezes, por mais gata, bem sucedida ou querida que uma mulher é, falta algo. Assim como pra gente, quando um cara é bonitinho, trabalhador, mas não é completo. Beleza e uma linda voz não são as referências mais importantes quanto a amor, não acha?

Enfim, o que me atormenta é que quando começamos a namorar, ela ligou para ele (sendo que ela, já namorava outro há 1 ano) para perguntar se realmente ele estava comigo. Pensei, afinal: o que ela tem a ver com isso? Fiquei meio brava com ele, mas feliz por ele ter me contado.

Eu também acharia, no mínimo, estranho. O que ela quer confirmar, se já seguiu com a própria vida? (ou parece ter, pelo menos). Que situação chata. E daí, se ele estivesse com você? O que pode ter acontecido é que, seu namorado, no passado, pode ter gostado bastante dela. Agora, com ele realmente estando feliz e achado alguém bacana, ela viu que perdeu a total admiração que tinha dele, que hoje baba por ti. Mulher odeia perder, nem que já esteja com outro, ou o cara não interesse mais. O fato é esse, talvez. Mas que foi uma atitude metida, foi. Talvez ele nem tivesse culpa, achei legal ele ter te contado também. Mostra que o relacionamento de vocês está baseado em confiança, né?

Agora em dezembro, ela ligou de novo para dar feliz aniversário para ele. Achei o cúmulo do desrespeito!

De novo? Realmente, que fazida, essa menina. Ou vai ver, ela é quem não conseguiu esquecer ele. Ou só valorizou agora que ele está contigo. Duas opções sem volta. Sabe o melhor que tu pode fazer? Teu namorado muito feliz. Pra que ele nem cogite volte com essa mocinha que canta e faz pequenas maldades. Se foque nisso, ao invés de pensar em como ela é isso e aquilo.

Conversei com meu namorado, ele disse que não ia atender mais quando ela ligasse. Disse que também nem liga mais para ela. Que me ama muito, que sempre vai me respeitar e blá blá blá.

Ok, acho justo. Mas ele chegou a ligar pra ela alguma vez, estando já contigo? Ex não é amigo, não quando se está namorando. Eu acho que só depois de muito tempo é que se consegue manter uma relação de amizade com alguém com quem você já teve intimidade sem acabar confundindo as coisas. Bom, o importante é que, pelo visto, o contato entre eles morreu - o que é ótimo pra ti.
Decidimos ir viajar, fazer nossa primeira viagem para a praia, com casais de amigos. Estávamos fazendo altos planos, ver o pôr-do-sol, beijar com o gostinho salgado do mar hahaha essas coisas de quem se ama! Mas no nosso 4º dia de praia, caminhando pela areia..E advinha quem aparece? A guria sozinha, com a família dela, na mesma praia! E pior: no guarda-sol ao lado do nosso. Ele foi lá, cumprimentou todos, e eu fiquei olhando e boiando.. Porque ele soltou da minha mão para ir lá. Estiquei a minha canga, e fiquei ali, sentadinha e chateada. Senti que o comportamento do meu namorado mudou. Ele nem veio ficar comigo neste dia., ficou jogando bola com os meninos. Justo nesse dia que ela estava lá, eu esperava mais dele. Entende?

Que infeliz coincidência. Bom, o clima deve ter ficado péssimo, mas.. Você não tinha muito o que fazer, né? Eu entendo, eu entendo. E concordo que ele deveria ter pensando em como você se sentiria, com o inimigo ao lado e ele longe. Deve ter sido mesmo uma droga. Vocês conversaram sobre isso depois? Às vezes, falando do jeitinho certo e num tom de voz aceitável - sem surtar - os rapazes conseguem nos entender. Ele pode nem ter notado o que fez (mas claro, deveria ter). Sobre ele ter ido dar oi e conversar um pouco com a família dela, também acho normal e até um pouco uma questão de educação, são conhecidos.
Fiquei muito insegura, cheia de dúvidas. Bem no dia do Réveillon, brigamos, e ele pareceu não ligar para o que eu tava sentindo. Disse que é paranoia minha.

Típica frase de homem machão. Mas enfim, será mesmo? Pode ser que sim, a gente gosta de enfiar minhocas na própria cabeça, e às vezes, alimentá-las, só para não acreditar em perfeição e tal.
Passou, resolvemos essa briga. Ontem mesmo ele disse que achava a Cléo Pires perfeita. E eu,  particularmente não acho. Tem outras atrizes que eu babo muito mais como Paola Oliveira, Juliana Paes, Isis Valverde, Carolina Dickmann. E vi uma foto da ex dele, achei ela meio parecida com a Cléo! Já fiquei pensativa, pois eu sou, loirinha, branquinha, 1,55 de altura, 49kg...

Ah, daí já acho que é paranoia mesmo. Teu namorado deve achar essas outras que tu citou lindas também. Eu sou do time que "baba" na Cléo, admito, mas não justifica nada. Também acho as outras bem bonitas. A ex-namorada ser "parecida" com a atriz também já acho que é coisa da sua cabeça. Não quer dizer, em hipótese alguma, que ele ainda a ame.

Eu sempre fico com ciúmes, e tenho medo de a minha intuição estar certa. Ele JURA que não. Tu sabe como é mulher né? Cheias de pontos de interrogação. Será que é paranoia mesmo? Queria sua opinião, que para mim, sempre foi tão inteligente e sábia! Obrigada por tudo. Até pelo o que você já escreve, que eu adoro! Beijos!

Minha querida: nós mulheres adoramos um drama, certo? Então, em minha opinião, talvez seja um pouquinho de imaginação demais sua, coisa que a sua cabeça plantou, enfim. Se ele está com você, é porque a escolheu. Dê um voto de confiança a ele. Caso isso persista, diga na lata tudo isso que me contou. Ele merece saber o que te aflige, ainda mais, porque pode fazer com que sua essa sua insegurança. Deixe que ela continue cantando e fazendo seus shows longe, e sendo morena mais longe ainda (me identifico com as loiras de plantão hahaha). Cuide de você e trate de fazer o seu namorado cada vez mais feliz. Acho que é a melhor dica que posse te dar. Com o tempo, ele tende a querer cada vez mais te ver sorrir também. E ah: trate de melhorar essa sua auto-estima. Gaste tempo pensando em como você é linda e pode ser cada vez mais, apenas do seu jeitinho. E em quanta sorte o cara tem de estar ao seu lado. Enalteça as suas qualidades. E boa sorte!

Quer enviar também o seu drama, dilema, pergunta pra que eu responda? O e-mail é dessagoncalves_@hotmail.com e é só escrever bonitinho e aguardar que daqui a pouco está aqui!

De primeira


Eis que um dos casais mais requisitados de bonitos da televisão brasileira sobreviveu anos em cima de um tabu, agora revelado. Fernanda Lima afirmou, com todas as letras, que teve sexo no primeiro encontro com seu - hoje então - marido, Rodrigo Hilbert. Um casamento e dois filhos depois, e tudo em ordem e em paz: frear o desejo em troca de uma falsa garantia, ou fazer o que bem entender e arcar com as consequências depois? A segunda opção me parece, um tanto quanto mais arriscada, mas muito mais libertadora. Além de autêntica.

Quanta menina que espera, espera, e quando deixa se ter a tal intimidade, é largada dias depois? Sexo "cedo demais" hoje em dia não diz nada mais nem de a personalidade de um homem, e muito menos, dos princípios de uma mulher. Deu vontade, foi lá e pronto: que saia de cabeça erguida e dignidade intocada, mulher valorizada hoje em dia é a que realmente sabe o que quer. Quem disse que é vagabunda essa só porque o papo foi ótimo, a química a mil e de repente aconteceu? Vadia hoje em dia é moça que se joga em cima demais, que não mede nunca o próprio valor e esquece os bons costumes, dando em cima de cara comprometido, falando mal depois de experiências ou beijando três, quatro, numa mesma festa. Ao menos ao meu ver, claro. É importante saber bem o que se quer antes de qualquer atitude drástica? Sim. Conhecer o cara pelo menos um pouco? Também. Mas decidir é um passo individual, e numa análise corrida entre quem se é, com quem se está e como proceder, sou muito mais a escolha corajosa de ir em frente guiada pelo próprio desejo do que parar justo quando as coisas começam a esquentar - e prometer - só porque "é o certo a se fazer".

São várias as histórias em que, num primeiro momento, casais que eram na verdade muito improváveis ou que não se deixaram levar pela pressão que a sociedade faz para que a ajamos "nos conformes" que resultam em momentos futuros de felicidade, fidelidade e também - e por que não, religião? - amor. Muito mais vale uma menina que não se preocupa demais com opinião, tabus ou comportamentos ditados como conselhos de amigas que dizem sempre "faça ele esperar para ver qual é a dele" e age conforme o que o corpo pede, uma intuição desabrocha, ao invés daquelas que voltam pra casa se corroendo de vontade, e se seguram porque é mais propício numa primeira impressão.

Se hoje em dia, o tempo consegue nos enganar, as palavras acabam por nos iludir, e atitudes, muitas vezes (ou quando faltam) nos surpreendem, como confiar tão cegamente num pensamento tão arcaico? Acontecer numa primeira vez pode evitar muito tempo gasto em vão lá mais na frente, abre espaço pra uma intimidade que muitas vezes se faz necessária, e convenhamos: é só ir com o pensamento focado no momento e na própria segurança de ser quem se é, que errado, pouca coisa pode dar. Há tanta coisa pior quanto a relacionamentos, possibilidades e o que pode ocorrer, e além do mais, aquelas que mais falam, são as que menos servem de exemplo (ou podem). Agir conforme as "invioláveis" regrinhas babacas do sistema apenas as fortalecem cada vez mais. Que o feeling diga mais que as más línguas, que a gente perceba detalhes e sinais e deixa que ocorra naturalmente, sem freio ou aceleração, o que tiver que ser.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Com amor, da sua melhor amiga

Você é sempre tão boa, que nem sei como começar a falar de tudo isso. Tenho medo que algo fira a sua sensibilidade cor-de-rosa, ou despedace os seus sonhos de Pollyanna. Porque você sempre me diz que há um outro lado que pode ser belo, uma outra visão que vale a pena observar, contra-pontos que merecem algum respeito. E por mais que eu não siga seus conselhos amáveis e dóceis, eu os escuto. Te vejo, e penso comigo: como pode, tanta ingenuidade? Quem colocou todas essas idéias coloridas e desconexas dentro do seu pensamento, e deixou você acreditar que tudo era assim: mil possibilidades, outro lado da moeda, sonhos intrínsecos, sorriso no rosto? Não cansa não, acreditar no amor assim, tão fervorosamente que beira o fanatismo?

Você gosta de dar chances, uma, algumas, cinco, mil? E cai sempre nos mesmos erros, na mesma arapuca. Fico com pena, e então algumas lágrimas caem dos seus olhos, que não fazem barulho algum, mas mexem comigo por dentro, e apenas rolam entre as maçãs da tua face corada. Não sei o que dizer, justamente pela sua fala eloqüente, que não cessa nunca. Pelas palavras bonitas que você desemboca, sempre na hora certa. E qualquer coisa que te digas, parecerá meio clichê, meio zombeteiro. Mesmo com uma coleção de roupas lindas, e vários pares de sapatos, ouço da tua boca: não é isso que me faz feliz. Ou faria. Queria que a sorte estivesse na casa do amor, e saísse logo do jogo. E falo para você, que quer abraçar o mundo e correr com o tempo, ter calma. Sei que estás em paz, que o que exaspera é logo essa calmaria, constante. E não há mais muito o que fazer, a não ser te lançar um olhar de cumplicidade, daqueles do tipo "eu estou aqui". Sabendo que na verdade, quem estará lá, sempre pros outros, e quase nunca para si, é você.

Fica difícil acreditar que você é a mesma que provoca na noite, com o drink magenta na mão, e que no outro dia se esconde atrás de óculos-enormes-escuros, e movimentos em slow motion. Que cumprimenta tímida os vizinhos, e canta alto músicas que tocam a alma. Que faz rir nos momentos em que a gente quer morrer, e chora baixinho e como criança, por pisarem no seu pé. Ou quem sabe, no seu coração. Te ver crendo cega em todo esse amor que tens aí dentro, dá vontade de amar também. Qualquer coisa, um animalzinho, as maquiagens novas, ou aquele cafajeste, que combinamos de chutar, e nunca adianta muito - a carne é realmente muito fraca. Quando ficas quieta, há algo errado. E mesmo não sabendo o que é, compartilhamos de um silêncio cúmplice, embebido em intimidade. Logo depois, estamos comentando sobre como somos azaradas, e planejando o que terá, e o que ficará definitivamente de fora, nos nossos casamentos. Analisando cada detalhe de qualquer conversa, e revendo, rebobinando por horas à fio tudo o que aconteceu, tentando encontrar compulsivamente alguma culpa, além da nossa em existir. Tendo a certeza completa de que, por mais que a gente caía e levante com alguma força ainda maior, veloz, temos ainda bengalas bonitas pra toda essa reabilitação, ou fisioterapia: a amizade uma da outra.

Mesmo sendo diferentes ao extremo. Em gostos musicais, ou degustativos. Na dança, na festa, ou na ópera. Alguns conselhos, que sei que na sua personalidade forte, não seguirás: não acredite em tudo, nem no que ouve, muito menos no que vês. Atitudes, por mais ferinas ou bruscas, dizem muito mais do que qualquer palavra bonita, cantarolada ao pé do ouvido. Prefira a simplicidade, ao luxo. O normal, ao difícil. Sei que querer o impossível não te cansa, mas uma hora, é preciso descansar. Não se esconda em casa, e continue aproveitando toda terça, quinta, ou sábado. Quem sabe, às sextas. Não deixe de beber, mas continue como está: moderadamente. Se sinta linda, porque é isso que você é - ma-ra-vi-lho-sa. E não sou eu quem te digo, o que é melhor. É o menino da festa, o açougueiro da rua, o excecutivo de terno que agora passa. Se você se sentir deslumbrante, assim será. E por fim: não se esconda nunca. Se ache, se encontre. Nas atitudes que a sua intuição e impulsividade fazem ocorrer, ou naquilo que pensa ser o certo, mesmo que certeza nenhuma exista.
Com amor, da sua melhor amiga

A cola

Se prolifera nos mais inesperados casais, mas se bem atentos a gente quase nem nota. Justificam como amor incondicional, vontade intensa de se estar junto, desejo maior entre todos os queres possíveis. Nasceram grudados? É lógico que não. Tanto que, ela é leonina, e ele, capricorniano. E o que deveria ser cumplicidade, acaba se tornando grude: se não se veem todos os dias, ela surta. Caso ele vá num churrasco com os amigos à noite, ela pira. E se ela resolve ir num pub com colegas dos tempos de colégio? Ele enciuma. Vão às compras juntos, começam a estudar na mesma universidade, almoçam no mesmo lugar e jantam senão na casa de um, na do outro. É a tal cola que, no começo parece aconchego, mas com o passar dos meses se torna só sufoco.

Os outros incompreendem tamanha ligação inseparável. É uma demonstração excessiva de carinho em público, quase sempre cheia de nhe nhe nhe's e diminutivos em demasia, deixando enjoados com tanta carícia quase todos que se fazem presentes em tais momentos. A vida própria de cada um parece não mais existir. Só falta ele começar a assistir as sessões de depilação da moça, e ela, se meter nos momentos de privacidade dele no banheiro. Perde-se o contato com amigos mais agitados, entes queridos, o mundo entorno. No começo, o desligamento mundano parece uma anestesia contra as chatices que a gente é obrigados a enfrentar. Por um tempo, acredito que seja estável estar praticamente acorrentado por espontânea e livre vontade ao lado de quem se ama. Até que a mesmice pega com tudo. E aquilo que parecia o melhor vício adquirido, começa a se tornar uma obrigação. Perde o brilho inicial, o cheiro de novo, o estigma de novidade dentro do que é costumeiro. E um dos lados nunca compreende bem porque tanto abatimento ao se estar preso num mundo paralelo e que não acompanhas as piruetas travestidas de mudanças que a vida da gente dá.

O tempo para um respiro solitário só faz bem. Algumas horinhas para se sentir completa na própria companhia, idem. Renova a saudade, faz valorizar o quanto é importante e deve ser prezada a companhia com quem apenas faz de nós pessoas melhores, dá um gás para que voltemos loucos de uma falta que precisa ser preenchida somente com quem sabe a senha exata para fazer da nossa existência leveza. Sem grude excessivo, mas com vida própria o bastante para compartilhar a cada segundo quando unidos num mesmo momento - sem a necessidade de ter, mas de poder sentir, mesmo que longe, que um sentimento existe e não vai acabar tão assim prematuramente por se avançar cedo demais algumas etapas necessárias. Pressa para o que é durável e infinito: ainda bem que eu não tenho.